“Fui enganado”, diz juiz que deu ganho de causa a grupo de MS que aplicou golpe milionário em aposentado


Juiz que só foi comunicado sobre documentos falsos usados pela quadrilha depois de determinar a liberação do dinheiro, mas oficio revela que ele foi comunicado antes.
Advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva foi presa nesta segunda-feira (30) por suspeita de envolvimento em golpe milionário em MS
Allysson Maruyama/TV Morena
O juiz Paulo Afonso de Oliveira foi quem deu ganhou de causa ao grupo que aplicou um golpe milionário em um aposentado do Rio de Janeiro. Ele afirma ter sido enganado e que a defesa da vítima perdeu prazos para recorrer. O magistrado também alega que só foi comunicado sobre os documentos falsos utilizados pela quadrilha depois que já tinha dado a decisão de liberar mais de R$ 5 milhões aos suspeitos.
A liberação do dinheiro ocorreu no dia 19 de junho, como mostra a decisão apresentada pelo próprio juiz. Só que no dia 9 de maio, 40 dias antes, o desembargador Júlio Roberto Siqueira Neto, concedeu efeito suspensivo. Na decisão ele menciona a suspeita de fraude no documento e ordena comunicar com urgência o juiz de primeiro grau.
Um outro oficio revela que o magistrado foi comunicado apenas dois dias depois, no dia 11 de maio.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu uma investigação para apurar a conduta do juiz Paulo Afonso de Oliveira. O processo está na Corregedoria do órgão e corre em segredo de Justiça. Ainda não há prazo para o julgamento.
Nessa investigação do golpe milionário já foram presas quatro pessoas. São três homens que tentaram transferir parte do dinheiro usando documentos falsos e a advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, mulher de outro magistrado, Aldo Ferreira da Silva Júnior, da 5ª Vara de Família e Sucessões.
Ela é apontada pela polícia como articuladora do esquema. Segundo depoimento dos outros suspeitos, ela criou uma pessoa fictícia como sendo credora do aposentado, que mora no Rio de Janeiro, na venda de uma fazenda.
A advogada, então, entrou com um processo de execução em Campo Grande e conseguiu a liberação de cerca de R$ 5 milhões, depositado em uma conta do escritório dela.
A vítima procurou a polícia que alertou a Justiça sobre documentos falsos usados no processo: uma confissão de dívida e notas promissórias.
Ela responde inquérito por estelionato e formação de quadrilha e foi presa nesta segunda-feira (30), em Campo Grande.
No dia 6 de julho, o juiz Paulo Afonso de Oliveira, que julgou o processo, determinou a devolução imediata do dinheiro retirado da vítima. Mas até agora a advogada devolveu só uma parte, cerca de R$ 2 milhões. A Justiça também determinou o bloqueio de bens da advogada.
Relembre o caso
A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) abriu um procedimento administrativo pela suspeita de envolvimento da advogada com o golpe contra o aposentado. Um grupo de Campo Grande teria conseguido roubar dinheiro da vítima com a venda fictícia de uma fazenda.
Emmanuele aparece no processo como advogada do falso dono da fazenda. Ela pegou quase R$ 4 milhões, sob a justificativa de recebimento de honorário.
José Geraldo, que usava um RG falso, se passando por vendedor da propriedade e outros dois homens foram presos em flagrante tentando fazer a transferência de mais um R$ 1,8 milhão, com uma procuração falsa.
O grupo conseguiu ter acesso ao dinheiro do aposentado Salvador José Monteiro de Barros, do Rio de Janeiro, pela Justiça.

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