Mourão diz que governo ‘falhou’ na comunicação e está na ‘defensiva’ em temas ambientais

Vice-presidente da República participou de sessão sobre o tema no Senado. Segundo ele, Brasil deve mostrar resultados para ‘contra-atacar’ e liberar R$ 2,8 bilhões do Fundo Amazônia. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta terça-feira (14) que o governo “perdeu o controle da narrativa” e está na “defensiva” quanto às questões ambientais e à alta do desmatamento registrada na Floresta Amazônica. Segundo ele, a comunicação do governo “falhou” desde o ano passado.
Mourão, que coordena o Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL), participou de uma sessão de debates do Senado para discutir a situação da região. O senador Oriovisto Guimarães (Pode-PR) afirmou na audiência que o problema da imagem do Brasil em relação a outros países é “agravado pelo desmatamento e pelas queimadas”. “Minha sugestão é melhorarem a comunicação”, ponderou o parlamentar.
O vice-presidente respondeu ao senador que o Brasil precisa dar o “contra-ataque”, reverter a “guerra comercial” e viabilizar, por exemplo, investimentos estrangeiros destinados à preservação da Amazônia.
“A nossa comunicação, ela falhou desde o ano passado. Isso é uma verdade nua e crua. Perdemos o controle da narrativa e estamos, desde então, na defensiva. Os nossos números, de uma forma macro, eles são muito bons, quando a gente toca em área que nós utilizamos para agropecuária, pela preservação da vegetação original”, explicou Mourão.
Segundo o vice, a guerra comercial citada por ele colocou o país na defensiva, e é preciso apresentar resultados para responder às reclamações.
“[…] Porque nós, o Brasil, temos os melhores números em termos de proteção ambiental. Nós temos essa capacidade. Mas, no presente momento, usando uma linguagem de lutador, nós fomos jogados nas cordas e para sair das cordas temos que apresentar resultados”, concluiu.
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Na semana passada, o Inpe divulgou que junho teve o maior número de alertas de desmatamento para o mês em toda a série histórica, iniciada em 2015. No acumulado do semestre, os alertas indicam devastação em 3.069,57 km² da Amazônia, aumento de 25% em comparação ao primeiro semestre de 2019. Só em junho, a área de alerta foi de 1.034,4 km².
Fundo Amazônia
Mourão também comentou a paralisia da aplicação dos recursos do Fundo Amazônia, que são enviados pela Europa para investimentos em projetos no bioma. Segundo o vice-presidente da República, há R$ 2,8 bilhões parados à espera da redução dos índices de desmatamento.
Criado em 2008, o fundo capta doações e financia projetos de estados, municípios e da iniciativa privada para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. A Noruega e a Alemanha contribuem juntas com mais de 90% do total do fundo, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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“A liberação dos recursos do fundo está ligada à queda do desmatamento, das queimadas. Será preciso reverter a curva do desmatamento nos próximos meses para desbloqueio dos recursos do fundo que estão parados, da ordem dos R$ 2,8 bilhões, fora o que renderam no BNDES. Estamos explorando alternativas de financiamento, outras fontes aguardam a reversão dessa tendência. Temos sinalizações do Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos”, disse.