‘Onde Está Meu Coração’ tem Letícia Colin como médica dependente química: ‘Ninguém acredita que vai se viciar de 1ª’


Série do Globoplay mostra drama de família de classe média alta e tem Daniel Oliveira, Fábio Assunção e Mariana Lima. Ao G1, atriz fala da banalização das drogas. Uma médica que cuida de um paciente, mas, no instante seguinte, entra no banheiro para usar droga. Uma filha que se cobra para ser tão competente quando o pai. Uma mulher que se transforma e se afasta do marido ao entrar de vez no mundo do crack.
Todas essas mulheres são Amanda, personagem de Letícia Colin, na série “Onde Está Meu Coração”, disponível no Globoplay.
A jovem de classe média alta é residente em um hospital e namora o arquiteto Miguel (Daniel de Oliveira). Juntos, eles experimentam crack em uma festa, mas as coisas saem do controle.
“Infelizmente ninguém acredita que vai se viciar de primeira. Mas acontece, e muito. Da mesma maneira que muitas pessoas ainda não acreditam que não usar máscara mata”, afirma Letícia ao G1.
“Eu não sei… É uma coisa de ‘comigo não vai acontecer’, uma prepotência, de estar acima dos outros… É horrível”, continua.
Assista ao trailer da série ‘Onde está meu coração’
Dirigida por Luísa Lima, a série mostra como o vício pode destruir a vida de uma pessoa, mas mais que isso, todos que estão ao redor. Assista ao trailer acima.
Para viver a médica, Letícia fez uma imersão em dois ambientes: no hospitalar, no qual conversou com médicos e residentes e observou o ambiente, os trejeitos, a maneira de falar e de manusear instrumentos.
E no do vício, quando visitou a Cracolândia e órgãos públicos que prestam serviço aos dependentes químicos em São Paulo. “Nesses lugares aprendi sobre redução de danos e amor”, diz.
É contraditório que, ao mesmo tempo, Amanda salva a vida de outras pessoas, ela vai destruindo a sua de forma muito rápida por conta da força do crack.
“Isso dá um nó na cabeça da gente, porque ela sendo médica, na teoria sabe onde está se metendo… Mas, na verdade, ela não calcula o tamanho do buraco. Ela não tem dimensão que já perdeu as rédeas da própria vida”, explica Letícia.
Família vira guia, mas também adoece
Manu Morelli, Fábio Assunção, Letícia Colin, Mariana Lima e Daniel Oliveira em “Onde Está Meu Coração”
Fábio Rocha/Globo
Mais do que falar sobre o vício, o objetivo dos autores George Moura e Sergio Goldenberg, também parceiros em “Rebu” e “Onde Nascem os Fortes”, era fazer uma série sobre o drama de uma família.
“Amanda não adoece sozinha; as pessoas à sua volta, familiares e amigos, adoecem junto”, explica Moura.
Letícia alerta que para que a família consiga ajudar, é preciso também acompanhamento psicológico.
“Todos precisam ser tratados. Os sentimentos de culpa, exaustão, ansiedade e medo tomam conta. Cada um tenta fazer o seu melhor… Mas para ajudar verdadeiramente o adicto, é preciso que ele(a) tenha tomado consciência da sua questão. E cada um precisa estar se cuidando e se tratando individualmente.”
As angústias e delírios de Amanda são ressaltados por uma direção e fotografia sensíveis.
“A estética da série obedece a uma lógica emocional, psicológica e sensorial”, explica Luísa Lima, diretora artística da série.
“A fotografia e os recursos de câmera evitam saltar além dos atores e dos dramas vividos. Sugerem, antes, um olhar íntimo, observador e também paranoico ou reflexivo.”
Troca com Fábio Assunção
Amanda (Letícia Colin) entre os pais Sofia (Mariana Lima) e David (Fábio Assunção) em ‘Onde Está Meu Coração’
Fábio Rocha/TV Globo
Fábio Assunção é David, pai de Amanda, personagem que teve problemas com álcool e chegou a ser internado.
Na vida real, o ator também travou uma batalha contra dependência química por anos e gravou na série no início da sua recuperação em 2019.
Ele chegou a levar Letícia Colin em uma reunião dos Narcóticos Anônimos, como parte do processo de imersão no contexto da série.
“Fábio é um ator apaixonado pelo ofício. Ele está brilhante na série, aliás como sempre. Foi incrível trabalhar com ele, um grande parceiro. Conversamos muito sobre tudo.”
‘História de uma família que tem uma desconstrução’, diz Fábio Assunção sobre ‘Onde Está Meu Coração’