Nova Fiat Strada Endurance x Fiat Strada Hard Working: comparativo


G1 comparou as duas gerações voltadas para o trabalho da picape mais vendida do Brasil. A antiga é uma derivação da primeira Strada, lançada em 1998. Fiat Strada Endurance e Hard Working
André Paixão/G1
As duas Fiat Strada das fotos desta reportagem foram produzidas em 2020 e são vendidas como veículos 0 km. Só que elas também estão separadas por duas décadas.
A picape prata, mais mirrada, é uma Hard Working da primeira geração, uma evolução da Strada original, lançada ainda no final dos anos 90.
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Já o modelo cinza, mais encorpado, é uma Endurance de segunda geração, que acaba de chegar às lojas como um dos principais lançamentos automotivos do ano.
Nessas configurações, a Strada tem como maior público empresas e frotistas. Suas vendas são majoritariamente para quem vai usar o carro para o trabalho pesado.
Versões de trabalho
Fiat Strada Endurance e Hard Working
Guilherme Fontana/G1
Por isso, os preços de tabela, de R$ 61.590 para a Hard Working, e de R$ 63.590 para a Endurance, não devem ser considerados tão relevantes.
Os valores mais próximos da realidade são aqueles aplicados para quem tem uma empresa aberta e usa o CNPJ na compra. Nesse caso, a rede Fiat vende a “antiga” Strada com 19% de desconto, que faz o valor de tabela cair para alto em torno de R$ 49.900.
Já a novidade, Endurance, tem desconto menor, de 16%, fazendo com que seu valor final chegue a R$ 53.400.
Isso significa que a diferença entre elas é razoavelmente pequena: R$ 3.500. No varejo, a diferença é ainda menor, de R$ 2 mil. Mesmo assim, a Fiat aposta que a veterana continuará tendo seu público cativo, com cerca de 10% das vendas entre todas as versões da Strada.
Fiat Strada Endurance e Hard Working
André Paixão/G1
Tabela de concorrentes da Fiat Strada
Arte: Wagner Magalhães/G1
Herança indesejada
Para mostrar se faz sentido economizar uma grana e levar para casa o modelo antigo, o G1 resolveu comparar os dois modelos. Como a Fiat não dispunha da Hard Working em sua frota para a sessão de fotos, a solução foi alugar uma unidade.
Uma das boas novidades da nova Strada, como o G1 já mostrou, é o motor 1.3 Firefly, de 109 cavalos e 14,2 kgfm.
Mas não se empolgue. Ele só está disponível a partir da versão Freedom. Na configuração de entrada, Endurance, o comprador terá que se contentar com o antigo 1.4 Fire, exatamente o mesmo motor presente no cofre da antiga Hard Working.
Motor da Strada Endurance é o mesmo 1.4 da antiga Strada Hard Working
André Paixão/G1
Apesar da conhecida robustez, seus números não empolgam. São 88 cv e 12,5 kgfm. Ainda assim, a nova Strada consegue ser um pouco mais rápida e econômica do que a antiga.
De acordo com números de fábrica, ela acelera de 0 a 100 km/h em 12,3 segundos, só 0,1 s mais rápida do que a antiga Hard Working.
Na prática, essa diferença é imperceptível, e as duas andam lado a lado. Vazias, as picapes até mostram certa agilidade no uso urbano. Mas falta força nas retomadas. A vida ainda fica mais complicada quando a caçamba está carregada. Aliás, a capacidade de carga é assunto para daqui a pouco.
O consumo é um pouco mais animador, mas ainda pior do que a Strada cabine simples com motor 1.3, como mostra a tabela abaixo:
Consumo da Fiat Strada
Outra “herança” indesejada que a Strada Endurance carrega é a direção hidráulica, pesada nas manobras em baixa velocidade. Novamente, o “privilégio” de ter algo mais moderno, no caso uma assistência elétrica, só existe para quem investe mais e opta pelas versões Freedom ou Volcano.
