Pabllo Vittar na China? Conheça coreógrafo que está espalhando o pop brasileiro pela Ásia


Japonês Rikimaru já fez coreografias para astros do k-pop, se apaixonou pelo funk brasileiro e agora dança e até canta sucessos de Pabllo e Gloria Groove em reality musical chinês Chuang. Coreógrafo japônes faz sucesso dançando Pabllo Vittar em reality show
No palco com chão brilhante em frente a uma pirâmide colorida, cheia de jurados e concorrentes de toda a Ásia, os dançarinos japoneses entram com um terninho roxo e outro com estampa de zebra. Eles viram de costas, abrem as pernas, e um jurado faz cara de espanto quando o som começa.
A pirâmide explode em pulos e aplausos quando os amigos Santa e Rikimaru cantam, em português com sotaque japonês: “Deve tá louco, talvez um pouco / Chama na voz e toma pipoco!”. A música é “Caminhada”, da cantora paulistana Gloria Groove, mas ninguém conhecia. Veja o vídeo acima.
“Acho que eles nem sabiam que era música brasileira”, lembra Rikimaru, o dançarino com terninho de zebra, ao G1. Depois que ele explicou de onde vinha a música, os colegas e jurados diseram: “Aaah, por isso a gente não entendeu nada que vocês estavam cantando!”, ele conta, aos risos.
“Essa é a coisa mais doida que eu já vi no palco. De verdade, a coisa mais doida”, empolgou-se, em meio aos aplausos, um jurado do “Chuang 2021”. O reality show vai ao ar na plataforma de streaming Tencent Video, uma gigante chinesa com mais de 900 milhões de usuários únicos mensais.
Em entrevista com Rikimaru por áudio direto da China, no intervalo da gravação do reality, o G1 descobriu que:
O amor pelo nosso pop começou com “Amor de chocolate”, de Naldo, que ele achou ao pesquisar no YouTube para uma aula de português.
Ele estudou no Departamento de Estudos Estrangeiros da Universidade de Kyoto, famosa pelo ensino de línguas, inclusive o português.
Ele adora Anitta, MC Kevinho, Pabllo Vittar, Luisa Sonza, Tainá Costa e MC Mirella.
As três últimas da lista são suas amigas no Instagram e ele quer fazer parcerias com elas.
Rikimaru acredita na fusão do pop da Ásia e do Brasil. Diz que isso já acontece no k-pop (no fim de 2020 o grupo sul-coreano Bling Bling lançou “”G.G.B”, com base de funk carioca).
Sua palavra preferida em português é “eita”.
Dois dias depois de “Caminhada”, Rikimaru subiu em um palco menor, rodeado de cartazes de emojis e marrecos, e fez uma dança em estilo meio robô desconstruído. A trilha era o refrão “Ai como eu tô bandida”, de outra estrela drag brasileira, Pabllo Vittar, com Pocah e MC Mayara.
Ele já tinha dançado “Bandida” usando o que parece ser uma fralda, para aumentar o bumbum, em seu TikTok, onde sempre aparece curtindo hits brasileiros.
Rikimaru virou assunto mais comentado no Sina Weibo, uma espécie de Twitter chinês. Já os fãs brasileiros comentaram no Twitter mesmo: como assim o pop-funk de cantoras brasileiras virou trilha de reality chinês? Quem é esse cara?
RIkimaru
Divulgação
O coreógrafo, dançarino e cantor Rikimaru Chikada tem 27 anos e nasceu em Hyogo, no Japão. Ele não é iniciante no showbusiness asiático e já criou coreografias para grandes nomes do k-pop como Taemin, Shinee, Boa e RedVelvet.
Rikimaru foi instrutor no 1MILLION Dance Studio, grande estúdio da Coreia do Sul. Ele já veio ao Brasil ministrar oficinas de dança. Hoje, faz parte, assim como Santa, do grupo Warps Up. Quem segue ele nas redes sociais já sabe, desde antes do reality ele curte dançar funk brasileiro. Leia a conversa:
G1 – Como você descobriu o pop brasileiro?
