Grupo de ‘palhaçoterapia’ aposta no riso para gerar ‘qualidade de vida e morte’ a pessoas vulneráveis


Os palhaços sociais vão a hospitais, asilos, comunidades ou a ruas não apenas para fazer rir, mas para transportar as pessoas para um universo de alegrias e fantasias, sem dor.  Projeto Riso, da Faculdade de Medicina de Sobral, completa 10 anos.
Lucas Magalhães/Arquivo Pessoal
Quanta potência pode ter um sorriso? Há quem acredite ser possível transformar o mundo por meio dele, e aposte nesta ideia com compromisso e amor. É o que acontece no Projeto Riso, na Faculdade de Medicina da UFC de Sobral, Região Norte do Ceará, e com os voluntários do Trupicando em Sonhos, uma organização que usa e ensina a linguagem lúdica do palhaço para ajudar pessoas em situações de vulnerabilidade.
Completando 10 anos em 2018, o Projeto Riso é uma atividade de extensão da faculdade, iniciativa de estudantes da época. Já o Trupicando em Sonhos é um projeto social com ramificações em Fortaleza, Campina Grande, Goiânia, São José dos Campos e Belo Horizonte. Um campo voluntário composto por cerca de 100 pessoas que praticam a “palhaçoterapia”.
Os palhaços sociais vão a hospitais, asilos, comunidades ou a ruas não apenas para fazer rir, mas para transportar as pessoas para um universo de alegrias e fantasias, sem dor.
Oficina de ‘palhaçoterapia’ na Famed de Sobral, Ceará, em 2018.
Juan Rocha/Arquivo Pessoal
Transformar o tempo presente da dor em um universo mágico, gerar qualidade de vida, e algumas vezes qualidade de morte, é o desafio do ator teatral Juan Rocha, 27, coordenador da Trupicando em Sonhos e responsável por treinar os estudantes da Famed de Sobral para exercer o ofício do palhaço.
“A gente traz eles (os assistidos) pro nosso mundo, onde a gente pode transformar a porta de um quarto num faroeste, numa galáxia, numa praia. Isso pode fazer com que eles se sintam melhores, gera endorfina, fiquem felizes.”
Rocha rejeita a ideia de “palhaço de hospital” e diz que o grupo visa lugares de maior necessidade. “A gente trabalha onde possa haver a vulnerabilidade, em lugares públicos e aqueles menos assistidos por outros projetos voluntários”, comenta.
Empatia
Na Famed, em Sobral, a atividade é uma extensão do curso de medicina e ajuda os estudantes a entrar em contato com o universo, principalmente, dos hospitais infantis, do cuidado e da empatia, como explica Lucas Magalhães, aluno do 5º semestre e atual presidente do Projeto Riso.
“Com a palhaçoterapia a gente tem contato mais íntimo com os profissionais e as crianças, isso ajuda a incrementar nossa formação. Melhorou minha relação com o paciente”, conta o estudante.
Estudantes da Faculdade de Medicina na UFC de Sobral, em oficina de ‘palhaçoterapia’
Juan Rocha/Arquivo Pessoal
No entanto, o rapaz lamenta que os efeitos não sejam tão evidentes para outros alunos. “Muitas vezes os estudantes de medicina não veem muita vantagem. Mas tem efeito terapêutico pras crianças, pras mães e profissionais de saúde, além de quebrar o clima de hospital”, acrescenta.
Ter “consciência, comprometimento e constância” é o que se espera de quem quer aprender a ser palhaço, defende o ator Juan Rocha.
Há 10 anos ele se tornou um, quando resolveu aceitar o convite de uma amiga para acompanhar o processo de formação de voluntários do Trupicando. “Primeiro me apaixonei pelas pessoas, não entendia muito bem o poder que esse palhaço ou o grupo poderia ter, até que um dia fui escalado pra estar numa maternidade de Goiânia”, conta.
Estudante na oficina de ‘palhaçoterapia’ na Famed de Sobral, Ceará, em 2018.
Juan Rocha/Arquivo Pessoal
‘Quando sorri’
Na maternidade, ao ser interceptado pela tristeza e desespero de uma mãe que acabara de perder o filho, ele aprendeu a ser palhaço.
“Achei que seria tranquilo porque eu era falante e desenrolado, então seria mais fácil interagir com as pessoas, até que veio na minha direção uma mulher chorando e me abraçou”.
Enquanto a mulher repetia “perdi meu filho” e chorava, ele se manteve no abraço, em silêncio, até descobrir que era exatamente disso que ela precisava. “Fiquei calado, aí ela parou de chorar um pouquinho e disse ‘você foi a única pessoa que me deixou chorar, obrigada’. Eu olhei pra ela e disse ‘tem o outro ombro, se você quiser’, aí ela começou a rir, então vi ela sendo transformada naquele momento”, relembra o ator.
A cena reverbera até hoje no palhaço e o assegura da importância do que faz.
“Isso me faz querer cada vez mais ser palhaço, por ser apaixonado por ver a potência que o rosto de alguém fica quando sorri. É o que dá sentido à minha vida, me faz feliz pra caramba.”
Juan Rocha, 27, é ator teatral, palhaço social e coordenador do grupo voluntário Trupicando em Sonhos.
Juan Rocha/Arquivo Pessoal
Na formação de grupos voluntários do Trupicando em Sonhos, os candidatos entram em contato com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Estatuto do Idoso, e trabalham ainda com musicoterapia e contação de histórias. Segundo Juan Rocha, são conhecimentos que agregam à linguagem lúdica do palhaço e à forma de se relacionar com o próximo.
O Projeto Riso tem voluntários dos cursos de medicina e psicologia da UFC de Sobral. Qualquer estudante, de qualquer semestre, pode se candidatar para integrar o grupo.

