Novo diretor de Pesquisas do IBGE diz que propôs reduzir número de perguntas no Censo 2020


Eduardo Rios-Neto, que assumiu o cargo no início do mês, afirmou que proposta levada ao conselho consultivo não levou em conta corte orçamentário. Novo diretor de pesquisas do IBGE, Eduardo Rios-Neto
Larissa Caetano/G1
O novo diretor de Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Rios-Neto, disse nesta segunda-feira (27) que apresentou uma proposta ao conselho consultivo com alterações para o Censo 2020, com a redução do número de perguntas. Rios-Neto afirmou que o foco será na “celeridade” e que não levou em conta um possível corte orçamentário.
“O modelo está muito próximo do fecho. É mais ajuste. Foi uma questão mais de redução do que de ampliação. É uma questão de adaptação de quesitos, bem técnico. Serão ajustados por uma questão de operacionalidade”, disse Rios-Neto. “Número exato não há. Houve uma redução, mas não é cabalístico.”
O colunista Bernardo Mello Franco, do jornal O Globo, publicou que a proposta apresentada ao conselho foi para a redução de 37% das perguntas do Censo. Segundo a reportagem, o questionário completo seria reduzido de 112 para 70 perguntas e o básico, de 37 perguntas para apenas 27 – redução de 27%.
O diretor de Pesquisas disse que vai esperar a resposta do corpo técnico, ao qual a proposta será submetida, antes de divulgar os detalhes da proposta, o que deve ocorrer em “dois ou três dias”.
“Eu tive liberdade total, autonomia técnica. O que é de corte, sem entrar em detalhes, é totalmente convicto no objetivo de ampliar a cobertura do Censo”, disse Rios-Neto. “Vocês podem podem me processar se for mentira. Eu não estou levando em conta nenhum número financeiro. Não está definido [o corte orçamentário]. Se está, não é do meu saber. ”
Sobre a apresentação ao conselho consultivo, ele citou um “ranger de dentes” de participantes.
“Ranger de dentes faz parte. Eu estou muito tranquilo que o produto presenteado reflete o trabalho do IBGE e os limites do possível a partir do que foi apresentado no conselho consultivo. Eu estou confiante (…) Foi uma reunião intensa, produtiva, respeitosa e agregadora. Eu ainda vou ter que fazer o rescaldo, consolidar a ata. Alternativas foram colocadas, mas é prematuro entrar em detalhes. Eu tenho a obrigação de retornar a informação para a equipe técnica antes de passar para a imprensa”, disse, Rios-Neto, que assumiu o cargo no início do mês após a exoneração de Cláudio Dutra Crespo.
Orçamento
Realizado a cada dez anos, o Censo Demográfico tem abrangência nacional. Os pesquisadores do IBGE visitam os domicílios pelo país para obter dados sobre as características dos moradores, nível de estudo, trabalho, entre outras informações.
A última edição do Censo foi em 2010. O IBGE estima que a população tenha aumentado em cerca de 10,4% desde então.
Em abril, o IBGE chegou a falar em queda de 25% do orçamento previsto para a pesquisa, que inicialmente era de R$ 3,1 bilhões. Depois, no entanto, a presidente do instituto, Susana Cordeira Guerra, disse que o tamanho do corte ainda não estava definido.
Desde fevereiro, o governo tem defendido a necessidade de se reduzir o orçamento para a pesquisa. O ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou a intenção de “simplificar o Censo”. Para ele, o mapeamento da população brasileira precisa apenas do essencial no questionário, para que pesquisadores passem menos tempo em campo.
Na época, o ex-presidente do IBGE Eduardo Pereira Nunes defendeu que o corte de perguntas não reduz os custos. Para Nunes, o que encarece a pesquisa é o deslocamento a lugares remotos.