Queimados, no RJ, tem seis sedes da Secretaria de Saúde, mas nenhum hospital municipal

Imóveis alugados por R$ 50 mil abrigam estrutura burocrática da prefeitura. Administração informou que há 11 clínicas da família, três unidades básicas de saúde e dois centros especializados. Queimados tem seis sedes da Secretaria de Saúde, mas não tem um hospital público
O Município de Queimados, na Baixada Fluminense, mantém seis imóveis alugados para abrigar a estrutura burocrática da Secretaria de Saúde da cidade. Aparentemente, isso poderia significar que, lá, existe uma ampla rede de assistência ao cidadão. Só que a realidade é outra. Em Queimados não há nenhum hospital municipal. Os impostos pagos por quem vive no município vai para a locação de salas e gabinetes, como mostrou a reportagem do RJ2 nesta terça-feira (10).
A Prefeitura de Queimados alega que há 11 clínicas da famílias, três unidades básicas de saúde e dois centros especializados. No entanto, a ausência de uma emergência que receba pacientes é alvo de reclamações da população local.
“Você vai na Upa [Unidade de Pronto Atendimento], atendimento de quatro cinco horas quando é atendido… Aí, você tem que ir pra Nova Iguaçu… Qualquer outro lugar sem ser Queimados”, explicou o motorista Lauriano.
Além da falta de um hospital, a espera. Alguns pacientes esperam seis meses para serem atendidos por um cardiologista.
“Eu não consigo marcar cardiologista. (…) E pressão alta é urgência, né? Eu sou pobre. A gente se sente diminuído não tem condição de pagar consulta, é caro”, lamentou a faxineira Maria de Nazaré.
A repórter Raquel Honorato foi a uma Clínica da Família de Queimados para pedir informações. Ela questionou como seria possível conseguir uma vaga. Em resposta, ouviu de um funcionário que seria de “uma semana para outra, sempre ambulatorial”.
Depois, é perguntado se há atendimento de emergência. O funcionário informa que “não tem” e não sabe dizer se em outra unidade haveria atendimento. É questionado, então, se seria necessário ir a outra cidade para conseguir ser atendido. “Para outra unidade. Até porque, não fica médico direto aqui”, explica o colaborador.
Sedes custam R$ 50 mil
Apesar de não ter hospital municipal, Queimados gasta R$ 50 mil só com o aluguel de seis sedes. Uma delas fica num galpão alugado em outubro do ano passado por R$ 19 mil. Até o início desse mês, no entanto, quem mora próximo ao local contou que não há ninguém ocupando o espaço.
A equipe de reportagem conseguiu encontrar a secretária de Saúde de Queimados, Lívia Guedes, num dos galpões alugados pelo município. Segundo a gestora, a ideia do município é economizar juntando todas as sedes da pasta num só espaço.
“Nós não viemos na totalidade em novembro porque o relógio daqui funcionava em três fases. A gente foi na Light, eu tenho aqui o protocolo, porque eles precisavam vir trocar o transformador da rua para que a gente viesse na totalidade, né? Que é toda a parte burocrática da Saúde que vai ocupar os três andares do galpão. E eles só vieram aqui em maio”, explicou Guedes.
Em nota, a Light informou que recebeu o 1º pedido de ligação do galpão em 26 de abril. E que o serviço foi liberado em junho porque foi necessário fazer ajustes na rede elétrica.
De acordo com um levantamento da Federação das Indústrias do RJ, Queimados é o 2º pior município da Baixada em índice de assistência básica de saúde. Entre as 90 cidades do RJ, ficou em 78° lugar.