O que se sabe sobre acusações contra Bob Dylan, que nega ter abusado de menina em 1965


Mulher hoje com 68 anos afirma, em processo judicial, ter sido abusada quando tinha 12 anos; porta-voz do cantor diz que alegações são inverídicas e serão combatidas. Bob Dylan durante show em Los Angeles em 2004
REUTERS/Rob Galbraith/Arquivo
O cantor e compositor americano Bob Dylan está sendo processado por uma mulher que alega ter sido abusada sexualmente por ele em 1965, quando ela tinha 12 anos – acusação que ele nega.
Segundo o processo judicial, Dylan teria “se aproveitado de seu status de músico para dar (a ela) álcool e drogas e abusar dela sexualmente múltiplas vezes”, também com ameaça de violência física.
Um porta-voz do cantor disse à BBC que “essa alegação de 56 anos atrás é falsa e será combatida vigorosamente”.
A mulher, que hoje tem 68 anos e mora no Estado americano de Connecticut, é identificada apenas pelas iniciais JC.
O processo afirma que o abuso ocorreu no apartamento de Dylan no Hotel Chelsea, em Nova York, durante um período de seis semanas, entre abril e maio de 1965.
Porém, do final de abril a 10 de maio, Dylan estava no Reino Unido, em uma turnê que foi documentada no filme “A Caminho do Leste”, de 1967. Segundo a cronologia A Life in Stolen Moments, feita por Clinton Heylin a respeito da trajetória de Dylan, o cantor passou nesse período pelo Reino Unido, França e Portugal, até o início de junho.
O processo judicial acusa Dylan, hoje com 80 anos, de abuso, agressão, falso encarceramento e imposição de estresse emocional, alegando que o caso provocou “severo dano psicológico e trauma emocional”. A acusação pede uma compensação (não especificada) em um julgamento com júri.
Segundo JC, Dylan promoveu “atos predatórios, sexuais e ilegais” de modo “intencional e sem o consentimento dela”.
A acusação afirma que ela sofreu em decorrência disso “grave abalo mental, angústia, humilhação e vergonha, além de perdas econômicas”.
O processo judicial foi protocolado na sexta-feira (13/8) na Corte Suprema de Nova York, sob a Lei de Vítimas Infantis. A queixa foi submetida um dia antes do fim de uma janela legal em Nova York – um prazo-limite para se pedir reparação por supostos abusos de longa data.
Dylan, cujo nome de batismo é Robert Allen Zimmerman, já vendeu mais de 125 milhões de álbuns no mundo ao longo de uma carreira de seis décadas. Também detém um Prêmio Nobel de Literatura.
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