Projeto de equoterapia é encerrado após 15 anos e pacientes ficam sem atendimento em Piracicaba

Convênio entre prefeitura e Esalq encerrou e não será renovado. Administração diz que realiza um pregão para retomar a atividade. Serviço gratuito de equoterapia é suspenso em Piracicaba
O projeto de equoterapia que funcionava na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) não foi renovado pela Prefeitura de Piracicaba (SP). Com isso, crianças portadoras de deficiência deixaram de ser atendidas a partir desta semana. A Secretaria Municipal de Saúde afirma que é obrigada por lei a abrir concorrência para oferecer o serviço. Segundo a pasta, a licitação está em andamento.
O projeto da Esalq alcançou 15 anos em agosto e, como a universidade é pública, não poderá disputar a concorrência aberta pela prefeitura. O convênio entre a administração municipal e a Esalq acaba em julho.
“A fundação que gerencia tudo isso não tem os profissionais. Nós contratamos os profissionais para prestação de serviço, então tanto a Esalq quanto a Fealc estão inelegíveis a participar de alguma licitação”, diz o coordenador do projeto na Esalq, Cláudio Addad.
O projeto oferecia tratamento terapêutico e educacional complementar que utiliza o cavalo como instrumento de reabilitação de pessoas portadoras de deficiência física ou mental. Como ocorre ao ar livre, ela pode acelerar a evolução do tratamento das crianças.
Além disso, os movimentos proporcionados pelo cavalo estimulam a reação de equilíbrio e garatem condições para facilitar e desenvolver a coordenação motora.
Sem aviso
A dona de casa Ivanilde Nalin é mãe da Isabeli, que teve paralisia cerebral e frequenta a equoterapia da Esalq há três anos. “Na segunda a gente foi normal. Na terça-feira ela ligou para fim falando que tinha uma notícia ruim que a prefeitura tinha contrato o convênio com a equoterapia e todos os profissionais tinham sido despedidos”, conta a mulher.
Segundo ela, apesar de todas as melhoras que filha mostrou com o tratamento, a família não tem dinheiro para pagar a equoterapia particular. Com isso, a menina terá que parar de frequentar as atividades. “Ela vai parar de fazer mesmo. Eu não vou nem atrás porque não tenho condição de pagar”, lamenta a mãe.
Na Esalq, o projeto reunia fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogico e voluntários de graduação e pós-graduação. A prefeitura repassava R$ 200 mil por ano para pagamento dos profissionais, enquanto a universidade oferecia o espaço, os animais e alunos voluntários.
Licitação
A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde informou que existem empresas que fazem a equoterapia em Piracicaba e por isso é obrigada a abrir a licitação, que se dará em forma de pregão presencial.
A previsão da pasta é que até o final de julho deste ano deve ser escolhida a empresa para atendimento das pessoas que frequentavam a terapia na Esalq.
Já a Esalq comunicou que busca parcerias para retomar a terapia mesmo sem o convênio com a administração municipal.
Interrupção pode causar regressão
A fisioterapeuta coordenadora de um centro de equoterapia de Jaguariúna, considerado referência nacional, afirma que o paciente pode regredir com a interrupção do tratamento.
“Dependendo da fase que o paciente estiver, a perda vai acontecer porque os estímulos sensoriais, os estímulos de equilíbrio que o cavalo oferece isso não vai ser conseguido em outro ambiente”, diz a coordenadora Maryanne Soares Reis.
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