Pabllo Vittar aposta na segurança ao revitalizar o tecnobrega no coeso álbum ‘Batidão tropical’


Entre três músicas inéditas, artista regrava seis sucessos de bandas do Pará e de Pernambuco em disco que transita por forró, calypso e tecnomelody. Capa do disco ‘Batidão Tropical, ‘ de Pabllo Vittar
Divulgação / Ernna Cost
Resenha de álbum
Título: Batidão tropical
Artista: Pabllo Vittar
Edição: Sony Music
Cotação: * * * 1/2
♪ Nada menos do que seis das nove músicas do quarto álbum de Pabllo Vittar – Batidão tropical, lançado na noite de quinta-feira, 24 de junho – são regravações dos repertórios de bandas de calypso, tecnobrega e forró como as paraenses Companhia do Calypso, Banda Batidão e Banda Ravelly e como as recifenses Kassikó e Brega.com.
Populares no eixo norte-nordeste do Brasil, a partir dos anos 2000, essa banda faziam pop que, na época, ficou restrito a esse amplo circuito, sem aval e projeção nacional.
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Ao revitalizar esse repertório no álbum Batidão tropical, com a eficiente produção musical do DJ Rodrigo Gorky e a habitual pegada do Brabo Music Team, Pabllo Vittar revolve memórias musicais afetivas – dando voz a uma trilha sonora que povoou a vida da artista, nascida em São Luis (MA), mas criada entre cidades do interior do Maranhão e do Pará – e aposta na segurança de músicas já testadas e aprovadas pelos seguidores dessas bandas que, de certa forma, anteciparam o pop tropical forrozeiro que atualmente domina as playlists nacionais.
A embalagem das músicas regravadas até pode ser nova, mas, dentro do embrulho criado por Gorky e Vittar, há melodias tão simples quanto atraentes, como a de Ânsia, música de autoria de Esdras Azevedo, popularizada pela Companhia do Calypso após ter sido lançada pela banda Brega.com na voz de Eliza Mell.
Do repertório da Companhia do Calypso, Pabllo também pesca Bang bang – em regravação turbinada com efeitos evocativos dos filmes de faroeste spaghetti – e Zap zum.
Pabllo Vittar em clipe de ‘Triste com T’, uma das três músicas inéditas do álbum ‘Batidão tropical’
Ernna Cost / Divulgação
Habilidoso, Gorky reveste essas músicas como roupagem pop contemporânea com o cuidado de preservar a arquitetura original de hits originais como Apaixonada (2009), tecnomelody da Banda Batidão. Como exemplifica a abordagem de Ultra som, sucesso da banda Ravelly, a atualização por vezes se resume à inserção de sons e efeitos de sintetizadores, remodelando a moldura eletrônica.
É nessa vibe pop eletrônica que Pabllo Vittar revisita o calypso Não é papo de homem, hit da banda Kassikó. A simplicidade das melodias e das letras – que versam sobre as coisas do amor, assunto universal – potencializa o apelo popular do álbum Batidão tropical.
O dado curioso de Batidão tropical é que as três músicas inéditas dialogam com o suingue pop brasileiro dessas bandas, embora tendendo mais para o forró, como já sinalizara em maio o single inicial com a já conhecida música Ama, sofre chora e como mostram as músicas inéditas A lua – composição escrita por Pabllo com a colaboração de Alice Caymmi na letra – e Triste com T, tributo da artista ao som de industrializadas bandas de forró eletrônico como Limão com Mel e Calcinha Preta.
Embora formatadas pelos compositores de produtores da Brabo Music Team (Arthur Marques, Maffalda, Pablo Bispo, Rodrigo Gorky e Zebu), as três músicas inéditas do repertório se integram com as regravações no som e na temática, fazendo de Batidão tropical o álbum mais coeso de Pabllo Vittar.