Pianista de jazz Jonathan Ferr trata a música como arte medicinal no álbum ‘Cura’


♪ Tema de domínio público recorrentemente cantado nos rituais de religiões de matrizes afro-brasileiras para abrir caminhos, Sino da igrejinha também abre – não por acaso – Cura, álbum que o pianista e compositor carioca Jonathan Ferr está lançando via slap, selo da Som Livre, gravadora que contratou em 2020 este artista que transita pelo universo do urban jazz com mix pop de gêneros musicais como funk, R&B e rap.
Em rotação desde 28 de maio, o álbum Cura alinha nove músicas gravadas de forma minimalista em arranjos conduzidos pelo piano de Ferr, centro de disco também formatado com quinteto de cordas e com o toque do violoncelo de Jaques Morelenbaum, ouvido na música Sensível.
Ao longo do álbum Cura, Jonathan Ferr trata a música como arte de propriedades medicinais. E esse tratamento passa pela espiritualidade, potencializada no disco pela alma da composição Choro e pelo texto dito pela poeta e filósofa Viviane Mosé na última das nove músicas do disco, Caminho.
Capa do álbum ‘Cura’, de Jonathan Ferr
Divulgação
Entre Sino da igrejinha e Caminho, Jonathan Ferr percorre trilhas que passam pelo blues (gênero da sensual love song Amor), pelo espírito do rock’n’roll (evocado pelo solo de guitarra que adorna a faixa Felicidade) e pelo culto à música espiritualizada de Milton Nascimento, celebrado em Nascimento.
O posicionamento social e político também está marcado no álbum Cura em Esperança, faixa gravada com a voz de Serjão Loroza – que declama poema em que Ferr reflete sobre o racismo – e previamente apresentada em single editado em 2 de abril.
Descontados os singles, Cura sucede Trilogia do amor (2019) – disco situado na fronteira entre EP e álbum – na obra fonográfica do artista.