Artistas denunciam demora no pagamento dos cachês do carnaval 2018 em Pernambuco


Segundo coletivo formado por artistas locais, governo estadual ainda não pagou pelos shows realizados em fevereiro. Público curte apresentações no Marco Zero, no Centro do Recife, na noite de abertura do carnaval 2018
Marlon Costa/Pernambuco Press
Cinco meses após o carnaval deste ano, o Coletivo Pernambuco, formado por artistas locais, denuncia que os cachês dos artistas que se apresentaram nos festejos ainda não foram pagos pelo governo estadual. Segundo o grupo, a situação de atraso é recorrente. O governo estadual afirma que os pagamentos seguem “o processo normal”.
Sérgio Andrade, do grupo De Pau e Corda e representante do coletivo, conta que, dos seis shows que realizou através de contrato com a Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur) e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), nenhuma parte do dinheiro foi paga até o momento.
“Para realizar um show como o do carnaval, nós gastamos com ensaios, técnicos, transportes, músicos, e muito mais. E tudo isso é pago na hora. Mas o goveno atrasa nosso pagamento como se não tívessemos contas para pagar. Nós temos filhos para criar e famílias para sustentar. E a gente também depende desses pagamentos para reinvestir na nossa carreira. Esse dinheiro faz parte da nossa renda”, afirma.
Almir Rouche é um dos artistas que integam o Coletivo Pernambuco, que busca reivindicar os pagamentos dos cachês dos artistas do carnaval 2018 em Pernambuco
Marlon Costa/Pernambuco Press
O Coletivo Pernambuco é formado, até o momento, por 16 artistas e grupos musicais e foi criado como maneira de reivindicar o pagamento em dia das contratações de artistas para eventos culturais no estado, além de chamar atenção da população para a situação.
Entre os nomes que compõem o coletivo, explica Andrade, estão Nena Queiroga, Ed Carlos, Almir Rouche, Nonô Germano, Marrom Brasileiro, Grupo De Pau e Corda, Maestro Forró e Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Spok e Quinteto Violado.
“Isso não é coisa de agora. Essa situação se repete há muito tempo, entra governo e sai governo e é sempre o mesmo atraso. Tem muita gente que ainda não recebeu pelo São João do ano passado, mais de um ano já. A situação está insuportável”, afirma Sérgio Andrade.
Um dos grupos musicais que integra o Coletivo Pernambuco é o Maestro Forró e Orquestra Popular da Bomba do Hemetério
Festival de Orquestras Populares/Divulgação
Em nota, o coletivo pede mudanças na forma de contratação, estabelecimento de datas para o pagamento dos cachês e alteração no processo de comprovação da realização do show.
“Os gestores da cultura, sempre tão presentes e prontos para apresentar números que comprovem suas ações, silenciam e se escondem na hora de assumir a responsabilidade básica de pagar os profissionais que fazem o carnaval local”, destaca a nota assinada pelo coletivo.
Resposta
Por meio de nota, o governo estdual, por meio da Empetur, informou que os pagamentos dos cachês dos artistas pernambucanos que participaram do carnaval 2018 “segue o processo normal de prestação de contas, com vistas ao posterior pagamento dos artistas, conforme o fluxo de caixa”.
A secretaria afirmou, ainda, que não há previsão para a realização do pagamento. “Acreditamos que com mais brevidade possível”.

Corpo de adolescente morta no Hospital Dom Malan, em Petrolina, será exumado


A exumação do corpo de Milian de Sousa Carvalho, de 15 anos, foi solicitada pela Polícia Civil. Cremepe considera crítica a situação do Hospital Dom Malan
Taisa Alencar/G1
A justiça autorizou a exumação do corpo da adolescente Milian de Sousa Carvalho. A garota de 15 anos estava grávida e morreu após dar entrada no Hospital Dom Malan (HDM), em Petrolina, Sertão de Pernambuco, no mês de maio. Segundo os familiares, ela teria sido vítima de negligência médica no HDM. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
A data para a exumação do corpo ainda não foi marcada pelo Instituto Médico Legal de Petrolina (IML). Após o serviço, a Polícia Civil vai dar seguimento as investigações.
O caso
Milian de Sousa Carvalho estava grávida de cinco meses, quando deu entrada no Hospital Dom Malan, após sentir dores e perder líquido. De acordo com a família, a jovem ficou internada e dormiu sentada em uma cadeira por falta de leito. Ela teria contraído uma infecção hospitalar, causando a morte dela e do bebê durante uma tentativa de parto normal.
Emileide lembra a morte da filha de 15 anos, no Hospital Dom Malan
Reprodução / TV Grande Rio
A mãe de Milian, Enileide de Sousa Carvalho, acredita que a filha morreu por negligência. “Um sentimento muito triste, não está sendo fácil conviver, porque a minha filha era a alegria daqui de casa. Minha filha faz muita falta. Então o sentimento é de muita revolta, porque só em pensar que minha filha poderia estar aqui comigo com meu netinho”, revela.
No dia 10 de maio, parentes e amigos de MIlian e de pessoas que também morreram no HDM organizaram um protesto, e com faixas, cartazes e camisas, pediram esclarecimentos sobre os casos.