Pabllo Vittar exalta tecnobrega e forró em ‘Batidão Tropical’: ‘É a minha vida ali em música’


4º álbum traz ritmos que marcaram infância e adolescência da cantora no Maranhão e Pará com regravações e músicas inéditas. Pabllo Vittar em ensaio para álbum ‘Batidão Tropical’
Divulgação
“É como se eu pegasse o Norte e Nordeste, colocasse em um pedestal e mostrasse para o Brasil e para o mundo ver o tanto que é rico, o tanto que é plural”. É assim que Pabllo Vittar explica o que queria fazer em “Batidão Tropical”.
Lançado na noite desta quinta-feira (24), o quarto disco da carreira da cantora de 27 anos resgata músicas e ritmos que fizeram parte de sua infância e adolescência.
Das noves faixas de forró e tecnobrega, “Ama Sofre Chora”, “Triste com T” e “A Lua” são inéditas e as outras seis são regravações de bandas como Companhia do Calypso, Ravelly e Batidão.
“Tenho um repertório de tecnobrega que escuto até hoje para malhar, para pensar, para uma ligação em vídeo com meus amigos. Foi muito louco pensar que poderia regravar essas canções”, afirma Vittar.
“Queria de alguma forma exaltar realmente a minha origem, a minha cultura, o Maranhão, o Pará e todas as adjacências que consomem essa cultura”.
TecnoShow, Cacicó, Mastruz com Leite, Magníficos, Desejo de Menina, Aviões do Forró são outras bandas que Pabllo tem como referências até hoje.
“Espero que meus fãs se sintam mais próximos de mim, porque é a minha vida ali em música”.
Brega é cringe?
Pabllo Vittar em clipe de ‘Triste com T’
Divulgação
Com “Batidão Tropical”, muitas pessoas vão ouvir pela primeira vez músicas como “Ânsia” e “Bang Bang”, gravadas pela Companhia do Calypso, e “Ultrassom”, da banda Ravelly.
As músicas, que fizeram sucesso há mais de 10 anos no Norte e Nordeste, provavelmente não entrariam nas playlists, de forma orgânica ou voluntária, do público de Pabllo.
Corria o risco até da parte mais jovem reagir com a expressão “cringe”, usada nos últimos dias para descrever algo fora da moda ou ultrapassado, às versões originais, mas na voz de Pabllo vira algo “cool”.
Para a artista nascida no Maranhão e criada no Pará, não tem essa de vergonha, muito pelo contrário.
“Agora tudo é cringe, cringe, cringe… Vamos exaltar o que é nosso. Se você pegar uma performance de Mylla Karvalho (ex-vocalista da banda Companhia do Calypso), de 17 anos atrás, onde ela subia no palco e pulava de bungee jumping e falar que isso é cringe, mas bater palma para Pink no Rock in Rio… Você está batendo palma para quem? Vai falar que a Pink é cringe também? “, diz Vittar se referindo mais à performance do que ao estilo musical na comparação.
“Quero trazer isso mostrar para essa juventude agora para essa galera do TikTok o que é a Companhia do Calypso, o que é a banda Cacicó, o que é tecnobrega, sabe?”
“Isso faz muito parte de mim, não dá para eu tirar isso e ficar sendo uma artista pop que vai vir lançar batidas pops internacionais que já tocam lá fora e já tocam aqui. Particularmente é bom, mas e aí [cadê ] a novidade?”.
Pabllo já tinha cantado músicas da Companhia nas redes sociais e falado em entrevistas sobre a admiração que tem por Mylla, hoje cantora gospel.
Inclusive, a expressão “Yuke” que a drag usa desde que explodiu em 2017 é da ex-vocalista da banda de forró, que falava “E o que?” para o público continuar cantando as músicas nos shows.
Capa do disco ‘Batidão Tropical’ de Pabllo Vittar
Divulgação/Ernna Cost
Novas músicas
“Ama Sofre Chora”, “Triste com T” e “A Lua” são as músicas autorais do álbum, mas poderiam estar no repertório de várias bandas antigas de forró.
As duas primeiras foram escritas pelos compositores e produtores da Brabo Music, que trabalham com a cantora desde o começo da carreira.
“Opinei muito pouco, porque foram músicas que quando ouvi eu falei isso daí a banda tal cantaria essa música. Eu vi a Paulinha, da Calcinha Preta, cantando ‘Triste com Tesão’ quando ouvi”.
Já a “A Lua” foi escrita por Pabllo junto com Alice Caymmi, uma parceria com os compositores da Brabo que já tinha acontecido em “Problema Seu”.
“É um forró tipo Calcinha Preta, que tem uma pegada com a bateria, tem aquela cadência mais ritmada que não faz você parar nenhum segundo de mexer”, explica.
Batidão pelo mundo
2020 tinha tudo para ser “o ano” da carreira de Pabllo Vittar no exterior, com shows em festivais importantes como Coachella e no Primavera Sound, mas a pandemia adiou os planos.
“Fiquei muito triste e frustrada, mas não amargurada. Acredito muito em Deus, sabia que tudo isso é uma provação que a gente vai passar para ficar mais forte”.
Foi justamente por conta do tempo em casa que o 4º disco foi produzido. A ideia de resgatar as origens, no entanto, já existia entre a artista e o produtor Rodrigo Gorky. Ele, inclusive, antecipou ao G1 que o álbum novo seria “extremamente brasileiro”.
“Sou muito ansiosa, não consigo ficar parada uma semana em casa, sem fazer nada, vendo TV… Eu piro, fico louquíssima”, diz.
“A gente sabia que queria fazer essa exaltação da minha região e tudo foi se desamarrando… Entramos em contato com os compositores das bandas para pegar autorização das músicas, eles foram super solícitos, me senti muito honrada”.
A expectativa, a partir de agora, é colocar o povo para dançar em casa e, depois, nos shows dentro e fora do Brasil.
Confirmada para cantar no ano que vem no Pirmavera Sound em Barcelona e em Porto, Pabllo não vê a hora de incluir as novas músicas no repertório: “Vou me tremer inteira”.
Pabllo Vittar em festivais, lojas de brinquedo, no Semana Pop e sempre indo longe demais