Policiais envolvidos em ação que resultou na morte de suspeito de roubo são presos


Quatro militares foram detidos preventivamente pela Justiça, na quarta-feira (28). A Polícia Militar do Amapá afirmou que ele resistiu à prisão e esboçou reação contra a equipe; família contesta versão. Vídeo mostra suspeito de roubos ainda vivo, sendo detido pelos policiais, em Macapá
Reprodução
Quatro policiais militares envolvidos na ação que terminou na morte de William Natividade Silveira, de 27 anos, no dia 22 de março, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, na quarta-feira (28). A corporação afirmou que o suspeito de roubo resistiu à prisão e esboçou reação contra os policiais, quando levou um tiro. A família contesta a versão.
A prisão foi pedida pelo Ministério Público do Estado (MP) e expedido pela 4ª Vara Criminal de Macapá. Os militares se apresentaram no Comando Geral, informou o advogado de defesa Charles Bordalo e estão detidos no Centro de Custódia do bairro Zerão, na Zona Sul da capital. A PM informou que só vai se pronunciar sobre o assunto após o encerramento das investigações.
“Ao se apresentarem no comando, os policiais foram conduzidos para o MP onde prestaram esclarecimentos. Nisso, vamos pedir para o promotor a revogação dessa prisão. Estamos aguardando o parecer do juiz, para deferir o pedido ou não”, destacou a defesa dos militares.
A ocorrência aconteceu na Rua Carlos Drummond de Andrade, no bairro Congós, em uma área de periferia, sobre uma região alagada.A PM afirma que William era suspeito de diversos roubos na região e resistiu à prisão, esboçando reação contra os policiais, quando levou um tiro.
Um vídeo mostra o suspeito ainda vivo, sendo levado para dentro da casa onde ocorreu a morte. (veja vídeo abaixo)
Homem morre durante ação policial em Macapá; família contesta versão da PM
Em outro vídeo, um dos policiais envolvidos na ação aparece manuseando uma arma, no momento que seria após a morte do suspeito.
A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amapá (OAB-AP) informou que formulou o pedido ao Ministério Público, que adotou e requereu a prisão preventiva. Segundo o advogado Maurício Pereira, a denúncia ocorreu devido à suposta violação de direitos humanos.
“A OAB vem acompanhando essas ações, com mortes em intervenções da Polícia Militar. Neste caso não foi só a notícia, mas veementes indícios, pois há pessoas que filmaram e disseram escutar a vítima pedir para não morrer. Há vídeos em que os policiais estariam manipulando a arma, que teria sido utilizada pela vítima. Então por isso a OAB pediu providências”, destacou.
A informação foi contestada pela defesa dos policiais militares. Charles Bordalo reiterou que reforçou que a equipe agiu em legítima defesa. “Ele escondeu uma arma de fogo, com cano cortado, em meio a roupas que estavam dentro da casa, e teria ameaçado o policial que estava com ele. Então o militar fez um disparo, para se defender e atingiu o peito do rapaz. Mas a equipe estava em diligência e foi ameaçada”, disse o advogado.
Segundo a OAB, os policiais poderão responder, após denúncia, criminalmente por homicídio duplamente qualificado e crime de fraude processual.
Charles Bordalo, advogado de defesa dos policiais militares
Arquivo G1
Tiro
A polícia chegou no local após receber denúncia anônima de que William estava com uma arma de fogo na área de ponte. A corporação informou, no dia da morte do suspeito, que os militares entraram na residência, por volta das 7h, para procurar a arma, quando ele teria feito o movimento que causou a reação militar, que atingiu o peito do suspeito.
A PM acrescentou que iria abrir inquérito interno para apurar a situação. O caso também deve ser investigado pela Polícia Civil.
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