O que pode ocasionar o mal súbito, como caso do atleta da canoagem?

Erlon Souza (à esq.) passou mal durante a prova de canoagem e desmaiou

Erlon Souza (à esq.) passou mal durante a prova de canoagem e desmaiou
REUTERS/Marcos Brindicci

Erlon Souza, que faz dupla com Isaquias Queiroz na canoagem, passou mal e desmaiou durante uma das provas de canoagem do sábado (27) no Pan Lima 2019, na qual eram favoritos. Segundo Alvaro Koslowski, chefe de equipe da canoagem, Erlon havia tido uma gripe na semana anterior, mas estava recuperado. O atleta passará pela comissão médica do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) para avaliação e realização de exames.

“Atletas de alta performance, como no caso de Erlon, são difíceis de apresentar desmaios em quadros de gripe que estaria curada há uma semana”, afirma o cardiologista Marcelo Sampaio, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Porém, se o canoísta ainda estivesse doente, a probabilidade seria maior.

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Sampaio afirma que em um quadro gripal ou de resfriado, há um consumo de energia elevado, aumento da frequência cardíaca, febre, queda de pressão pelo quadro infeccioso, além do mal-estar. Mediante a esses sintomas e à situação da prova, com sol e o esforço, poderia ocorrer um desmaio.

No caso de Souza, a altitude não estaria entre as causas, pois a cidade de Huacho, a 180Km de Lima, onde fica a sede da canoagem, está a 68m do nível do mar e, para que ocorram os efeitos da altitude e da pressão atmosférica, é necessário estar pelo menos a 2.200 m do nível do mar, de acordo com o médico.

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Ele explica que a concentração para a prova também poderia desencadear um desmaio, visto que, pelo esforço e atenção à competição, o atleta poderia entrar em um estado de apneia, ou seja, poderia esquecer de respirar, levando a uma queda de oxigenação, o que leva ao desmaio. “Desmaios por falta de oxigenação são comuns em levantadores de peso, que prendem a respiração e acabam desmaiando”, diz.

O nervosismo ou a ansiedade também poderiam causar um desmaio. “Mas seriam mais comuns em atletas amadores, porque não teriam a preparação psicológica”, avalia o médico. Nesses casos, seriam as sícopes vasovagais, nas quais ocorrem uma grande queda de pressão arterial e a pessoa acaba desfalecendo. 

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Outra possibilidade é a de hipertrofia cardíaca. De acordo com Sampaio, esse quadro ocorre quando o atleta tem um grande aumento da massa muscular do coração, o que pode gerar um desmaio. “Esse crescimento acomete uma área específica do coração mediante o esforço, obstruindo a passagem do sangue e podendo gerar uma parada cardíaca. Grande parte de atletas que morreram em quadras ou campos tinham esse problema”, explica.

Atletas que tenham esse problema precisam ser afastados das atividades e, assim, das competições. Entre as opções para tratamento, nesse caso, estão a cirurgia, o uso de marca-passo ou medicações específicas. Porém, ele não poderá voltar às atividades no mesmo ritmo.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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