Onda de calor dispara temperaturas e acelera degelo na Groenlândia

Groenlândia perdeu cerca de 11 bilhões de toneladas de gelo em apenas um dia

Groenlândia perdeu cerca de 11 bilhões de toneladas de gelo em apenas um dia

Pixabay

A onda de calor que chega ao Ártico após a passagem pela Europa levou nos últimos dias temperaturas recordes e causou uma aceleração do degelo na Groenlândia, um fenômeno que especialistas relacionam com as oscilações climáticas.

A estação do Instituto Meteorológico Dinamarquês (DMI) em Summit, no centro da camada de gelo permanente, registrou nos dois primeiros dias deste mês 2,7 graus e 4,7 graus, superando o recorde de 2012 de 2,2 graus, embora os números ainda devam ser contrastados com os da próxima estação para ser definitivo.

O calota glacial da Groenlândia perdeu na quinta-feira (01) 11 bilhões de toneladas, outro número recorde, mais do que o dobro da média diária na época de degelo, e 60% da superfície dessa camada passa por um processo de derretimento.

A Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca, vive desde abril temperaturas acima da média, o que fez com que o início da temporada de degelo, que normalmente acontece no final de maio, tenha se antecipado um mês, explicou à Efe John Cappelen, um dos climatólogos chefe do DMI.

Cappelen se mostra cauteloso na hora de explicar as causas do fenômeno e lembra que a Groenlândia já experimentou situações similares em anos anteriores.

“Temperaturas tão altas não são incomuns, ocorrem de vez em quando, se devem às oscilações climáticas”, esclareceu o especialista, que acrescentou que, embora ainda não se saiba quando acabará a temporada de degelo neste ano, não parece provável que se prolongará mais do que o habitual.

Apesar de 197 bilhões de toneladas de gelo terem derretido somente em julho na Groenlândia, Cappelen não acredita que a marca registrada em 2012 será batida, quando mais de 90% da superfície da camada de gelo permanente chegou a ser afetada pelo degelo nesse mês.

Segundo dados do Instituto Polar Dinamarquês, o processo de degelo foi sendo freado com relação ao recorde de quinta-feira passada, embora supere ainda a média habitual: no sábado derreteram 8500 milhões de toneladas e no domingo, 7600.

Atribuir este fenômeno particular aos efeitos da crise climática pode ser precipitado, adverte Cappelen.

“Não se pode determinar com exatidão, embora possa ser um sinal da mudança climática”, afirma o especialista.

A Groenlândia tem uma superfície de algo mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, dos quais cerca de 80% estão cobertos permanentemente pelo gelo.