Missão da Nasa detecta primeiro ‘choque’ de partículas interplanetário


Magnetospheric Multiscale, projeto da agência espacial que estuda campos magnéticos, foi lançada há 4 anos. Ventos solares são partículas que saem constantemente do Sol
A Missão Magnetospheric Multiscale (MMS, em inglês) detectou seu primeiro choque interplanetário, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (8). Essas interações não têm uma colisão – são partículas que transferem energia por meio dos campos magnéticos.
Supernovas, buracos negros e estrelas distantes também têm esse tipo de interação. Inclusive, esses choques sem colisão começam no Sol, que constantemente emite o vento solar, fluxo de partículas feito basicamente de prótons e elétrons.
Animação da Nasa mostra ventos solares do nosso Sistema
Nasa
O vento solar pode ser mais lento ou mais rápido. Quando um fluxo mais ágil ultrapassa o mais devagar, cria uma onda de choque – mais ou menos quando um barco ultrapassa uma onda, por exemplo.
A missão da agência espacial americana (Nasa) conseguiu medir a colisão dessas partículas com a ajuda de dois instrumentos de alta resolução. Eles medem íons e elétrons em uma frequência de até seis vezes por segundo – as ondas de choque podem passar pela nave espacial em apenas meio segundo.
No ano passado, a MMS anunciou que descobriu o processo importante que explica o destino da energia dos campos magnéticos que envolvem a Terra. A energia é transferida para partículas, criando jatos de elétrons. Os achados foram publicados na revista “Nature”.
Ilustração mostra corrente elétrica (parte brilhante) em campo magnético. Campo terrestre transforma vento solar em rajadas de elétrons
Colby Haggerty/Universidade de Chicago e Tulasi Parashar/Universidade de Delaware
Os campos magnéticos ao redor da Terra protegem o planeta do vento solar. Essas correntes, também chamadas de plasma, eram transferidas para algum lugar, mas até agora os cientistas não sabiam exatamente como.
Períodos intensos de vento solar também causam “tempestades magnéticas” na Terra que perturbam satélites de GPS e de comunicações terrestres. Por isso, a contribuição do fenômeno é tão importante e deve ser estudada, dizem pesquisadores.