‘Podcasts proibidões’ viram atalhos para liberar funk-rave e raridades de divas pop na web


Funks com trechos não autorizados e faixas de cantoras pop que não tiveram lançamento oficial são ‘disfarçadas’ de podcasts e publicadas em serviços de streaming; entenda. Entre programas de debates, notícias e conversas sobre vários temas, figuram podcasts sem papo e só com músicas em serviços de streaming. Eles são atalhos para incluir faixas que não foram lançadas oficialmente.
Ouça acima o G1 Ouviu, que explica como os “podcasts proibidões” incluíram remixes não autorizados de funk e eletrônica e faixas fora da discografia oficial de estrelas pop em streaming.
Vários podcasts que estiveram os mais tocados no Brasil nos últimos meses são, na verdade, sequências de músicas raras de cantoras como Selena Gomez, Ariana Grande e Pabllo Vittar, e de faixas de funk-rave, mistura do batidão brasileiro com EDM.
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‘Pod’ isso?
A maioria dos podcasts é como se fosse um programa de rádio, mas fica disponível na internet. As plataformas cresceram oferecendo músicas, e depois incorporaram têm estes podcasts, com pessoas falando sobre vários assuntos.
Mas, por fugir do radar dos donos dos direitos autorais musicais, o podcast virou brecha para os fãs publicarem as “proibidonas” como se fossem episódios dos programas. O G1 falou com alguns destes fãs e DJs.
‘Podcast’ só com músicas fora dos canais oficiais de Selena Gomez, com título disfarçado (corruptela do nome de batismo Selena Marie Gomez), e na lista de mais ouvidos no Brasil no Spotify
Reprodução
Eles não ganham dinheiro com isso. Só que os músicos que criaram e gravaram as faixas também não recebem – só arrecadariam se as músicas fossem ouvidas em seus canais oficiais.
Funk-rave
O DJ GBR, considerado pioneiro do funk rave
Reprodução/Instagram
Um podcast chamado “Só toca funk” ficou por vários meses entre os mais tocados do Brasil. Atualmente ele está fora do ar, mas os “episódios” tinham músicas com a mistura do tal funk-rave.
O funk-rave está em alta em festas no Brasil. As músicas começam com bases eletrônicas de DJs como os brasileiros Alok e Liu, e emendam com batidas e vocais de funk. O atual rei dessa mistura é o DJ paulista GBR, um dos criadores do projeto Rave dos Fluxos.
Os samples, trechos instrumentais tirados de outras músicas, não são feitos com autorização, por isso dariam problema em canais oficiais.
Sacada universitária
DJ Léo Alves, criador do ‘podcast/playlist’ de funk-rave, estilo em alta em bailes e festas universitárias
Arquivo / Léo Alves
Quem percebeu a demanda aberta foi o paulista Léo Alves, de 29 anos, que também é DJ. Ele já tinha outros podcasts com material próprio. Mas o que bombou mesmo foi o “Só toca funk”, em que ele apenas sobe faixas ausentes da plataforma.
Mas há diversos outros podcasts de funk-rave em serviços de streaming. Muitos são ligados a atléticas de universidade, já que as festas do estilo são populares entre este público.
Raridades de divas
Fora o brega-funk, as cantoras pop brilham em podcasts “clandestinos” exclusivos, publicados por seus fãs. São músicas que elas gravaram mas não entraram em álbuns e acabaram vazando, além de versões ao vivo, acústicas e outras.
Vários destes podcasts foram derrubadas pelo Spotify, com músicas de Beyoncé, Lana del Rey e Camila Cabello. Em uma delas, dedicada a Ariana Grande, a descrição dizia: “É a 4ª vez que subo isso, então f*-se todo mundo”.
Podcast de uma faixa só
‘Podcast’ Duda Beat, que tem apenas um ‘episódio’: a música ‘Chapadinha’, versão para ‘High by the beach’, de Lana Del Rey
Reprodução / Spotify
No top 200 do Brasil já passaram títulos feitos por fãs de Pabllo Vittar, Selena Gomez e Ariana Grande. Um deles é o podcast chamado Duda Beat, com apenas a música “Chapadinha”, versão da brasileira para “High by the beach”, de Lana Del Rey, fora do canal oficial de Duda.
O podcast só de músicas de Selena Gomez entrou disfarçado como “Marie SG”. O G1 falou com o fã que criou, que não quis se identificar. “No mês passado vi muita gente subindo música dos seus cantores preferidos como podcasts, então decidi fazer a mesma coisa com a Lana del Rey e a Selena Gomez”.
“Eles baniram meus podcasts da primeira vez, mas acho que é porque teve muita repercussão no Twitter, minha conta foi bloqueada por problemas de copyright. Mas aí tentei de novo e eles não baniram”, conta.
“Acho que muita gente está dando atenção porque as muitas pessoas usam Spotify para música hoje em dia, não muito o YouTube”, diz. O G1 procurou o Spotify para saber sobre o controle de direitos autorais em podcasts, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.
O Spotify enviou ao G1 o seguinte comunicado:
“O Spotify tem uma política de tolerância zero para conteúdo que viola direitos autorais em podcasts e, a partir do momento que tomamos conhecimento de um conteúdo potencialmente infrator, removemos do serviço. Isso inclui qualquer uso não autorizado de músicas protegidas por direitos autorais em podcasts.”
Lana Del Rey em montagem para playlist de brega-funk
Reprodução