No AP, professores de escola protestam por segurança e suspendem aulas após assalto


No dia 26 de março, cinco bandidos armados invadiram uma sala de aula e fizeram um arrastão na Escola Fortaleza, em Santana. Seed informou que vai solicitar reforço da PM. No Amapá, professores, pais e alunos da Escola Estadual Fortaleza protestam por segurança
Rita Torrinha/G1
Professores, pais e alunos da Escola Estadual Fortaleza, em Santana, a 17 quilômetros de Macapá, decidiram fazer um protesto na sexta-feira (6) para pedir providências do poder público quanto a segurança da instituição, após invasão de homens armados com facas e revólveres. As aulas estão suspensas desde o dia 26 de março, quando houve o arrastão.
A manifestação ocorreu dentro da própria escola. Com cartazes nas mãos, eles pediram ajuda e avisaram que só retornam aos serviços após conseguirem falar com os gestores da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Sobre o caso, o órgão informou que vai mandar aumentar a altura do muro e solicitar o apoio da Polícia Militar.
Cinco homens pularam o muro de trás da escola e, armados, fizeram um arrastão em uma das salas da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A professora que estava ministrando a aula preferiu não ser identificada, mas contou que os bandidos agiram com violência. Eles apontaram a arma para a cabeça dela, deram coronhadas e fizeram a filha de uma aluna refém, uma criança de 1 ano e 4 meses.
“Senti quando ele bateu na minha cabeça com a arma. Gritaram que era assalto e correram para roubar tudo dos alunos e o que eu tinha. Outro homem do lado de fora ameaçava atirar. Mas me desesperei quando a mãe da criança gritou pedindo para não machucarem a filha dela. Fiquei estática. Estou muito traumatizada e não tenho condições de voltar para a escola. Não consigo mais nem dirigir”, contou a professora.
A educadora, que tem 40 anos e há 10 trabalha na instituição, diz que após o ocorrido foi feito o boletim de ocorrência, a PM e a Polícia Civil estiveram na escola, mas o policiamento escolar, segundo ela, não apareceu, embora tenha sido chamado.
Suzana Barbosa viveu momentos de terror com a filha feita refém e uma arma apontada para a cabeça
Rita Torrinha/G1
A criança que foi feita refém é filha da aluna Suzana Barbosa, de 18 anos. Ela leva a menina para o colégio porque não tem com quem a deixar e precisa concluir os estudos. Suzana relatou o momento de pânico pelo qual passou.
“Colocaram a faca no pescoço dela e o revólver na minha cabeça. Eu gritei pedindo que eles levassem o meu celular e soltassem minha filha, mas só a soltaram quando terminaram de levar tudo”, contou, descrevendo, em seguida, os momentos de terror.
“Foi horrível. Minha filha correndo risco de vida e eu sem poder fazer nada. Não consigo mais voltar para a escola. Desde aquele dia a minha filha parece que ficou assustada com tudo, porque eles gritavam muito. Minha mãe não tem condição de ficar com ela, por isso a trago, mas precisamos de segurança”, ressaltou.
Protestar e paralisar os trabalhos foi a forma encontrada pelos professores, pais e alunos para chamar a atenção do estado, diz o professor José do Carmo, que atua na Escola Fortaleza desde a inauguração, há 16 anos.
“Será que vai precisar morrer alguém dentro da escola para tomarem providências? Outros roubos já aconteceram aqui, pelo menos mais cinco, mas nunca com essa violência. Reunimos com a comunidade e todos concordaram em suspender as aulas. Queremos que o modelo de segurança mude para vigilância física”, apelou o professor.
José Ronaldo e Nazaré Ribeiro são pais da aluna Letícia, do 6º ano. A família apoiou o protesto
Rita Torrinha
A secretária-adjunta de Apoio à Gestão da Seed informou que o contrato de segurança física foi extinguido no estado, mas garantiu que providências estão sendo tomadas, inclusive com o conhecimento da comunidade escolar.
“Reunimos com a gestão da escola e com a comunidade, apresentamos uma primeira alternativa para aumentar a altura do muro do fundo. No prazo máximo de 15 dias já podemos ter gente trabalhando no local. Mas não há possibilidade, hoje, de retornarmos com a vigilância física, até porque a Seed não tem mais contrato para esse serviço”, explicou.
O professor José do Carmo disse que foi solicitado uma reunião com a secretaria, mas não houve resposta. Por essa razão, a partir das 8h de segunda-feira (9), ele afirmou que a manifestação vai acontecer na secretaria, com os quase 90 professores da escola, demais funcionários, pais e alunos.
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‘Brasil precisa do mesmo entusiasmo anti-Lula para fazer faxina em todo o sistema político’, diz biógrafo britânico

Bourne diz ainda que gostaria de ver o PT fazendo autocrítica sobre as acusações que pesam contra a legenda e seus filiados

Bourne diz ainda que gostaria de ver o PT fazendo autocrítica sobre as acusações que pesam contra a legenda e seus filiados
FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

Autor de Lula of Brazil, biografia de Luiz Inácio Lula da Silva lançada em 2008, o pesquisador britânico Richard Bourne diz que o petista “não foi tão forte quanto deveria” em combater a corrupção.

