Para Moro, ‘decisão não muito favorável’ de retirar Coaf do MJ não atrapalha atuação do órgão

Ministro da Justiça e da Segurança Pública comentou decisão de comissão do Congresso de alterar medida provisória do governo e transferir o conselho para o Ministério da Economia. O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou na tarde desta quinta-feira (9) que a decisão da comissão mista do Congresso de retirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de sua alçada não é “favorável”, mas não atrapalhará a atuação do órgão.
O Coaf é uma unidade de inteligência financeira do governo federal que atua principalmente na prevenção e no combate à lavagem de dinheiro – crime que consiste na prática de disfarçar dinheiro de origem ilícita.
Antes sob comando do Ministério da Fazenda, o órgão foi transferido para a alçada do MJ com a edição, pelo presidente Jair Bolsonaro, da medida provisória que reestruturou o governo.
Saiba o que é e como funciona o Coaf
Nesta quinta, a comissão mista decidiu retirar o órgão do MJ e aprovou a transferência para o Ministério da Economia. A decisão significa uma derrota para o Palácio do Planalto e, especialmente, para Moro, que defende a manutenção do conselho sob a sua alçada.
O texto pode sofrer novas alterações quando passar por votação nos plenários da Câmara e do Senado, e, por isso, a mudança ainda poderá ser revertida.
“A intenção de trazer o Coaf para o Ministério da Justiça foi sempre a intenção de fortalecer o Coaf. Independentemente do que aconteça, vai ser essa a política do governo, sempre fortaçecer o Coaf porque sabe que ele é um órgão estratégico. Hoje, de fato houve uma decisão não muito favorável a essa proposta do governo, mas independentemente do que aconteça, podem ter certeza de que a postura do governo vai ser sempre de fortalecimento desse órgão”, disse Moro durante cerimônia em Brasília.
Segundo o ministro, a visibilidade dada ao Coaf nos últimos meses favorece o órgão e ressalta a importância de se fortalecer a estrutura do conselho. Para Moro, apesar de ser um órgão “relativamente enxuto”, o Coaf traz “grandes resultados” para investigações.
“Eu tenho dito que sem a inteligência financeira, nós não conseguimos enfrentar eficazmente a corrupção, crime organizado e o financiamento do terrorismo. Por isso que o Coaf tem que ser valorizado, por isso que o Coaf tem que ter uma estrutura compatível com essa tarefa”, concluiu Moro.