Teresina Inspira Pintura: artistas retratam a realidade abstrata de uma cidade cheia de cor


Para o aniversário da capital do Piauí, o G1 reuniu histórias de artistas que moram na cidade e se inspiram para a produção dos seus trabalhos. Artistas retratam a realidade abstrata de uma cidade cheia de cor
Arquivo pessoal/Jader Damasceno
Em comemoração ao aniversário de 166 anos da capital do Piauí, nesta quinta-feira (16), o especial Teresina Inspira reúne histórias de pessoas que produzem arte na cidade, como a pintura. O G1 conta a história de dois artistas que retratam a realidade abstrata de uma cidade cheia de cor.
Jader Damasceno se identifica como artista visual, porque não produz apenas pintura, mas cria também através da moda, das esculturas e por meios digitais. Um ponto em comum entre suas criações é a inspiração vinda da cidade, da cultura popular presente no local onde vive: Teresina. Recentemente, em exposição na capital piauiense, ele apresentou uma de suas telas contendo a sua versão para a personagem da lenda da “Num-se-pode”.
“Tudo em Teresina me inspira um pouco”
“Aqui existem muitas pessoas encantadoras que me inspiram a criar e que também criam. O patrimônio de Teresina, a parte histórica, o bruto, as cidades periféricas, porque Teresina tem muitas Teresinas e eu gosto muito de onde se produz cultura na raiz, no imaginário, na necessidade, como o polo cerâmico, onde se produz cultura em essência. Tem as periferias que produzem música de qualidade, com artistas incríveis, um material muito bom”, contou o artista.
A primeira lembrança de Jader pintando, ainda de forma bastante amadora, vem dos seus 9 anos de idade, quando ainda morava na cidade de Oeiras. Ele revela que o estímulo natural veio da mãe e das tias, professoras na escola onde ele estudava quando criança e que o influenciaram em vários âmbitos.
Jader Damasceno se identifica como artista visual
Arquivo pessoal/Jader Damasceno
“Todo mundo trabalhava com algum segmento, como a madeira, pintura, bordado, costura. Eu cresci nesse meio e floresceu o lado artístico e eu entendi que das artes plásticas, a pintura tinha mais proximidade”, disse.
Aos poucos o trabalho foi se tornando mais consistente. Com 14 anos, Jader já pintava sob encomenda. Entre 2009 e 2014, teve que diminuir a frequência da produção, enquanto concluía o curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Piauí.
Atualmente, expõe seus trabalhos eventualmente em exposições e galerias, mas admite que não é fácil “viver de arte” e avalia que Teresina ainda possui um público que é pouco consumidor das produções artísticas.
“Não sei se quero ser uma estrela pop das artes plásticas. Eu produzo porque amo. Vai muito além da venda, do comercial, é minha essência enquanto ser”
“Fazer arte não só é difícil, mas é uma guerra. Porque tem o mercado de arte que é muito complicado, com o agravante que em Teresina não há formação nem de público para absorver a arte e nem de artistas. Há poucas escolas de arte, poucas galerias, e os museus são estáticos, não têm processo cultural. A gente hoje entende que um museu tem que ser vivo, não é só deixar a tela lá parada”.
Dentre os momentos que considera de maior satisfação, está a resposta do público diante de suas telas. Ele diz que gosta de saber que sensações o seu traço e suas cores quentes provocaram em quem viu sua arte.
Atualmente, Jader expõe seus trabalhos eventualmente em exposições e galerias
Arquivo pessoal/Jader Damasceno
Para o futuro, Jader pretende ingressar em um mestrado com um trabalho voltado para sensibilizar mais o meio acadêmico diante da produção artística. A palavra de ordem é “ocupação de espaços”.
“Quero ocupar todos os espaços. De militância, do corpo, de arte, quero levar o discurso da arte através do meu corpo. Corpos imóveis, parados, são objetos mortos. Eu não quero trabalhar na carcaça do tempo. Quero fazer meu corpo e meu trabalho se mover”, disse ele.
Arte marcada na pele
Admiradores da arte de Jéssica Gomes tatuaram algumas das suas criações
Arquivo pessoal/Jéssica Gomes
Para a artista Jéssica Gomes, é o sol da capital piauiense que serve de principal inspiração.
“Sou apaixonada pelas cores do céu da cidade”
“O que eu mais adoro de Teresina é ver o por do sol, sou apaixonada pelas cores do céu da cidade, como a luz do sol reflete, na luz e sombra que dão as arvores, além do clima, pois adoro trabalhar com cores quentes. Também gosto de me inspirar e ver os outros artistas maravilhosos que pude conhecer aqui, há uma grande diversidade na produção de cada um, é lindo e inspirador”, contou a artista.
Sol da capital piauiense que serve de principal inspiração para a artista
Arquivo pessoal/Jéssica Gomes
O envolvimento com a arte teve início há cerca de dois anos e ela diz que surgiu da genuína necessidade de expressão.
“Ilustrar e trabalhos manuais em geral são minha terapia, é quando eu começo a colocar meus pensamentos em ordem e meus sentimentos em imagens. Sempre digo que às vezes a arte é o meu meio de comunicação, vai muito sentimento e amor neles”, explicou.
Artista acha importante retratar a mulher negra
Arquivo pessoal/Jéssica Gomes
Esse sentimento já tocou muitos admiradores dos trabalhos da artista, que tatuaram algumas das suas criações. “É muito gratificante poder ver algo meu, feito com tanto carinho, na pele de alguém.
“Amo ver como os meus desenhos ganham interpretações que eu nunca pensei na mente do outro”.
Em suas criações, a nudez feminina é tratada com delicadeza e é constante a presença das cores quentes também na pele das mulheres. Jéssica leva os tons de rosa, vermelho e laranja do céu para os corpos e rostos femininos. Ela fala da importância de retratar a mulher negra e do espaço que elas têm na cena artística.
“Eu acredito que ainda haja pouca visibilidade das mulheres no âmbito artístico de Teresina, principalmente para as mulheres negras. Mas acredito também que é algo que esteja mudando. Adoro conhecer, a cada dia, mais uma artista diferente aqui da cidade, e fico feliz de poder estar participando desse meio com elas”, contou.

Mineradora de Belo Horizonte anuncia demissões após paralisação de atividades


Segundo a Semad, a Empabra não cumpriu com obrigações de preservação do meio ambiente. Mineradora operava na Região Leste da cidade. Mineradora Empabra teve atividades paralisadas por infrações ambientais.
Reprodução/TV Globo
Cerca de 90% dos funcionários da Empresa de Mineração Pau Branco (Empabra) foram demitidos após a paralisação das atividades no bairro Taquaril, na Região Leste de Belo Horizonte, determinada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad).
A mineradora não cumpriu quatro determinações do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2017 por meio da Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) Central Metropolitana.
A paralisação das atividades minerárias da Empabra pela Secretaria de Estado de Meio Ainda de acordo com a Semad, a Empabra não atendeu três obrigações socioeconômicas e uma relacionada à instalação de sistema de limpeza de rodas de caminhões usados no transporte de minério.
Dados do projeto de recuperação ambiental da área apresentados pela mineradora à Semad e à Prefeitura de Belo Horizonte estariam divergentes. A Empabra informou ao estado uma quantidade de extração de minério quatro vezes maior que o informado ao município o que equivale a 425 piscinas olímpicas a mais.
A empresa tem cerca de 250 empregados.