Música das cinzas: Filme mostra instrumentos feitos com madeira que resistiu ao fogo no Museu Nacional


Documentário da GloboNews ‘Fênix: o voo de Davi’ estreia neste domingo (29) na TV em streaming, com história de bombeiro e luthier que criou instrumentos após incêndio de 2018. Imagem do filme ‘Fênix: o voo de Davi’
Divulgação / GloboNews
Davi Lopes fica tenso quando Gilberto Gil pega um violão construído por ele para tocar em uma cena de “Fênix: o voo de Davi”. O documentário da GloboNews conta a história do bombeiro, músico e luthier que construiu instrumentos musicais com a madeira que resistiu ao fogo no Museu Nacional.
Gil se encanta com a história deste símbolo de resistência e renascimento após o incêndio. E mais: aprova a construção e o som do instrumento – para alívio de Davi, que ouve satisfeito o ídolo tocar seu violão. O filme estreia neste domingo (29) na GloboNews, às 23h, e em streaming no Globoplay.
O trabalho de Davi é acompanhado há três anos. O suboficial do Corpo de Bombeiros foi um dos profissionais chamados na noite de 2 de setembro de 2018 quando um incêndio tomou conta do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio.
Davi Lopes em imagem do filme ‘Fênix: o voo de Davi’
Divulgação / GloboNews
“No dia 13 de setembro de 2018, 11 dias depois do incêndio no Museu, o Davi mandou quatro mensagens de áudio. Eu já o conhecia desde 2016, quando descobri o trabalho dele em uma reportagem publicada no jornal ‘O Globo’. Nos áudios, o Davi descrevia a ideia de transformar as madeiras queimadas em instrumentos musicais”, diz o diretor do filme, Vinícius Dônola.
No meio da tristeza e da cinzas, a história do bombeiro soa como um alento. A perda é irreparável. Mas quando ele pega nos restos queimados de madeira, que parecem só carvão, percebe que lá de dentro podem sair instrumentos.
Davi já sabia, antes da tragédia no Museu Nacional, construir violinos, violões e bandolins com restos de madeira coletados em escombros, pedaços de móveis e vigas queimadas.
Davi Lopes e Gilberto Gil em ‘Fênix: o voo de Davi’
Divulgação / GloboNews
Assim, uma das portas do Torreão Sul, que já serviu de aposento de D. Pedro II, virou parte de um cavaquinho, um bandolim e um violino. Restos da porta da bilheteria do Museu, de jacarandá, viraram laterais de dois violões.
O documentário, que faz parte das celebrações de 25 anos da GloboNews, tem uma equipe de luxo para testar os instrumentos: Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Paulinho Moska, Nilze Carvalho e Felipe Prazeres.
“Todos os músicos que contatamos, sem exceção, ficaram encantados”, diz o diretor. Hamilton de Holanda disse que o bandolim era “uma ‘máquina do tempo’ que o conectou a outras eras”, conta Vinícius.
“Eu pude presenciar o encantamento de cada artista ao tirar o som do instrumento, como que recebendo um bebê recém-nascido no colo”, diz da Fátima Baptista, chefe de redação da GloboNews, que supervisionou o projeto.
Davi inspira e representa otimismo e regeneração, mas num cenário que segue difícil – vide o incêndio há um mês na Cinemateca. Qual é a importância de contar histórias assim? “Otimismo pelo potente exemplo do Davi. Mas o filme traz, sobretudo, um alerta sobre a ação do descaso na cultura nacional e sobre o nosso papel, como imprensa, de denunciar e cobrar providências do poder”, conclui Fátima.
Davi Lopes e Paulinho Moska em ‘Fênix: o voo de Davi’
Divulgação / GloboNews