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Grupo é detido por receptação de móveis e eletrodomésticos furtados em residencial de Juiz de Fora


PM deteve cinco pessoas com os pertences furtados de casa de moradora que foi invadida no Parque das Águas. Grupo foi detido com eletrodomésticos e materiais furtados de apartamento em Juiz de Fora
Polícia Militar/Divulgação
Um grupo, integrado por uma jovem, de 25 anos; três mulheres de 40, 52, e 53; e um homem, de 32; foi detido com os eletrodomésticos e móveis furtados da casa de uma moradora do residencial Parque das Águas, em Juiz de Fora. O caso foi registrado como receptação e descoberto a partir da denúncia da moradora no início da noite desta sexta-feira (20).
A vítima, de 47 anos, contou para a Polícia Militar (PM) que passou uns dias no hospital com o marido que está internado. Ao retornar para casa, encontrou a porta arrombada e o apartamento vazio, inclusive sem as lâmpadas.
Porta do apartamento foi arrombada e móveis, eletrodomésticos e objetos dos moradores foram levados, informou PM de Juiz de Fora
Polícia Militar/Divulgação
Conforme as informações preliminares da PM, as equipes realizaram diligências e encontraram parte dos materiais levados em outro imóvel no mesmo prédio. O morador informou que o restante estaria em uma casa no mesmo bairro. No endereço indicado, outros pertences da vítima foram encontrados.
Foram recuperados uma geladeira, um par de sofás, uma mesa com quatro cadeiras, uma televisão e um adaptador de TV, uma antena, uma cortina, uma cama com colchão, um conjunto de box de vidro temperado, uma estante, um baú de madeira com roupas dentro, um rádio-relógio, uma mangueira de jardim, uma vassoura, uma pá e uma lixeira de metal.
As quatro mulheres e o homem foram detidos por receptação. Segundo a PM, ainda não se sabe quem cometeu o arrombamento e o furto. A perícia esteve nos locais da ocorrência. A ocorrência foi encerrada nesta manhã de sábado (21) e o caso foi encaminhado para a Polícia Civil.
Insegurança nos residenciais
Em julho de 2017, um grupo expulsou moradores de três casas no Parque das Águas. De acordo com a ocorrência, os casos de violação de domicílio estariam relacionados à tentativa de invasão de um terreno no mesmo bairro horas antes, que foi impedida pela Prefeitura e pela PM.
Em agosto, uma audiência pública discutiu a situação dos residenciais do programa “Minha Casa Minha Vida”. Moradores denunciaram a rotina de violência, insegurança, invasões de domicílio e crimes violentos.

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