Pesquisa da Ufal aponta composto de petróleo no maçunim em AL

Peixes e organismos filtrantes foram colhidos em dezembro para análise. Descoberta tem relação com manchas de óleo que surgiram no litoral brasileiro em 2019. Especialista fala sobre impactos de manchas de óleo no mar
Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) nos pescados dos litorais Sul e Norte do estado apontou compostos de petróleo no maçunim, um tipo de marisco muito utilizado na culinária alagoana. Foram colhidas para análise 30 amostras entre peixes, maçunim e sururu durante o mês de dezembro de 2019.
A descoberta tem relação com as manchas de óleo que surgiram no litoral brasileiro a partir de agosto de 2019 e atingiram praias dos nove estados do Nordeste e dois do Sudeste (Espírito Santo e Rio de Janeiro), contaminando a fauna e a flora.
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Em entrevista ao Bom Dia Alagoas desta quarta-feira (5), o doutor em ciências aquáticas da Ufal, Emerson Soares, explicou que foram colhidas amostras de duas espécies de peixes, carapeba e sargo.
“Nos peixes não foi encontrado nenhum tipo de composto derivado do petróleo. Nós avaliamos a carapeba, que é um peixe de água doce, salgada e que transita no mangue, esse tipo de peixe consome tudo o que está no fundo do mar e também não encontramos nada”, afirma o pesquisador.
Nos organismos filtrantes, a situação foi diferente. Somente o sururu não estava contaminado. “No maçunim, nós encontramos uma grande quantidade dos compostos do petróleo nas praias de Feliz Deserto e Piaçabuçu. No sururu, em Coruripe, não foram encontradas contaminantes”, diz.
Ainda segundo o especialista, serão repetidas essas análises a cada dois meses, durante dois anos. “Já temos a 4ª análise da água e semana que vem já iniciamos a 2ª análise do pescado. O que descobrimos é que os compostos poluentes da água diminuíram”, esclarece Soares.
“Em dezembro estávamos no auge do problema, então já esperávamos que o maçunim estaria contaminado. Então, com a diminuição do óleo nas praias, esperávamos uma diminuição desses compostos na carne do maçunim”.
De acordo com o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Ícaro Moreira, as entidades de pesca começaram a se preocupar com o futuro desta contaminação no consumo. Ele defendeu que há uma necessidade de monitoramento destes produtos alimentícios.
“O óleo pode entrar na cadeia alimentar. E uma exposição a longo prazo, com pessoas se alimentando de peixes contaminados com estes compostos, pode provocar câncer, leucemia e doenças do sistema nervoso central”, alerta Moreira.
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