O que se sabe até agora e o que falta esclarecer sobre a fuga de Carlos Ghosn do Japão para o Líbano


Empresário deixou o país em voo particular, que fez escala em Istambul, na Turquia. Interpol emitiu ordem de prisão contra o ex-presidente da Renault-Nissan-Mitsubishi. Ex-presidente da aliança Renault-Nissan Carlos Ghosn, em foto do dia 1º de outubro
Eric Piermont / AFP
A fuga de Carlos Ghosn, ex-presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, do Japão para o Líbano ainda não foi esclarecida. Ele estava em prisão domiciliar sob fiança desde abril de 2019 e aguardava julgamento.
As autoridades japonesas investigam como o empresário conseguiu deixar o país. O que se sabe até o momento é que o empresário, que responde a quatro acusações de crimes financeiros, fez uma escala em Istambul, na Turquia. Não há registros da saída dele na imigração do Japão.
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– Como o empresário saiu do Japão?
A emissora libanesa MTV (Murr Television) afirmou que o executivo teria saído da prisão domiciliar escondido em uma caixa de instrumentos musicais de uma banda que se apresentou em sua residência em Tóquio. A baixa estatura de Ghosn, menor que 1,70 m, facilitou o esconderijo rumo ao aeroporto. A mulher dele, Carole, afirmou à Reuters que essa versão é “ficção pura”.
Ele teria usado um jato particular que decolou do aeroporto de Kansai, no oeste do Japão. A imprensa japonesa informou que uma aeronave deste modelo teria deixado o país no dia 29 de dezembro, às 23h, em direção a Istambul. A aterrissagem teria acontecido no aeroporto de Atatürk, fechado para voos comerciais.
A Turquia lançou uma investigação sobre a fuga do empresário e sete pessoas foram presas, incluindo quatro pilotos, de acordo com a agência de notícias DHA.
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Kyodo/ Reuters
– Como Ghosn entrou no Líbano?
A presidência do Líbano informou que ele entrou legalmente no país com um passaporte francês e um documento de identidade libanês. A imprensa japonesa afirma que ele não teria usado um passaporte japonês, mas um meio “ilegal” para entrar no país.
Fontes disseram à Reuters que o empresário se encontrou com o presidente libanês, Michel Aoun, depois de deixar o Japão.
– Quantos passaportes ele tem?
Nascido no Brasil, Ghosn também tem cidadania libanesa e francesa. O empresário tem quatro passaportes (dois franceses, um libanês e um brasileiro).
Após pagar fiança e passar para a prisão domiciliar, seus passaportes passaram a ficar com os seus advogados por determinação da justiça japonesa.
Em maio, uma autorização excepcional da justiça permitiu que o empresário ficasse com um dos dois documentos franceses trancado em uma mala. A chave dessa mala, no entanto, ficava com seus advogados.
O documento servia como visto de curta duração no arquipélago e ele precisava utilizá-lo em seus deslocamentos internos.
No Japão, estrangeiros devem se deslocar com seu passaporte ou um documento de identidade fornecido por um governo. Então, em caso de um controle, o empresário deveria entrar em contato com um de seus advogados para que ele fosse encontrá-lo (e levar a chave).
A imprensa francesa ressalta que essa não era uma condição exclusiva de Ghosn, mas a todas as pessoas que estão em algum regime de liberdade condicional.
Ghosn, no entanto, não teria utilizado este segundo passaporte francês para entrar no Líbano, e sim um “meio ilegal”, de acordo com a emissora japonesa NHK.
Junichiro Hironaka, principal advogado de Carlos Ghosn, confirmou que não sabia da viagem e afirmou que soube da fuga do cliente pela televisão e que ficou perplexo com as notícias.
– Empresário pode ser extraditado para o Japão?
Em princípio, a Direção Geral de Segurança do Líbano confirmou a legalidade da entrada no país, afirmou que nenhuma medida impunha “a adoção de procedimentos contra ele” e que nada “o expõe a uma ação legal”.
Nesta quinta (2), o Líbano recebeu um mandado de prisão da Interpol. O país não tem acordo de extradição com o Japão.
A secretária de Estado da França para a Economia, Agnès Pannier-Runacher, declarou que o empresário não será extraditado se vier para o país.
“A França nunca extradita seus cidadãos, então aplicaremos a Ghosn as mesmas regras que aplicamos para todos. Não é por isso que achamos que ele não deva ser julgado pela Justiça japonesa. “Ninguém está acima da lei”, declarou, em entrevista ao canal BFMTV.
– Quando e por que Ghosn foi preso?
Carlos Ghosn foi preso no Japão no dia 19 de novembro de 2018 e, desde então, deixou a presidência do conselho das três montadoras que comandava: da Nissan, da Mitsubishi e da Renault. Ele responde a quatro acusações de crimes financeiros.
Ele foi solto sob pagamento de fiança em março de 2019, após mais de 100 dias detido, mas acabou preso novamente em abril, por novas acusações das autoridades. No mesmo mês, foi solto após pagamento de fiança de US$ 4,5 milhões, valor equivalente a R$ 17,8 milhões. E agora aguardava o julgamento, previsto para 2020.
O que se sabe sobre o caso de Carlos Ghosn
Arte/G1