Polícia conclui que peça de airbag causou morte de motorista em acidente na orla de Aracaju


De acordo com a SSP/SE, esse é o primeiro caso em que esse tipo de ocorrência deixa uma vítima fatal no Brasil. Sete dias depois, uma peça do airbag da fabricante Takata também provocou a morte de uma pessoa no Rio de Janeiro. Acidente ocorreu na Orla de Atalaia
SSP/SE/Divulgação
O laudo pericial emitido pelo Instituto de Criminalística, sobre um acidente que matou o condutor de um veículo de passeio na Orla da Atalaia, em Aracaju, no dia 20 de janeiro, concluiu que a morte dele foi causada por uma peça do airbag que atingiu o pescoço. Os detalhes foram apresentados nesta quarta-feira (15) pela Secretaria de Segurança Pública (SSP/SE).
Testemunhas informaram à polícia que o acidente ocorreu quando um carro que vinha a frente parou para dar passagem a um pedestre. A velocidade do carro no momento do acidente, estimada pela perícia era de 40km/h. Segundo o Serviço Móvel de Urgência (Samu), a vítima morreu devido um sangramento na região cervical. Já o condutor do outro veículo envolvido no acidente não se feriu.
De acordo com a polícia, esse é o primeiro caso em que esse tipo de ocorrência deixa uma vitima fatal no Brasil. Sete dias depois, uma peça do airbag da fabricante Takata também provocou a morte de uma pessoa no Rio de Janeiro. No país, já foram registradas 40 ocorrências de rompimento de insufladores, com 16 pessoas feridas. Em todo mundo, são vários casos com mortes e lesões graves e com uma série de recalls feitos pela empresa. O G1 entrou em contato com a empresa para falar sobre esse caso, mas até a publicação desta reportagem não havia obtido retorno.
“Foi um colisão relativamente simples, com poucos danos materiais em ambos os veículos. Inicialmente, o perito achou muito estranho um acidente tão simples ter causado o óbito de uma vítima de forma tão rápida. Ainda no local, após o perito realizar levantamento de forma bem minuciosa, ele já identificou que no conjunto do airbag havia sinal de rompimento de uma das peças. E no local também o perito chegou a identificar que o fabricante dessa peça de segurança era o fabricante Takata”, disse o diretor do Instituto de Criminalística Luciano Homem.
Ele ainda explicou que o carro sofreu uma ruptura anormal. “O airbag é composto por uma bolsa inflável, e um insuflador ou deflagrador. E dentro desse insuflador há alguns componentes químicos. No momento em que há uma parada brusca, é acionada uma combustão e a liberação dos gases serve para inflar essa bolsa. A velocidade estimada é em torno de 300 km/hora. O perito realizou algumas pesquisas e encontrou registros de falhas desses equipamentos em todo o mundo, incluindo o Brasil. Ainda no laudo o perito fez algumas considerações técnicas e diz que foi constatado que o veículo sofreu uma ruptura anormal dentro do veiculo. Aí já posteriormente foi retirada essa peça da vítima e serviu para complementar a perícia”.
Segundo a SSP, a empresa responderá civilmente pela morte.
Vítima estava no carro vermelho
SSP/SE/Divulgação
A falha
A Takata revelou o defeito em 2013. Desde então, somente no Brasil, mais de 2 milhões de carros, de 15 diferentes marcas, foram chamados para a troca da peça defeituosa desses airbags, chamada insuflador. O insuflador é uma espécie de caixa metálica que abriga o gás que faz a bolsa de ar inflar. O defeito nessa peça causa uma abertura forte demais quando o airbag é acionado.
Além disso, a falha gera trincas no insuflador e, com a explosão do airbag, ele se estilhaça, atirando pedaços de metal contra os ocupantes, causando ferimentos que podem ser fatais e já foram comparados a facadas.