Peruanos preparam em São Paulo ceviche de 50 kg, o maior do Brasil

Chef e promotor cultural, Oscar Vasques Solis fez um ceviche de 50 kg em SP

Chef e promotor cultural, Oscar Vasques Solis fez um ceviche de 50 kg em SP
Plínio Aguiar / R7/ 30.06.2018

Prato feito à base de peixe branco, preferencialmente por mero e tilápia de criadouro, o ceviche tem de ser servido muito fresco. Coloca-se limão, fazendo com que sua acidez equilibre o peixe. Adicione cebola roxa, dando crocância. Mais um pouco de pimenta peruana, dando vigor. Agora, o ingrediente indispensável: coentro. Dando frescor, a planta deve ser picada e usada com moderação.

A combinação de produtos simples, mas bem-equilibrados, fez com que o prato fosse declarado patrimônio cultural da nação peruana, em 2004. Neste sábado (3), o analista de sistemas Douglas Navarro, de 29 anos, experimentou o ceviche pela primeira vez. “É um pouco apimentado, o limão dá um toque ao peixe, e fica realmente muito bom”, disse ao R7. Douglas foi incentivado pelo amigo peruano: “Eu enrolava, desmarcava. Mas me arrependi”, sorriu.

O prato foi servido na casa do peruano Oscar Vasques Solis, de 55 anos, no Jardim São Bento, bairro nobre da zona norte de São Paulo. A intenção, informalmente, era fazer o maior ceviche do País. O grupo conseguiu: 50 kg. Desta vez, acrescentou à comida batata doce e alface.

Segundo Vasques Solis, o objetivo é motivar restaurantes peruanos a fazerem o prato e promover uma competição saudável. “É uma briga que vai fazer bem, porque no fundo será uma divulgação da nossa comida, do nosso Peru”, comentou.

O analista de sistemas Douglas Navarro, à esquerda, comeu o prato pela primeira vez

O analista de sistemas Douglas Navarro, à esquerda, comeu o prato pela primeira vez
Plínio Aguiar / R7 / 30.06.2018

A festa reuniu cerca de 50 pessoas, em sua maioria peruanos, na Brasas Peruanos, nome que deu à casa onde mora. O espaço, diz ele, não é um restaurante. “Eu faço isso por causa da nossa comunidade. O intuito é se reunir, cantar e dançar músicas peruanas, se deliciar com uma boa comida”, contou. “É viver o Peru em um pedacinho aqui do Brasil”.

No entanto, a ideia era se reunir justamente no dia 28 de junho, data que se comemora o Dia do Ceviche no Peru, mas como era uma quinta-feira, a maioria das pessoas não podia. “Então fizemos hoje, neste sábado”, disse. Vasques Solis precisou da ajuda de mais duas pessoas para fazer o prato. O tempo de preparo? Do corte dos alimentos ao momento em que é posto na panela, 1h30.

O termômetro marcava 25°C. No quintal do Brasas, peruanos e descendentes cantavam e dançavam. Em suas mãos, copos cheios de pisco, uma espécie de “caipirinha” peruana. Feito com água ardente de uva com gradação alcoólica, a bebida deve ser servida gelada. Inclusive, a cidade que leva o nome do drinque possui um museu desde 2003.

Nas mesas, o prato era degustado com garfadas fartas. “É a última vez que vou comer ceviche aqui no Brasil neste ano”, comentou o peruano Jorge Oswaldo Ramirez Garnique, de 63 anos. “Estou indo essa semana para os Estados Unidos, onde vou morar com minha esposa”, justificou, com um sorrido no rosto. Chegou à capital paulista em 2016 e, desde então, leciona espanhol em uma escola de idiomas. Aproveitou o evento para se despedir: “espero que lá tenha”.

Peruano, Jorge Garnique se deliciou com o ceviche em SP pela última vez

Peruano, Jorge Garnique se deliciou com o ceviche em SP pela última vez
Plínio Aguiar / R7 / 30.06.2018

Jorge nasceu em Chiclayo, quarta cidade mais populosa do Peru, com pouco mais de 500 mil habitantes. Deixou os filhos, de 26 e 28 anos, na cidade natal, após o divórcio, e veio para a capital paulista em busca de uma vida melhor. Conseguiu. “Hoje eu mando dinheiro para eles. Ajudo no que eu posso”, conta. A expectativa sobre a vida nova estadunidense é ainda maior: “Lá eu vou ganhar mais. Vou mandar mais dinheiro para eles”, argumenta.

O peruano é amigo de Vasques Solis. O organizador da festa em Lima, capital do Peru, em 1964. Formou-se em administração de empresas, mas sua paixão era mesmo a gastronomia. Apoiado pela mãe, que é chef, cursou gastronomia em Madrid, na Espanha, onde morou por dois anos.

Voltou para sua terra natal. Morou nos países vizinhos como Chile e Argentina — nesta época, trabalhava como jornalista em uma revista de viagens. Mas o desejo de ser chef era cada vez maior. Quando completou 38 anos, pousou em terras norte americanas. Trabalhou em restaurantes peruanos em Miami, no Estado da Flórida. “Foi um momento muito feliz da minha vida. Até hoje eu sinto saudades”, diz. Ele relembra que chegou a ter o próprio restaurante por lá. “Chamava La Casita Roja”, sorri.

Mas a crise econômica e a depressão política que assolou o país naquela década fez com que Vasques Solis saísse de lá. Em uma oportunidade de trabalho, veio para São Paulo, em 2010. “Eu era apaixonado pelo Brasil”, lembra. Trabalhou em uma empresa que transportava peruanos até as terras brasileiras.

Ceviche é um prato que foi declarado como patrimônio cultural do Peru

Ceviche é um prato que foi declarado como patrimônio cultural do Peru
Plínio Aguiar / R7 / 30.06.2018

Segundo ele, ainda era pouco. Sentia que precisava fazer mais pela comunidade. “Resolvi juntar os peruanos que aqui viviam e fazer reuniões, comemorações”, conta.

Os eventos, mais tarde, ganharam um nome e outro local: Expo Ceviche. “Era uma forma de mostrar a gastronomia”, comentou. Em 2013, realizou a primeira edição no Instituto Cervantes, seguida do parque do Ibirapuera. “Foi um sucesso. Tinha muito mais pessoas do que esperávamos”. Vasques Solis, desde então, promove a cultura de seu país natal e, neste ano, foi a segunda vez que realizou no Rio de Janeiro. A primeira foi em 2015.

Comunidade peruana se juntará novamente no dia 28 de julho, garante Giuliana

Comunidade peruana se juntará novamente no dia 28 de julho, garante Giuliana
Plínio Aguiar / R7 / 30.06.2018

A próxima comemoração da comunidade peruana em São Paulo será no dia 28 de julho: dia da Independência Peruana. “Vamos comer, beber, dançar, se divertir. Ser Peru em um pedacinho aqui do Brasil”, disse a assistente no Consulado Giuliana Sattui Mejia, de 28 anos.

Segundo ela, pratos como aji de gallina, ceviche e cabrito norteño serão servidos. “O objetivo é dar uma familiaridade para aqueles que vivem aqui. É uma experiência cultural que propomos”, explicou Giuliana.