Poder do verbo do octogenário Bob Dylan seduz vozes do Brasil desde a década de 1970


♪ MEMÓRIA – Na live que fará na próxima sexta-feira, 28 de maio, Gal Costa cantará Negro amor, música que lançou há 44 anos no álbum Caras & bocas (1977). Trata-se de versão em português – escrita por Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti – de It’s all over now, baby blue, música apresentada por Bob Dylan em 1965.
Sucesso cult do repertório de Gal, que regravou Negro amor em dueto com Jorge Drexler no recente álbum Nenhuma dor (2021), a versão exemplifica o poder do verbo desse compositor norte-americano que chega amanhã aos 80 anos como um dos maiores letristas de música do universo pop.
Nascido em 24 de maio de 1941, Robert Allen Zimmerman construiu, a partir de 1961, obra que tem reverberado na música brasileira desde a década de 1970.
Quem viveu no Brasil em 1978, por exemplo, possivelmente sintonizou em alguma rádio a canção A resposta está no ar, versão escrita e gravada pela cantora baiana Diana Pequeno a partir da canção Blowin’in the wind (1963), marco da inicial fase folk da obra de Dylan.
Também mestre na escrita de letras de música, Caetano Veloso volta e meia dá voz a uma canção de Dylan, além de ter citado o bardo em verso da letra da composição Ele me deu um beijo na boca (1982).
Caetano, cabe lembrar, inseriu Jokerman (1983) no roteiro do show Circuladô (1992) – espetáculo perpetuado na íntegra no álbum Circuladô vivo (1992) – e incluiu It’s alright, ma (I’m only bleeding) (1965) no repertório do álbum A foreing sound (2004), songbook heterodoxo da canção norte-americana.
Há cantores e bandas que gravaram álbuns somente com o cancioneiro de Dylan. Caracterizado com epítetos como “Bob Dylan do sertão” pela letras caudalosas, Zé Ramalho dedicou disco ao repertório do bardo, por exemplo.
Com versões em português de músicas do compositor, o álbum Tá tudo mudando – Zé Ramalho canta Bob Dylan (2008) saiu uma década antes dos songbooks do grupo Vanguart e do cantor Baia, ambos editados em 2019.
Na música do Brasil, o poder do verbo de Dylan tem seduzido artistas de variados estilos e gerações. Em 1986, a cantora Cida Moreira lançou álbum em que cantava Furacão, arrasadora versão em português (de Miguel Paiva) de Hurricane (Bob Dylan e Jacques Levy, 1975).
Em 1987, Fagner batizou o álbum Romance no deserto com versão em português (de Fausto Nilo) de Romance in Durango (Bob Dylan e Jacques Levy, 1976).
Em 1992, quando o Skank ainda buscava lugar ao sol no mercado pop, o grupo gravou Tanto, versão escrita por Chico Amaral a partir de I want you (1966). Em 2008, Mallu Magalhães lançou DVD cujo repertório incluía registro de I ain’t me babe (1964).
Enfim, a lista de intérpretes brasileiros do cancioneiro de Dylan – no original, em inglês, ou em versões em português – é longa e inclui os cantores Evandro Mesquita, Geraldo Azevedo, Marcelo Nova, Margareth Menezes, Paulo Ricardo, Rodrigo Santos e Vitor Ramil, entre muitos outros.
É o poder do verbo do agora octogenário Bob Dylan!