Pesquisa científica encontra caramujo gigante africano em ao menos 29 bairros de Rio Branco


Estudo iniciou em 2015 e avaliou 36 bairros da capital, segundo estudante. Dados foram publicados em revista científica. Invasão de caramujo africanos é tema de estudo no Acre
Uma pesquisa feita por um estudante de biologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) detectou a presença de caramujo gigante africano em 29, de 36 bairros analisados em Rio Branco. O estudo foi reconhecido no congresso de iniciação científica e publicado em uma revista da área.
O estudante Marcos Silva está no 7ª período do curso e diz que a pesquisa iniciou em 2015 e terminou em 2016. Durante esse tempo, 900 animais foram coletados.
“Eu ia nos bairros com a espécime na mão e perguntava se o morador já tinha visto aquele animal na região. As pessoas diziam que sim, ia na casa e coletava esses animais, vivos e mortos”, explica.
O caramujo se reproduz durante todo o ano, mas, é na época da chuva que ele mais se multiplica. Por isso, é preciso ter atenção e bastante cuidado para não contrair doenças.
“É importante que as pessoas evitem ter contato direto com o animal, então deve usar luvas, de preferência, descartáveis. Com o auxílio das luvas, devem coletar esses animais que estejam próximos as suas casas, colocar dentro de um saco plástico, cavar uma cova rasa, forrar com cal, que vai evitar a poluição do solo, e depois despejar os animais e enterrar”, orienta o estudante.
Pesquisa encontra caramujo gigante africano em 29 bairros de Rio Branco
Reprodução/Rede Amazônica Acre
Doenças
Ele diz ainda que o molusco é uma espécie exótica que chegou ao estado na década de 80. É também vetor de vermes que podem causar doenças para os seres humanos e também aos animais.
“Pra saúde humana, nós temos os dois principais vermes: o causador da meningite, e da estrongiloidíase abdominal, que é quando os vermes se alojam no intestino das pessoas e, à medida que vão se reproduzindo e alimentando, causam danos ao intestino e podem levar a pessoa até a morte. A meningite, como é mais conhecida, o animal se instala nas meninges e pode levar a pessoa a óbito”, explica.
Sobre a pesquisa, o estudante diz que se sente orgulhoso com o resultado e diz que estudos como esse acabam prestando um serviço de muita utilidade à população.
“Demanda muito trabalho e muito tempo. Além do esforço químico, tem o mental também. Por estar ali no laboratório, lendo muito, vendo dados, mas é uma sensação de dever cumprido e é muito legal as pessoas estarem vendo nosso trabalho. Porque é isso que acontece na nossa cidade. O que não é mostrado, uma série de trabalho que podem ser utilizados para os bens das pessoas”, finaliza.