Questionado sobre a possibilidade de o líder petista ter se envolvido ou ter fechado os olhos para corrupção, Bourne afirma que Lula poderia ter sido mais “cuidadoso”.

“Pelo que eu sei do início da carreira dele, eu diria que ele não foi tão cuidadoso quanto deveria. Certamente havia pessoas no PT, e não há dúvidas sobre isso, que estavam envolvidas em vários tipos de corrupção. Ele não foi tão forte quanto deveria. Quando comparamos o que aconteceu recentemente com seus primeiros anos de Presidência, o idealismo existiu, mas houve um triste declínio”, disse Bourne à BBC Brasil.

O pesquisador, contudo, pondera que o Brasil precisa do “mesmo entusiasmo” anti-Lula para fazer uma “faxina” em todo o sistema político e punir todos os políticos envolvidos com corrupção no país.

Bourne diz ainda que gostaria de ver o PT fazendo uma autocrítica sobre as acusações que pesam contra a legenda e seus filiados. Para ele, o partido deveria agir contra os petistas envolvidos com corrupção.

No livro sobre o ex-presidente, o britânico já criticava o legado do governo do petista justamente por achar que era necessária uma postura mais incisiva contra a corrupção na política brasileira.

Para biógrafo de Lula, é preciso fazer uma 'faxina' em todo sistema político brasileiro

Para biógrafo de Lula, é preciso fazer uma ‘faxina’ em todo sistema político brasileiro
JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

Condenado a 12 anos e um mês de prisão, Lula é também alvo de outros processos e investigação por suspeita de crimes como corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Nesta semana, o petista teve a prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro, depois de ter tido o pedido de habeas corpus para esperar em liberdade até o fim do processo negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Bourne diz não ter se surpreendido com a decisão do Supremo em determinar a prisão imediata de Lula, mas sim com a quantidade de votos favoráveis ao petista. O julgamento no STF terminou em 6 votos a 5 pela prisão do ex-presidente antes de exauridas todas as possibilidades de recurso.

‘Faxina’

Para o pesquisador, contudo, os escândalos recentes de corrupção no Brasil indicam uma série de problemas não apenas com o PT, mas com toda a classe política. “O Brasil precisa de uma faxina em todo o sistema político. Eu gostaria de ver um entusiasmo (anti-Lula) em banir (o presidente Michel) Temer e outros membros da classe política que estão envolvidos em corrupção”.

Questionado se a narrativa de vítima e de perseguição política é bem sucedida, Bourne diz “ser difícil de generalizar”.

“Apoiadores fora do Brasil têm visto os fatos como vingança política. Mas há outros preocupados em ver o sucesso do Judiciário e da democracia que tendem a reconhecer que o juiz Sergio Moro, o Ministério Público e outros também merecem apoio”, observa.

Richard Bourne: 'Gostaria de ver o mesmo entusiasmo (anti-Lula) para banir Temer e outros membros da classe política envolvidos com corrupção'

Richard Bourne: ‘Gostaria de ver o mesmo entusiasmo (anti-Lula) para banir Temer e outros membros da classe política envolvidos com corrupção’
Direito de imagemTÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

A grande preocupação do pesquisador, contudo, é uma confiança exagerada no sistema judicial em detrimento da democracia. “Políticos envolvidos em corrupção têm sido banidos pelo Judiciário, não pelas pessoas nas eleições”, diz.

Ele emenda que há o risco de os eleitores brasileiros continuarem votando em corruptos. “Meu receio é que os brasileiros não punam nas urnas os políticos envolvidos com corrupção”.

Apesar de as acusações e da ordem de prisão contra Lula, Bourne destaca que o petista ainda é um líder extremamente popular e capaz de influenciar as eleições mesmo sem estar nas urnas. Para o biógrafo, Lula vai atuar nos bastidores e tem condições de transferir popularidade mesmo preso.

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