Doadores de peças
A nova Strada compartilha componentes com alguns outros carros da Fiat. Visualmente, o maior “doador” de peças foi o Mobi. Para a carroceria, o subcompacto cedeu para-brisa e portas.
As portas, inclusive, são bem menores do que as da antiga Strada. A solução para deixar o visual harmônico foi a instalação de um vidro vigia logo após o banco do motorista.
Portas vindas do Mobi fizeram com que a Fiat incluísse um vidro vigia na Strada Endurance
André Paixão/G1
O espaço extra também ajudou a “matar” a antiga cabine estendida, que oferecia 300 litros atrás dos bancos.
Já no interior, Mobi e Strada compartilham volante, alavanca de câmbio e quadro de instrumentos. Mesmo assim, o visual é mais bem resolvido do que no subcompacto.
Só não dá para esperar qualquer sinal de sofisticação no acabamento. O material dominante na cabine é o plástico rígido preto. Ao menos, não há rebarbas e peças mal encaixadas.
O mesmo não pode ser dito da antiga Hard Working, cuja tampa do porta-luvas tinha folgas indecentes. Aqui, a Fiat merece o benefício da dúvida, afinal a unidade avaliada era alugada.
Acabamento da antiga Strada Hard Working deixa a desejar
André Paixão/G1
Além do acabamento, a nova Strada melhorou também no nível de equipamentos – ainda que muitos deles sejam opcionais. É o caso da central multimídia que habita o centro do painel, item que só existia em carros de muito luxo no final dos anos 1990, quando a picape nasceu.
Na Strada do século 21, o item é até vanguarda. É o primeiro modelo do Brasil a oferecer espelhamento de celular sem fio – isso vale para Android Auto e Apple CarPlay. Ao menos em teoria, pois durante o teste, com mais de um aparelho, a conexão só foi possível usando o bom e velho cabo.
Central multimídia da nova Fiat Strada pode conectar Android Auto e CarPlay sem fio
Marcelo Brandt/G1
De qualquer forma, o aparelho tem uma nova interface, com uma das operações mais simples entre os modelos oferecidos atualmente. Sua tela de 7 polegadas também tem boa resolução.
No caso da Strada Endurance, a central só está disponível em um pacote de R$ 3.490 que também inclui sensores e câmera de ré, entrada USB, quadro de instrumentos com tela de 3,5 polegadas e alto-falantes. Veja abaixo a lista com os outros itens vendidos à parte na Endurance:
Pack Worker – R$ 2.500: Alarme, vidros e travas elétricos, brake light, fechadura elétrica na caçamba, comando interno de abertura da tampa do tanque de combustível e banco do motorista com regulagem de altura;
Pack Audio – R$ 1.500: rádio, alto-falantes, entrada USB e volante com comandos de som;
Protetor de cárter – R$ 200
Capota marítima – R$ 800
Calotas – R$ 150
De série, ela traz ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, controle de estabilidade (agora obrigatório por lei em novos projetos), assistente de partida em rampas e volante com regulagem de altura.
Adicionando todos os itens, a Strada Endurance passa a custar, no varejo, mais de R$ 70 mil, superando até os R$ 69.490 da Freedom com motor 1.3, colocando em xeque sua rentabilidade.
Na comparação com a nova Strada, a veterana Hard Working só não oferece controle de estabilidade e assistente de partida em rampas. Fora isso, tem os mesmos itens de série, e também oferece o Pack Worker (R$ 2.500) como opcional.
Fiat Strada Endurance
Guilherme Fontana/G1
Companheira de jornada
Mas as semelhanças vão se esgotando. A vida de quem terá na nova Strada uma companheira de jornada também promete ser mais fácil.
Principalmente na hora de carregar e descarregar a caçamba. A Fiat instalou um mecanismo que reduz o esforço para abrir e fechar a tampa. É um sistema semelhante ao que a rival, Volkswagen Saveiro já usa há anos.
