Paquistão abre escola pública para pessoas trans


População trans no Paquistão, país com forte influência islâmica, vive estigma, mas há sinais de abertura. Alunas trans participam de aula em escola de Multan, no Paquistão, nesta quinta (8)
Shahid Saeed Mirza/AFP
O Paquistão abriu sua primeira escola com fundos públicos para mulheres transexuais, que muitas vezes são condenadas ao esquecimento em instituições de ensino.
As mulheres trans são consideradas um terceiro gênero no sudeste da Ásia e sua comunidade existe há centenas de anos no Paquistão, onde são conhecidas como “Khawaja Sira”.
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Muitas dessas pessoas são rejeitadas por suas famílias ou pela sociedade e precisam ganhar a vida como dançarinas, morando nas ruas ou como trabalhadoras do sexo.
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Murad Raas, ministro da Educação da província de Punjab, onde está localizada a escola, prometeu oferecer “educação para todos” ao anunciar a inauguração da escola nesta semana na cidade de Multán. O centro, cujos professores também serão trans, oferece aulas à tarde e qualificação profissional.
Segundo uma das alunas, uma jovem de 20 anos chamada Baby Doll, a atitude dos professores e funcionários das escolas que frequentou era preocupante.
“Os meninos zombavam de nós e se comportavam mal conosco”, relata.
“Estamos tentando resolver o fracasso escolar entre as pessoas trans”, afirma Hina Chaudhary, funcionária do Ministério da Educação de Punjab, que planeja abrir mais escolas nessa mesma linha.
Estigma e abertura
Jovem estudante trans desce de ônibus antes de ir a escola em Multan, no Paquistão, na quinta (8)
Shahid Saeed Mirza/AFP
A comunidade trans é muito ativa no Paquistão, onde uma escola religiosa islâmica exclusiva para transgêneros foi aberta no início deste ano em Islamabad. No entanto, elas continuam sendo estigmatizadas e atacadas.
Tradicionalmente, as pessoas trans são encarregadas de alguns rituais, como abençoar recém-nascidos ou animar casamentos.
“As pessoas nos veem como uma forma de entretenimento quando saímos. Mas nesta escola, os funcionários são extremamente educados. A diferença entre a vida na escola e a vida fora é que aqui nos sentimos tranquilos”, afirmou Hania Henny, outra estudante.