Ficha Limpa: após ser derrubado por vereadores de Jaru, projeto deve entrar em votação novamente


Caso seja derrubado outra vez, serão coletadas assinaturas para apresentação de projeto lei de iniciativa popular. Procurados pelo G1, os vereadores se negaram a falar sobre o assunto. Vereadores de Jaru derrubam projeto Ficha Limpa
Câmara Municipal de Jaru/Divulgação
Após o projeto de lei nº 2344/2017, também conhecido como lei da Ficha Limpa, que proíbe a contratação de pessoas condenadas por corrupção, ser rejeitado pela maioria na Câmara dos Vereadores de Jaru (RO) durante sessão realizada no dia 2 abril, representantes de entidades locais enviaram na última semana um documento aos parlamentares solicitando que o projeto seja colocado em votação novamente. Os vereadores têm o prazo de 15 dias para cumprirem o pedido.
Caso seja derrubado outra vez, serão coletadas assinaturas para apresentação de um projeto lei de iniciativa popular com objetivo de impedir que condenados por corrupção assumam cargos na esfera municipal.
O documento foi enviado por representantes do Ministério Público (MP/RO), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Jaru, da Associação Comercial e Industrial de Jaru (ACIJ) e da imprensa local.
Pelo menos oito vereadores precisam assinar o pedido para que o projeto lei entre na pauta de votação ainda este ano
Foto: MP em Jaru/Divulgação
Para o promotor de justiça Fábio Rodrigo Casaril, a rejeição do projeto causou surpresa ao MP, por se tratar de uma lei que já foi implantada em quase todo o Brasil. “Se houve rejeição por causa de dúvidas, eles poderiam ter sanado essas dúvidas com o departamento jurídico ou aqui no Ministério Público, mas nunca fui procurado por nenhum vereador. O objetivo do projeto lei apresentado é a proibição de pessoas que já foram condenadas por corrupção, que já deram problemas na administração pública, que já desviaram dinheiro, que já mostraram que não têm caráter correto para gerir a coisa pública, de trabalharem em algum órgão público”, explicou o promotor.
A OAB, por meio do presidente Indiano Pedroso Gonçalves, declarou ser necessário que pelo menos oito vereadores assinem o pedido para o projeto lei entrar na pauta de votação ainda este ano. “Outra forma é o projeto ser apresentado através de iniciativa popular, colhendo um número de pelo menos duas mil assinaturas e o projeto sofrendo algumas alterações”, pontuou o presidente.
A transparência nas ações públicas é uma das reinvindicações da Associação Comercial e Industrial de Jaru (ACIJ), Ednilson Oliveira, presidente da ACIJ, que disse que a ação dos parlamentares dificulta a busca de novos investidores para o município. “Eu acho um absurdo, tem alguma coisa errada que precisa ser discutida. Vamos discutir, vamos colocar os contra-argumentos, o que tem que melhorar”, comentou.
Procurados pelo G1, os vereadores se negaram a falar sobre o assunto.
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Indígena defende dissertação de mestrado sobre povo Paiter Suruí dentro de aldeia em Cacoal, RO


Defesa foi realizada na aldeia indígena Wagopakoh. Gamalonô é o primeiro indígena da Região Norte a concluir a pós-graduação baseada na educação e cultura do povo Paiter Suruí. Gamalonô aprensentou a dissertação dentro da aldeia
Rede Amazônica/ Reprodução
Um professor de Cacoal (RO), município a 480 quilômetros de Porto Velho, defendeu nesta semana a dissertação de mestrado na área da educação, se tornando o primeiro indígena da Região Norte a concluir a pós-graduação baseada na educação e cultura do povo Paiter Suruí. A defesa foi realizada dentro da aldeia indígena Wagopakoh, na terra indígena 7 de Setembro. Gamalonô Suruí teve amigos, familiares e alunos na plateia acompanhando a apresentação.
Gamalonô é professor há 15 anos. Ele se formou em Letras pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), no campus de Ji-Paraná (RO). Após começar a lecionar, passou a sonhar em ampliar seus conhecimentos, e foi aceito no programa de mestrado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
“A minha linha de pesquisa foi voltada para a educação indígena, com o tema: Educação escolar indígena por meio de projetos. Escolhi esse tema pois sou professor estadual e trabalho com a cultura do meu povo e língua materna Paiter. Como esses temas caminham juntos, no meu trabalho eu abordei a linguagem, a cultura e toda a memória do povo Suruí”, explicou Gamalonô.
Gamalonô foi o primeiro indígena da região a realizar dissertação de mestrado sobre a etnia Paiter
Rede Amazônica/ Reprodução
A defesa da dissertação foi feita na língua materna, o Paiter. Para concluir o trabalho, Gamalonô se dedicou 1 ano e 8 meses na elaboração da pesquisa, o que lhe garantiu o título não só de mestre, mas também o de primeiro indígena da Região Norte a defender uma dissertação de mestrado voltada para a educação e cultura indígena do Povo Paiter.
“Eu sou o primeiro professor indígena da etnia Paiter que defendeu um trabalho dentro da cultura do povo. Hoje nós temos escolas dentro das comunidades indígenas e isso é muito importante, mas nós professores indígenas temos que saber atuar, pois ela [a educação] pode ser uma arma, ou funcionar como um resgate da nossa cultura”, contou o mestre, emocionado.
Para realizar a pesquisa, o indígena contou com a orientação do professor Roberto Linhares Matos, que viajou do Rio de Janeiro para o interior de Rondônia para ajudar compor a banca. Segundo o professor, as experiências obtidas com o mestrado servirão para que Gamalonô mostre a importância da valorização da cultura durante as aulas.
“O trabalho do Gamalonô teve um diferencial, pois foi feito por um indígena focando na própria cultura. Esse tema foi idealizado por ele. Agora ele vai utilizar essa pesquisa nas atividades dele em sala de aula, na valorização da cultura, etnia e educação escolar indígena”, disse o orientador.
A ideia de Gamalonô agora é dar continuidade aos estudos, com o doutorado, aprofundando a pesquisa que iniciou com o mestrado.
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