Elizeth Cardoso tem centenário celebrado sem frescor em disco ao vivo


Ayrton Montarroyos se eleva em álbum que eterniza show coletivo feito em março com elenco que também inclui Alaíde Costa, Claudette Soares, Eliana Pittman, Leci Brandão e Zezé Motta. Capa do álbum ‘Uma homenagem à divina Elizeth Cardoso – 100 anos ao vivo’
Divulgação
Resenha de álbum
Título: Uma homenagem à divina Elizeth Cardoso – 100 anos ao vivo
Artista: Alaíde Costa, Ayrton Montarroyos, Claudette Soares, Eliana Pittman, Leci Brandão e Zezé Motta
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * 1/2
♪ Apresentadas ao longo deste mês de julho de 2020, as comemorações do centenário de nascimento de Elizeth Cardoso (16 de julho de 1920 – 7 de maio de 1990) se encerram nesta sexta-feira, 31 de julho, com o lançamento pela gravadora Biscoito Fino de álbum ao vivo que registra 16 números de show em tributo à cantora carioca.
Orquestrado pelo produtor Thiago Marques Luiz, sob direção musical do violonista e arranjador Paulo Serau, o show foi apresentado em 1º de março no Teatro Paulo Autran, do Sesc Pinheiros, na cidade de São Paulo (SP), com a reunião dos cantores Alaíde Costa, Ayrton Montarroyos, Claudette Soares, Eliana Pittman, Leci Brandão e Zezé Motta.
Com capa feia, aquém da importância do nome de Elizeth Cardoso na música brasileira, o disco Uma homenagem à divina Elizeth Cardoso – 100 anos ao vivo oscila como tantos tributos coletivos do gênero, com o agravante de que a cantora homenageada pautou a carreira pelo extremo rigor estilístico.
Com arranjos tão convencionais quanto burocráticos, o disco persegue em vão a precisão de Elizeth – rigor, a rigor, inalcançável, justiça seja feita, o que jamais deve ser visto como demérito para os artistas envolvidos.
Ayrton Montarroyos chega bem perto desse rigor, sobretudo quando dá voz ao samba-canção Naquela mesa (1972), composto por Sérgio Bittencourt (1941 – 1979) em memória do pai, Jacob do Bandolim (1918 – 1969), músico fundamental na trajetória de Elizeth.
Mesmo que por vezes peque por interpretar as músicas na mesma temperatura, Ayrton se confirma grande cantor da geração anos 2010 ao encarar o samba Última-forma (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1972) e ao fazer dueto com Alaíde Costa no choro Doce de coco (Jacob do Bandolim, 1951, com letra de Hermínio Bello de Carvalho, 1968).
Ayrton Montarroyos se destaca no disco com a interpretação de ‘Naquela mesa’, música de 1972
Marco Aurélio Olímpio / Divulgação
Sozinha, Alaíde mostra a habitual classe vocal ao percorrer Estrada branca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) com a sobriedade que pauta a maior parte dos 16 números do show. É também Alaíde quem canta o samba Folhas no ar (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1965), a maior surpresa de roteiro naturalmente calcado em músicas mais facilmente associadas ao canto de Elizeth Cardoso.
Intérprete escalada para interpretar Canção de amor (Chocolate e Elano de Paula, 1950), primeiro sucesso de Elizeth, Leci Brandão mostra autoridade quando canta o samba Sei lá, Mangueira (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1968).
Cantora mais vocacionada para cair no suingue da bossa, Claudette Soares interpreta Canção da manhã feliz (Luiz Reis e Haroldo Barbosa, 1962) sem acentuar a luminosidade da canção agregada em medley com Meiga presença (Paulo Valdez e Otávio de Morais, 1966), outro standard do repertório da Divina.
Dentro da atmosfera sóbria do tributo, Eliana Pittman eleva tons ao dar voz ao samba-canção Nossos momentos (Luiz Reis e Haroldo Barbosa, 1960) e vai atrás da graciosidade de Eu bebo assim (Luiz Antônio e João do Violão, 1973), samba que causou certa controvérsia ao ser lançado por Elizeth por destoar do padrão habitual do repertório da artista.
Cantora que celebrou Elizeth Cardoso há 20 anos no álbum Divina saudade (2000), pálido retrato do cancioneiro da artista então morta há dez anos, Zezé Motta revive Tudo é magnífico (Luiz Reis e Haroldo Barbosa, 1960) e Na cadência do samba (Ataufo Alves e Paulo Gesta, 1962) sem impressionar.
Enfim, embora bem-intencionada, esta homenagem fonográfica a Elizeth carece de frescor. O repertório é ótimo e os intérpretes são bons, mas, com exceção do registro de Naquela mesa por Ayrton Montarroyos, tudo soa sem um viço que justifique o tributo em si. Afinal, as 17 músicas alocadas nas 16 faixas do disco também estão ao alcance do público na voz divina de Elizeth Cardoso.

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Alan Parker, diretor de ‘Expresso da Meia-Noite’, morre aos 76 anos


Segundo a imprensa internacional, Parker morreu na manhã desta sexta-feira (31), em Londres. Alan Parker, em foto de dezembro de 2004
Jack Guez/AFP/Arquivo
Alan Parker, diretor de “O Expresso da Meia-Noite”, “Mississipi em Chamas”, entre outras obras do cinema, morreu aos 76 anos.
Segundo a imprensa internacional, Parker morreu na manhã desta sexta-feira-feira (31), em Londres. O Instituto Britânico de Cinema (British Film Institute) confirmou a morte do diretor. Em comunicado, a família informou que Parker morreu após sofrer anos com uma doença, que não foi informada.
Nascido em Londres, na Inglaterra, Alan iniciou a carreira como redator publicitário, migrando para a direção de comerciais e iniciando seus trabalhos no cinema na década de 1970.
Alan ficou conhecido por seu trabalho em filmes como “Fama”, “A Chama que não Se Apaga”, “The Commitments – Loucos pela Fama” e “Bugsy Malone – Quando as Metralhadoras Cospem”, além do longa “Evita”, estrelado por Madonna.
Ao longo da carreira, o diretor foi indicado diversas vezes em prêmios como Oscar, Bafta e Globo de Ouro.
Em 1984, Parker foi homenageado pela Academia Britânica com prêmio Michael Balcon Award por sua contribuição ao cinema. Em 2013, foi novamente reconhecido por seu trabalho e recebeu o Bafta Fellowship, prêmio entregue pela Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão, em reconhecimento “à contribuição considerável e excepcional ao cinema”.
“Quando você faz seu primeiro filme, tem certeza que será o seu último. E então você aperta os olhos e de repente, quarenta anos depois, você está no Bafta ganhando um prêmio como este”, disse Parker em comunicado ao receber a honraria.
Casado com Lisa Moran-Parker, Parker deixa cinco filhos e sete netos.
Alan Parker posa com seu prêmio BAFTA, em Londres, foto de fevereiro de 2013
Carl Court/AFP/Arquivo

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