Iza se aclimata no universo musical de Gilberto Gil em live com o cantor


‘Upa neguinho’, sucesso de Elis Regina, foi a surpresa do roteiro calcado na obra plural do compositor baiano. Resenha de live
Título: As canções de Gilberto Gil por Iza e Gil
Artistas: Gilberto Gil e Iza
Data: 20 de junho de 2020, das 20h às 21h
Cotação solidária: * * * * *
♪ Com a naturalidade de quem nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Iza puxou o samba Aquele abraço, composto e lançado por Gilberto Gil no início de 1969, antes de partir para o exílio na Europa. Ao lado da cantora, protagonizando live feita em sítio situado em Araras (RJ), na região serrana do Rio de Janeiro, estava o próprio Gil, ao violão, e também no canto, além de um percussionista.
Transmitida na noite de sábado, 20 de junho, a live beneficente As canções de Gilberto Gil por Iza e Gil já evidenciou no título a opção por centrar o roteiro no cancioneiro plural do compositor baiano. À vontade, mesmo atenuando a força da voz para se aclimatar no tom aconchegante da transmissão veiculada pelo canal de TV Multishow e por outras plataformas de vídeo, Iza entrou em sintonia com o universo rítmico da obra de Gil.
Nesse tom mais acolhedor, na contramão da exuberância pop de álbuns como Dona de mim (2018), a cantora carioca evidenciou a ternura da canção Drão (1982) – número feito com solo vocal de Iza – e se beneficiou da intimidade com o reggae para harmonizar o canto com o de Gil em músicas como A novidade (1986), parceria do compositor com os integrantes do trio Paralamas do Sucesso.
Gênero musical recorrente no roteiro, o reggae pautou a cadência de Three little birds (Bob Marley, 1977), Não chore mais (No woman, no cry) (Vincent Ford, 1974, em versão de Gilberto Gil, 1979) – número bilíngue em que Iza também cantou a letra em inglês do reggae vertido por Gil para o português nos anos 1970 – e Vamos fugir (Gilberto Gil e Liminha, 1984).
Sucesso das festas juninas, Esperando na janela (Targino Gondim, Manuca Almeida e Raimundinho do Acordeom, 2000) também marcou presença no roteiro com vivacidade que se contrapôs à interiorização com que Gil cantou Se eu quiser falar com Deus (1980) em feitio de oração.
Músicas conhecidas como Andar com fé (1982), Esotérico (1976), Tempo rei (1984) e Palco (1981) contribuíram para que a live de uma hora de duração fluísse bem, com leveza, quase sempre na mesma temperatura.
Única surpresa do roteiro, por ser música dissociada do repertório de Gil, Upa neguinho (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, 1965) simbolizou na live a lembrança da luta do povo negro pela conquista da liberdade e de efetiva igualdade social. Luta na qual Gilberto Gil e Iza estão engajados e irmanados, mesmo distanciados por gerações no universo pop brasileiro.

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Fernanda Takai volta a transitar pela canção popular ao reviver hit de Paulo Sérgio há 50 anos


A regravação de ‘Não creio em mais nada’ está no quarto álbum solo de estúdio da cantora, ‘Será que você vai acreditar?’, programado para julho. ♪ Morto há 40 anos, o cantor e compositor capixaba Paulo Sérgio (1944 – 1980) deixou discografia cultuada por legiões de seguidores que prezam a memória deste artista associado ao cancioneiro rotulado como cafona pelas elites culturais do universo pop brasileiro.
Alheios a esses rótulos, esses fãs fiéis sabem que, em 1970, Paulo Sérgio deu voz a uma canção desesperançada de autoria de compositor identificado somente como Totó. A canção Não creio em mais nada foi apresentada como a terceira das 12 faixas do quarto álbum do cantor, Paulo Sérgio volume 4.
Revivida pela cantora Letrux no roteiro do show Letrux em noite de climão (2017 / 2019), Não creio em mais nada ganha registro fonográfico de Fernanda Takai 50 anos após a gravação original de Paulo Sérgio no LP de 1970.
Revelada na sexta-feira, 19 de junho, a regravação de Não creio em mais nada por Takai é o terceiro single do quarto álbum solo de estúdio da vocalista do grupo Pato Fu, Será que você vai acreditar?, produzido por John Ulhoa e programado para ser lançado em julho pela gravadora Deck.
Capa do single ‘Não creio em mais nada’, de Fernanda Takai
Divulgação
Os dois singles anteriores do álbum, Terra plana (John Ulhoa) e Não esqueça (Nico Nicolaiewsky), soaram (bem) mais sedutores e surpreendentes do que a abordagem de Não creio em mais nada por Takai.
Ainda assim, a regravação de Não creio em mais nada reitera a habilidade de Fernanda Takai para incursionar por cancioneiro de cepa mais popular com certo frescor, sem inventar moda para descaracterizar as melodias, mas tampouco com subserviência à estética original desse repertório.
Cabe lembrar que, em discos anteriores, próprios ou alheios, a cantora já deu voz a músicas como Mon amour, meu bem, ma femme (Cleide, 1972), Você já me esqueceu (Fred Jorge, 1972), Como dizia o mestre (Benito Di Paula, 1975) e Fui eu (José Augusto, 1988).
Já pronto, o álbum Será que você vai acreditar? foi gravado por Fernanda Takai no estúdio mantido pela cantora com o marido John Ulhoa na casa em que os artistas vivem em Belo Horizonte (MG).

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