Para técnicos, outros projetos fiscais podem ser inviabilizados se Previdência for desidratada


Depois que o presidente Jair Bolsonaro admitiu ceder na idade mínima das mulheres, técnicos da área econômica alertaram que desidratar a reforma da Previdência Social pode retirar a “potência fiscal” da proposta e inviabilizar o lançamento de outros programas do governo, como a carteira verde e amarela.
A carteira verde e amarela seria um novo modelo de contratação de trabalhadores jovens, com encargos trabalhistas bem mais baixos para empresas e empregados e menos direitos trabalhistas, na busca de reduzir fortemente o desemprego no país.
“A pretexto de ajudarem as mulheres estão impedindo a potência fiscal que permite lançar a verde e amarela”, disse um técnico.
Ou seja, se o governo não conseguir uma economia relevante com a reforma da Previdência pode ficar sem espaço fiscal para direcionar recursos para outros projetos do próprio presidente Jair Bolsonaro.
A preocupação da equipe econômica é que a sinalização do presidente, de que pode aceitar uma redução da idade mínima de aposentadoria das mulheres de 62 para 60 anos, mexe na espinha dorsal da medida e afeta de forma mais significativa a economia pretendida com a aprovação da reforma.
A meta do Ministério da Economia é obter uma economia de no mínimo R$ 1 trilhão no período de dez anos.
Na avaliação de assessores palacianos, o presidente acabou cometendo um “ato falho” ao falar numa idade de 60 anos para aposentadoria das mulheres, porque essa foi a proposta dele no dia em que o texto da Proposta de Emenda Constitucional foi fechado no Palácio da Alvorada.
Naquela reunião, a equipe econômica propôs igualar a idade de aposentadoria de homens e mulheres em 65 anos. Bolsonaro defendia 65 para homens e 60 para mulheres. Aí a equipe de Paulo Guedes sugeriu a fórmula 65 e 62, que acabou sendo colocada no texto enviado ao Congresso Nacional.
Segundo um técnico, a área econômica tinha a expectativa de ter convencido o presidente, mas sua manifestação a jornalistas mostra que não.

Editoria de Arte/G1