Rikimaru – Quando eu estava na faculdade, minha graduação foi em português. Então eles pediam para eu procurar músicas brasileiras. Quando eu busquei no YouTube, achei “Amor de chocolate”, do Naldo. Quando ouvi essa música, pensei: “Oh, isso é interessante… Nunca ouvi músicas assim”. E aí, comecei a me ligar na música brasileira.
G1 – O que a música brasileira tem de diferente e quais são seus cantores preferidos?
Rikimaru – A música brasileira tem canções animadas. Eu gosto de músicas calmas, mas também gosto de sons de festa. Eu amo Anitta, MC Kevinho, Pabllo Vittar, Luisa Sonza, Tainá Costa e MC Mirella. Eu amo porque é interessante mesmo, eles são muito diferentes dos cantores dos outros países e a voz deles é especial.
G1 – O que essa batida brasileira te proporciona para criar coreografias e por que você resolveu apresentá-la na competição?
Rikimaru – Quando eu estou criando coreografias, não fico pensando se a música é brasileira, ou em qual é o estilo. Eu só quero dançar a música brasileira mesmo. Porque as pessoas sugerem músicas americanas, chinesas, japonesas. Mas eu nunca vejo pessoas asiáticas no mercado de entretenimento escolhendo músicas brasileiras. Acho que, até agora, foi só eu. Por isso escolhi.
Rikimaru
Divulgação
G1 – Qual foi a reação das pessoas nos bastidores a essas músicas brasileiras?
Rikimaru – Acho que eles não perceberam que era música brasileira que a gente estava dançando. Aí, depois que a gente dançou, a gente falou o que era. “Sério? Aaah, por isso a gente não entendeu nada que vocês estavam cantando! (risos)
G1 – Qual é sua palavra preferida em português e o que você acha da língua?
Rikimaru – Eu comecei a fazer aulas de português quando era adolescente, e mesmo assim, até hoje a gramática é tão difícil! Porque toda vez você tem que mudar o verbo. Mas minha palavra preferida em português é “eita”. E também “lindo”. As pessoas sempre comentam isso [nas minhas redes]. E também “quero ser sua namorada”.
G1 – Você acha que essas batidas brasileiras têm a ver com o pop asiático? Eles podem se juntar?
Rikimaru – Acho que é possivel. Acho que o k-pop já está usando ritmos brasileiros, o “tum tcha tcha” (imita batida de funk). Eu ouço isso em comerciais e clipes de k-pop que já pegaram a batida brasileira, mas continuam sendo k-pop. Então eu realmente quero ver as pessoas aqui na Ásia cantando música brasileira no futuro.
Grupo Warps Up, do qual Rikimaru faz parte
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G1 – O que te inspira a fazer as coreografias do Warps Up, o grupo do qual você faz parte?
Rikimaru – Geralmente eu faço a coreografia para nós. Mas às vezes o Santa faz as coreografias comigo. Mas eu não tenho uma inspiração… É sentir a música, e aí pegar a vibração. A música “Cloud 9” é meio disco, então os movimentos são disco. A gente tem que escolher movimentos que as pessoas nunca viram.
Se é um movimento que alguém já usou, não vai ser especial. Por isso a gente tem que mudar um pouco. Hoje em dia tantas boy bands e girl groups já fizeram tantas formações e movimentos diferentes. Então é difícil para nós escolher os raros passos que as pessoas nunca viram. Eu sempre tento fazer coreografias que são 70% de movimentos normais e 30% que são novos.
G1 – Com qual artista brasileiro você gostaria de colaborar e como você acha que seria essa música?
Rikimaru – Eu já citei seis pessoas. Dessas, Tainá Costa, Luisa Sonza e MC Mirella são minhas amigas de Instagram. A gente nunca se viu. Eu sempre faço coreografias com as músicas delas. No futuro eu gostaria de colaborar com elas, mas eu ficaria meio nervoso. Eu acho que elas são legais, mas elas estão sempre tirando fotos tão “cool”, tão sexies, então é por isso. Espero que elas sejam legais.
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