Uma pequena luz auxiliar na caçamba também ajuda a melhorar a visão em ambientes mal iluminados. Uma falha é a ausência do vidro basculante na janela traseira.
As duas décadas entre as gerações da Strada também mostram como a ergonomia evoluiu com o passar dos anos.
Isso vale para principalmente para os comandos de ventilação e as saídas de ar, antes localizados em posição muito baixa.
Fiat Strada Endurance
Divulgação/Fiat
A coluna do motorista que passa o dia dirigindo também irá “agradecer” pelos novos bancos, muito mais confortáveis.
A própria posição de dirigir, que antes exigia certo contorcionismo do motorista, por ter pedais levemente desalinhados com o banco e o volante, foi aprimorada. O assento está em posição mais baixa e alinhado com os demais elementos.
Fiat Strada Endurance e Hard Working
Guilherme Fontana/G1
Mesmo a porta menor, além de ser mais leve, ainda ajuda na hora de encontrar o cinto de segurança. Tudo sem comprometer o acesso. Dentro da cabine, o espaço também melhorou.
Parte do espaço que era “roubado” pelo estepe agora ficou livre para acomodar outros objetos. O pneu sobressalente agora só pode ser alocado abaixo da caçamba – e a Fiat garante que reforçou os mecanismo antifurto.
São 75 litros extras, chegando a 150 litros – razão pela qual o marketing da fabricante resolveu chamar a cabine simples de “Plus”.
Fiat Strada Endurance e Hard Working
André Paixão/G1
Plus mesmo é o tamanho da caçamba. O compartimento acomoda 1.354 litros, 234 a mais do que na Strada veterana. Além do volume, a capacidade de carga cresceu de 705 kg para 720 kg.
Entre suas rivais, Volkswagen Saveiro e Chevrolet Montana, a Strada é a que possui a caçamba mais espaçosa com larga vantagem. Compare com as rivais:
Volumes e capacidades de carga das picapes compactas
Falando em rivais, se a Strada de 2 décadas já dominava o segmento das picapes pequenas, uma nova geração, mais moderna e com caçamba maior tem tudo para aumentar o reinado.
Principalmente porque ela ainda custa menos do que suas concorrentes.
A Saveiro mais simples, Robust, custa R$ 57.390, mas não possui ar-condicionado, direção hidráulica, vidros ou travas elétricos. Todos esses itens são vendidos em um único pacote, que faz a conta subir para R$ 65.430, ainda mais do que os R$ 66.090 da Strada equivalente em equipamentos.
Considerando valores para empresas ou frotistas, a tabela é de R$ 45.338 na configuração básica e R$ 51.689 com o pacote opcional.
Já a Montana parte de R$ 60.990, mas só traz direção hidráulica de série. Para adicionar ar-condicionado, vidros e travas elétricos, é preciso incluir um pacote que custa R$ 8.860, que faz o valor subir para R$ 69.850.
Os preços para empresas e frotistas, no caso da picape da Chevrolet são R$ 52.510 e R$ 59.908, respectivamente.
Conclusão
Fiat Strada Endurance e Hard Working
Guilherme Fontana/G1
Mesmo se a Fiat não tivesse mexido em um parafuso, a Strada continuaria sendo um sucesso.
Ao fazer as mudanças mais do que necessárias, a fabricante trouxe a picape para o século 21. Dessa forma, não há mais sentido manter em linha uma versão da primeira geração. Principalmente quando a diferença de preços é tão pequena.
De quebra, a nova Strada também acaba com qualquer chance de triunfo da concorrência na parte de baixo do segmento.
Ainda que tenha um motor antigo e cobre por diversos itens bacanas, a Strada Endurance é a melhor opção para quem precisa de um carro para o trabalho.
Fiat Strada Endurance e Hard Working
Guilherme Fontana/G1
Fiat Strada Endurance e Hard Working
Guilherme Fontana/G1
Fiat Strada Endurance
André Paixão/G1
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