Pai ensina filho e amigos de escola a construírem robôs dentro da garagem de casa em Batatais, SP


Crianças fizeram robô que simula resgate de vítimas de desastres e maquetes com alertas de deslizamento de terra e cabeça d’água. Grupo ganhou prêmio em olimpíada de robótica. Pai ensina robótica ao filho e aos amigos em laboratório improvisado dentro da garagem de casa em Batatais (SP)
Pedro Martins/G1
Em um laboratório improvisado dentro da garagem de casa, o professor de ciências Carlos Renato da Silva, de Batatais (SP), ensina o filho e as crianças da vizinhança a construírem robôs e maquetes que fazem simulação de alertas para desastres naturais.
“O projeto começou com meu filho. Os pais reclamam que as crianças ficam só no celular, no videogame, e meu filho não é diferente, só que comecei a incentivá-lo a usar essa tecnologia como ferramenta. Isso chamou atenção dos amigos dele, aí criamos um grupo”, diz o professor.
Com recicláveis e eletrônicos retirados do lixo, os inventores mirins, com idade entre 7 a 14 anos, propõem soluções para problemas do dia a dia, como um robô que simula o resgate de vítimas de deslizamento e rendeu ao grupo um prêmio na última Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR).
Pai ensina filho a construir robôs dentro da garagem de casa em Batatais
Crianças e adolescentes constroem robôs na garagem de casa em Batatais (SP)
Pedro Martins/G1
Maquetes robotizadas
Na última empreitada, antes da pandemia, o grupo construiu maquetes que simulam deslizamentos de terra e cabeças d’água em cachoeiras. A ideia surgiu a partir de notícias que as crianças assistiram na televisão sobre acidentes semelhantes.
Para simular o deslizamento, os meninos usaram uma casinha de isopor fixada a uma calha de alumínio com terra. Eles instalaram um sensor de umidade, que, na presença de água, aciona uma sirene e um giroflex para avisar quem estiver ao redor.
Jovens constroem maquete em Batatais (SP) para fazer alerta sobre risco de deslizamento de terra
Pedro Martins/G1
Já na segunda maquete, a turma usou canos de PVC cortados ao meio e fixados um abaixo do outro em uma placa de madeira. Os canos desaguam em uma caixa de plástico, que simula uma cachoeira, onde estavam os banhistas atingidos pelas cabeças d’água que as crianças viram na TV.
Para fazer o alerta, eles instalaram no primeiro cano do sistema – ou seja, na nascente da cachoeira – um sensor que identifica aumento de volume e velocidade da água, dois fenômenos que costumam dar origem às cabeças d’água. Com isso, a sirene e o giroflex são acionados.
Jovens constroem maquete em Batatais (SP) para fazer alerta sobre risco de cabeça d’água em cachoeiras
Pedro Martins/G1
Cultura ‘maker’
O professor Carlos diz que o objetivo dos projetos do grupo não é criar soluções reais para os problemas, mas fazer as crianças e os adolescentes refletirem sobre o assunto e usarem tecnologias disponíveis na palma da mão, como celular e computador, em prol da ciência.
“Talvez isso já exista ou esteja sendo estudado, só que é uma coisa que partiu deles. Independentemente se é inovador ou não, é uma satisfação para eles”, diz. “Às vezes, uma solução simples, de baixo custo, também pode ser usada em um ambiente real.”
Com materiais desde papelão e isopor até impressora 3D, jovens aprendem robótica na garagem de casa em Batatais (SP)
Pedro Martins/G1
O último robô do grupo percorria um trajeto demarcado em busca de bolinhas de isopor revestidas de papel prateado, que representava pessoas com vida, para colocá-las na carroceria e levá-las de volta a um ponto de segurança. O robô ignorava bolinhas brancas, que representavam as vítimas mortas.
Com o projeto, a turma ganhou o prêmio “Maker” da OBR. O termo é ligado à cultura do “faça você mesmo”, muito presente nos Estados Unidos. Na apresentação, os meninos conseguiram desmontar e remontar o robô do zero em frente aos juízes.
“O ‘maker’ é o fabricante de alguma coisa. Se tem um problema, tenta resolver e não fica esperando. A intenção do projeto é fazê-los discutir algum problema para criar um planejamento e chegar a uma possível solução”, explica Carlos.
Jovem constrói maquete em Batatais (SP) para fazer alerta sobre risco de cabeça d’água em cachoeiras
Pedro Martins/G1
Depois do prêmio na olimpíada, algumas das crianças que fazem parte da equipe, batizada de “O Mundo das Invenções”, decidiram que querem estudar engenharia quando crescerem. A decisão é motivo de orgulho do professor, apesar de não ser o objetivo do projeto.
“Eles são crianças. Lá na frente, quando estiverem na faculdade ou no trabalho e precisarem enfrentar problemas, eles vão se lembrar das aulas e pensar ‘Já tive essa dificuldade quando era criança, então agora é fácil resolver’.”
Pai ensina robótica ao filho e aos amigos em laboratório improvisado dentro da garagem de casa em Batatais (SP)
Pedro Martins/G1
*Sob supervisão de Thaisa Figueiredo
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