Morre Jerry Cobb, primeira mulher candidata a astronauta aprovada pela NASA


Apesar de selecionada, ela acabou nunca realizando seu grande sonho. ‘Eu daria a minha vida para voar no espaço, eu realmente daria’, disse, em sua última tentativa de participar de uma missão, aos 67 anos. Jerry Cobb se prepara para operar o Multi-Axis Space Test Inertia Facility (MASTIF) no Centro de Pesquisas Lewis, em Ohio, durante treinamento para astronautas da NASA, em 1960
NASA via AP
A primeira candidata a astronauta na América, a piloto Jerry Cobb, que pressionou pela igualdade no espaço, mas nunca chegou até ele, morreu.
Cobb morreu na Flórida aos 88 anos em 18 de março, após uma breve doença. A notícia da sua morte só foi divulgada na última quinta-feira (18) pelo jornalista Miles O’Brien, servindo como porta-voz de sua família.
Em 1961, Cobb se tornou a primeira mulher a passar no teste de astronautas. Ao todo, 13 mulheres passaram no árduo teste físico e ficaram conhecidas como Mercury 13. Mas a NASA já tinha seus astronautas Mercury 7, todos pilotos de testes de jatos e todos militares.
Nenhuma das Mercury 13 chegou ao espaço, apesar do testemunho de Cobb em 1962 perante um painel do Congresso.
“Buscamos, apenas, um lugar no futuro espacial de nossa nação sem discriminação”, disse ela a um subcomitê especial da Câmara sobre a seleção de astronautas.
Em vez de fazer dela uma astronauta, a NASA a chamou como consultora para falar sobre o programa espacial. Ela foi dispensada uma semana depois de comentar: “Sou a consultora mais não consultada de qualquer agência governamental”.
Jerry Cobb com modelos de foguetes em uma conferência em Tulsa, Oklahoma, em 26 de maio de 1961
AP Photo/William P. Straeter
Ela escreveu em sua autobiografia de 1997 “Jerrie Cobb, Solo Pilot”, “Meu país, minha cultura, não estava pronto para permitir que uma mulher voasse no espaço”.
Cobb serviu por décadas como piloto de ajuda humanitária na selva amazônica.
“Ela deveria ter ido ao espaço, mas transformou sua vida em um serviço de bondade”, tuitou Ellen Stofan, diretora do Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian Institution e ex-cientista da Nasa.
A União Soviética acabou por colocar a primeira mulher no espaço em 1963: Valentina Tereshkova. A NASA não enviou uma mulher ao espaço – Sally Ride – até 1983.
Cobb e outras membros sobreviventes do Mercury 13 participaram do lançamento do ônibus espacial de 1995 de Eileen Collins, a primeira piloto espacial da NASA e, mais tarde, sua primeira comandante espacial feminina.
“Jerrie Cobb serviu de inspiração para muitos de nossos membros em sua quebra de recordes, seu desejo de ir para o espaço e simplesmente de provar que as mulheres podiam fazer o que os homens podiam fazer”, disse Laura Ohrenberg, gerente da sede em Oklahoma City do Ninety -Nines Inc., uma organização internacional de mulheres licenciadas pilotos.
Ainda esperançosa, a Cobb ressurgiu em 1998 para tentar outra vez ir ao espaço, quando a Nasa se preparava para lançar o astronauta da Mercury, John Glenn – o primeiro americano a orbitar o mundo – na Discovery, aos 77 anos.
Cobb alegava que o estudo espacial geriátrico também deveria incluir uma mulher mais velha.
“Eu daria a minha vida para voar no espaço, eu realmente daria”, disse Cobb à Associated Press, aos 67 anos, em 1998. “É difícil para mim falar sobre isso, mas eu o faria. Eu daria naquela época e eu daria agora”.
Jerry Cobb observa réplica da cápsula que levou Alan Shepard ao espaço em uma conferência em Tulsa, Oklahoma, em 26 de maio de 1961
AP Photo/William P. Straeter
“Só não deu certo antes, e agora eu espero e rezo”, acrescentou.
Mas não funcionou. A NASA nunca enviou outra pessoa idosa ao espaço, homem ou mulher.
Geraldyn Cobb nasceu em 5 de março de 1931, em Norman, Oklahoma, a segunda filha de um piloto militar e sua esposa. Ela voou no cockpit do avião de seu pai aos 12 anos e obteve sua licença de piloto privado quatro anos depois.
A história das Mercury 13 é contada em um documentário recente da Netflix e uma peça baseada na vida de Cobb. “Eles prometeram a ela a lua”, está atualmente em cartaz em San Diego.
Em sua autobiografia, Cobb descreveu como ela dançou nas asas de seu avião no luar amazônico, quando soube pelo rádio, em 20 de julho de 1969, que Neil Armstrong e Buzz Aldrin, da Apollo 11, haviam pousado na lua.
Ela escreveu: “Sim, eu gostaria de estar na lua com meus colegas pilotos, explorando outro corpo celestial. Como eu adoraria ver o nosso lindo planeta azul Terra flutuando na escuridão do espaço. E ver as estrelas e galáxias em seu verdadeiro brilho, sem o filtro da nossa atmosfera. Mas eu estou feliz voando aqui no Amazonas, servindo meus irmãos. “Contenta, Señor, contenta.” (Estou feliz, Senhor, feliz.)