Pantanal bate recorde histórico de número de queimadas em setembro desde início das medições do Inpe, com mais de 14 mil focos em um mês


Focos de fogo aumentaram mais de 120% em setembro de 2020 quando comparado com o do ano passado. Segundo UFRJ, 26% de todo o bioma pantaneiro já foi consumido pelas chamas este ano. Incêndio no Pantanal
JN
O Pantanal teve o setembro com o maior número de queimadas desde o início do monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no bioma, em 2002. Foram 14.264 focos de calor detectados de 1º a 30 de setembro, mais de 120% maior que o mesmo mês no ano passado.
De janeiro a setembro de 2020, o bioma pantaneiro teve 32.910 focos de queimadas. No mesmo período no ano passado, foram 6.476 focos de queimadas.
Segundo o boletim semanal de queimadas no Pantanal realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 26% de todo o bioma já foi consumido pelo fogo de janeiro a setembro.
Os meses anteriores também foram de recordes de fogo na região. Em agosto, o Pantanal brasileiro, que abrange os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, registrou 5.935 focos de queimadas, o segundo agosto com o maior número de queimadas.
Já julho, mês que marca o início da temporada de queimadas no bioma, que vai até setembro, foi o julho com mais focos de incêndio em mais de 30 anos.
Felipe Augusto Dias, diretor-executivo da ONG SOS Pantanal, em Campo Grande, afirmou ao G1 no mês passado que “ações humanas” são a origem dos focos de incêndio. Ele disse que a equipe do Prevfogo, do Ibama, que trabalha para apagar as queimadas na região, credita 99% do fogo ação humana.
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“A gente não pode afirmar que é algo criminoso, mas que tem origem humana, tem. Você faz uma fogueira para queimar resíduos de folhas. Se você não cuidar, e mesmo cuidando, o vento pode levar uma fagulha longe e essa fagulha rapidamente faz um grande incêndio”, diz.
Fotógrafo Araquém Alcântara registra fuga de animais durante as queimadas no Pantanal.
Araquém Alcântara/Divulgação
Com menor área inundada do bioma, que é a maior planície alagada do mundo, há mais área para servir de “combustível” para o fogo. O vento, combinado com o tempo seco, contribui para o alastramento dos incêndios.
“O Pantanal é uma região que, não tendo água que venha de fora dele, da parte alta do planalto, ele não inunda. Os índices de chuva na planície são baixos – a maior parte da água vem de fora da planície. Tem níveis ali no centro da planície que chegam a níveis de precipitação do semiárido”, explica Dias.
Nesta época do ano, a região vive o seu o período seco, mas, mesmo em janeiro, na estação úmida, choveu pouco. E as chuvas, por terem sido mal distribuídas ao longo do mês, também prejudicaram o bioma, porque a água que vinha após os longos períodos de seca não era suficiente para encharcar o solo.
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Fumaça de incêndio é vista perto do rio Cuiabá, em Poconé, Mato Grosso, no dia 28 de agosto.
Amanda Perobelli/Reuters
Brasil em chamas em 2020
Os estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas são os que mais queimaram a floresta durante todo o ano de 2020.
Depois da Amazônia, a região com maior número de focos de incêndio foi o Cerrado, com 10.155 focos de incêndios. A Mata Atlântica teve 4.079 pontos; a Caatinga, 838; e o Pampa, 380.
Somente em agosto, dados do Inpe também mostram que os pontos de queimada registrados foram mais da metade do total de 2020.
Decreto
Decreto federal proíbe uso de fogo na Amazônia por 120 dias
As queimadas no Pantanal e na Amazônia continuam mesmo depois de um decreto do Ministério do Meio Ambiente (MMA) publicado no dia 16 de julho (e que começou a valer na mesma data), que suspendeu por 120 dias o uso de fogo em ambos os biomas.
O texto diz que a proibição se aplica “no território nacional”, apesar de determinar que “ficam autorizadas as queimas controladas em áreas não localizadas na Amazônia Legal e no Pantanal, quando imprescindíveis à realização de práticas agrícolas, desde que autorizadas previamente pelo órgão ambiental estadual”.
Em 2 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo brasileiro busca “desfazer opiniões distorcidas” sobre a atuação do Brasil na proteção da floresta amazônica e dos povos indígenas. Ele disse ainda que o governo tenta mostrar as ações que vem adotando nessas áreas.
Bolsonaro deu a declaração durante reunião de cúpula dos chefes de Estado do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), realizada por videoconferência em razão da pandemia do novo coronavírus.
“Nosso governo dará prosseguimento ao diálogo com diferentes interlocutores para desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil e expor a preservação, as ações que temos tomado em favor da proteção da floresta amazônica e do bem-estar das populações indígenas”, disse Bolsonaro.
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