O desafio da hora do banho para pacientes com demência



Trocar de roupa também pode ser difícil e argumentos lógicos nem sempre funcionam
A hora do banho pode se tornar uma fonte de estresse para o idoso que sofre de demência e sua família. Claro que, além do mau odor, a falta de higiene está associada ao risco de infecções urinárias e problemas de pele, mas é importante avaliar se há uma real necessidade de banho diário completo quando a pessoa apresenta restrições cognitivas.
A hora do banho pode se tornar uma fonte de estresse para o idoso
Jorge Gurvich / https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:People_in_showers#/media/File:Ncjf_shower_002.jpg
Muitos cuidadores alegam que é mais fácil quando a atividade integra a rotina, mas há algumas do site Dailycaring para tornar o ambiente aconchegante:
• Feche portas e basculantes para que o lugar tenha uma temperatura cálida.
• Diminua um pouco a luz.
• Se puder, use um fundo musical suave.
• Faça uma adaptação: use a palavra spa, ou hora do relaxamento.
Entretanto, em dias conturbados, uma alternativa é usar toalhas úmidas e mornas para limpar embaixo dos braços, virilhas, pés e genitais. Comece pelo rosto e vá descendo, deixando as partes íntimas, que são as mais críticas, por último. O idoso pode ficar coberto, enquanto o cuidador vai descobrindo apenas a parte do corpo que está sendo limpa. Depois de evacuar, é fundamental garantir a higiene do local, usando lenços umedecidos ou um chuveirinho – e não apenas o papel higiênico. Se a pessoa utilizar fraldas geriátricas, a recomendação é checar a cada duas horas se é preciso trocá-las.
As dificuldades não se restringem ao banho, porque o idoso com demência também pode se recusar a mudar de roupa. Se há perda de memória e comprometimento da capacidade de julgamento, ele não vai se lembrar que já faz um bom tempo que está vestido com as mesmas peças. Outros fatores podem contribuir para a resistência, como dores ou fadiga excessiva, que tornam a troca um processo doloroso.
No entanto, evite usar a lógica como argumento: repetir que aquela blusa ou camisa está fedendo só vai deixá-lo na defensiva. Você pode esperar que adormeça para trocá-lo, ou comprar peças iguais para que não perceba a mudança. Aliás, simplificar o guarda-roupa pode ajudar muito: cores sólidas das quais ele ou ela goste e que combinem entre si, sempre fáceis de vestir.
Assim como na questão do banho, às vezes é preciso ver a situação por uma outra perspectiva. Se a roupa não estiver suja, talvez realmente não haja necessidade de efetuar a troca. Se a vestimenta estiver confortável, ela pode ser usada de dia e servir de pijama à noite, ainda mais se o idoso não tiver ido à rua. Por fim, questione-se sobre seu próprio desconforto: talvez esteja na hora de descartar algumas convenções sociais e priorizar o bem-estar do seu ente querido.