Pantanal, bioma mais preservado até 2018, perdeu ao menos 10 vezes mais área em 2020 que em 18 anos


Entre 2000 e 2018, IBGE estimou em 2,1 mil km² a área devastada no Pantanal. Já em 2020, pesquisadores estimam a perda de pelo menos 23 mil km² consumidos pelo fogo. Área queimada no pantanal em 2020 supera em 10 vezes o que foi devastado na região entre os anos de 2000 e 2018
Chico Ribeiro/ Governo de MS
Os incêndios que atingem o Pantanal já consumiram, pelo menos, dez vezes mais área de vegetação que em 18 anos de devastamento. É o que indicam dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o levantamento, entre 2000 e 2018, o Pantanal perdeu cerca de 2,1 mil km² de área nativa. Já em 2020, conforme os dados mais recentes divulgados por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal (INPP) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o bioma já viu cerca de 23 mil km² serem consumidos pelas chamas.
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Até 2018, o Pantanal era o bioma mais preservado no país. A área devastada no período analisado pelo IBGE correspondeu a apenas 1,6% de sua vegetação nativa. Já a área devastada pelos incêndios em 2020 já representa aproximadamente 17,4% da vegetação remanescente dois anos antes, estimada pelo IBGE em cerca de 133 mil km².
O Pantanal é uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta e é protegido internacionalmente pela Convenção de Ramsar, do qual o Brasil é signatário. Ele foi o bioma mais preservado no período analisado pelo IBGE.
Segundo o levantamento, a área úmida do bioma se manteve estável ao longo do tempo, “mas suas transformações são dinâmicas”. De toda a área perdida nos 18 anos de análise, 59,9% foi convertida em pastagens.
O IBGE destacou que, embora tenha sido o bioma mais preservado entre 2000 e 2018, o Pantanal foi o que sofreu as alterações as mais intensas mudanças de sua vegetação, seguido pelo Pampa.
Embora tenha sido o bioma mais preservado entre 2000 e 2018, o Pantanal é o que sofreu alterações mais severas segundo o IBGE
Reprodução/IBGE