‘O céu da meia-noite’ é filme sobre arrependimento, redenção e esperança, diz George Clooney


Nova ficção científica estrelada e dirigida pelo ator estreia nesta quarta-feira (23) na Netflix. George Clooney deu sorte. O ator terminou a gravação de “O céu da meia-noite”, novo filme que dirige e estrela, no final de fevereiro – pouco antes de praticamente todas as produções do mundo serem obrigadas a pararem por causa da pandemia de Covid-19.
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“Voltamos e eles disseram: ‘Esse negócio de Covid é bem real, e talvez tenhamos de encerrar. Mas não se preocupe, só afeta os mais velhos’. E eu falei: ‘Ah, só os mais velhos…’. E eles: ‘É. Pessoas com mais de 55 anos’. E eu: ‘O que? Mais velhos?'”, conta rindo o ator de 59 anos durante entrevista coletiva.
“Enfim, não foi muito legal para mim.”
A adaptação do livro de mesmo nome escrito por Lily Brooks-Dalton, que deve ser lançado no Brasil no primeiro semestre de 2021, estreia na Netflix nesta quarta-feira (23) após breve período nos cinemas.
Assista ao trailer de ‘O céu da meia-noite’
Dois em um
No filme, Clooney interpreta um cientista no Ártico em um futuro próximo, solitário durante uma catástrofe que dizimou a maior parte da população mundial.
Ele luta contra uma doença terminal e as forças da natureza para avisar a tripulação de uma nave espacial, prestes a retornar à Terra após a primeira viagem a uma lua habitável, que o planeta perdeu a luta pela sobrevivência.
Com isso, o público acompanha os esforços do protagonista solitário no meio do gelo e da neve ao mesmo tempo em que assiste aos astronautas superarem seus últimos desafios na volta a um lar condenado.
George Clooney em cena de ‘O céu da meia-noite’
Divulgação
Para o ator e diretor, foi como gravar dois filmes em um, já que as cenas na Terra foram rodadas primeiro na Islândia, até o fim de 2019. Já as partes espaciais, em estúdio, foram produzidas no começo de 2020.
“Foi como fazer ‘O regresso’, na primeira metade até o fim do ano passado, e então fazer ‘Gravidade’ na segunda metade”, diz Clooney.
“De certa forma, ajuda muito, se você faz o seu dever de casa e está preparado. Porque pelo menos não fica nesse vai e volta entre dois mundos diferentes, e isso seria muito mais difícil.”
Felicity Jones em cena de ‘O céu da meia-noite’
Divulgação
Vida nova
O processo ajudou também na adaptação de alguns pontos da trama que tiveram influência direta na vida real.
Depois de três semanas de gravação, enquanto o elenco de astronautas ainda não havia começado a sua parte, Felicity Jones (“Rogue One: Uma História Star Wars”), uma das protagonistas, ligou para avisar que estava grávida.
O impacto da decisão de usar a novidade na história foi além da mudança apenas na personagem, uma das principais da trama.
Com isso, a tripulação/elenco se uniu ao redor da situação, e cenas em que todos tentam encontrar um nome para o bebê foram incorporados ao roteiro.
“Inicialmente eu estava muito preocupada de que seria demitida”, diz Jones.
Kyle Chandler em cena de ‘O céu da meia-noite’
Divulgação
“E eu tenho de agradecer porque, no começo, quando tentava não parecer grávida, eu estava negando muito bolo de chocolate a mim mesma.”
A gravidez da britânica também ajudou a transformar a mensagem de “O céu da meia-noite”.
“Para mim, isso de repente tornou tudo infinitamente mais esperançoso. Há uma luta real pela noção se esse negócio de humanidade vale o esforço”, afirma Clooney.
“Sem os últimos 5 minutos, é um filme sobre, de muitas formas, arrependimento, por causa do meu personagem, mas ele consegue redenção. Acho que redenção é uma coisa muito importante que nos domina e que nos dá esperança. Então acho que é um filme muito esperançoso. Todos nós sentimos que a Felicity, e tudo o que ela estava passando, nos uniu, e ajudou a passar esse sentimento.”
George Clooney em cena de ‘O céu da meia-noite’
Divulgação