Para agradar EUA, México vai deslocar milhares de guardas à fronteira com a Guatemala


Governo mexicano tenta evitar que Donald Trump comece a aplicar tarifas às importações do país vizinho. Boa parte do fluxo de imigrantes ilegais nos EUA sai de países centro-americanos. Soldados da Guarda Nacional do México em Tapachula, cidade próxima à fronteira com a Guatemala
Jose Torres/Arquivo/Reuters
O México vai deslocar 6 mil integrantes da guarda nacional à fronteira do país com a Guatemala, informou o ministro de Relações Exteriores mexicano, Marcelo Ebrard, nesta quinta-feira (6).
Com a medida, o governo mexicano espera conter o fluxo de migrantes que saem da América Central rumo aos Estados Unidos. Por causa do aumento na imigração ilegal e pedidos de asilo, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a taxação gradual de produtos mexicanos importados.
Marcelo Ebrard, ministro de Relações Exteriores do México, dá entrevista após outro dia de reuniões em Washington com o governo dos EUA
Leah Millis/Reuters
Ebrard está em Washington para uma série de negociações com integrantes da Casa Branca para tentar reverter a medida. Afinal, Trump disse estar disposto a cancelar a aplicação das tarifas caso o México interrompa ou diminua consideravelmente o fluxo migratório rumo aos EUA.
Na quarta-feira, o presidente norte-americano afirmou que o primeiro dia de reuniões trouxe avanços, mas que não foram “nem perto do suficiente” para resolver o problema migratório.
Taxação gradual ao México
Bandeiras americanas em um muro privado na fronteira entre Estados Unidos e México em Ciudad Juárez.
Jose Luis Gonzalez/Reuters
Na semana passada, Trump anunciou a taxação gradual de todos os bens importados do México a partir desta segunda-feira (10), com uma tarifa de 5%. Caso o México diminua consideravelmente ou interrompa o fluxo de migrantes rumo aos EUA, disse o presidente norte-americano, a medida será suspensa. Veja o calendário:
Taxação de 5% a partir de 10 de junho;
10% a partir de 1º de julho;
15% a partir de 1º de agosto;
20% a partir de 1º de setembro;
25% a partir de 1º de outubro;
Permanecer em 25% indefinidamente.
A medida recebeu críticas inclusive de correligionários de Trump. O líder da maioria no Senado – onde os aliados do presidente são maioria –, Mitch McConnell, disse que não há muito respaldo às tarifas entre os republicanos.
Trump, então, alertou os republicanos no Congresso a não bloquearem a iniciativa. “Eu não acho que eles farão isso. Acho que se fizerem, será tolo”, disse.