Ministro nega interferência no Enem e atribui debandada de servidores do Inep a discussão sobre gratificação

Funcionários relataram ao g1 pressão ideológica no processo de formulação da prova. Ao comentar a situação, Bolsonaro disse que as questões do Enem “começam agora a ter a cara do governo”. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, negou nesta terça-feira (16) haver interferência do governo na elaboração do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e atribuiu os pedidos de demissão em massa de servidores do Inep com o pagamento de gratificações.
Nos últimos dias, 37 servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) pediram para deixar os cargos ou funções comissionadas que ocupam no instituto.
Parte deles relata ter havido tentativa de interferência política na formulação do Enem 2021 para evitar questões polêmicas que eventualmente incomodariam o governo Bolsonaro, conforme mostrou o g1.
“Bom, aí entra outro assunto. Entra um grupo, que é um grupo de funcionários, um colegiado, um colegiado de bons funcionários públicos do Inep, e que tiveram lá uma discussão a respeito de uma gratificação a mais. Essa é a questão. Esse é um assunto que é administrativo. Não tem nada a ver com prova do Enem”, disse Ribeiro ao ser questionado sobre a debandada de servidores.
Segundo ele, a crise vivida no instituto não tem relação com a prova do Enem.
“Então, quando a gente vê toda essa discussão às vésperas do Enem, nada com educação, nada com as provas, tudo a ver com a questão administrativa, de pagamento ou não de gratificação”, disse.
Ribeiro afirmou ainda que nem ele nem o presidente do Inep e, “muito menos o presidente da República”, teve acesso às provas.
Na segunda-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro, ao ser questionado sobre a debandada no Inep, disse que as questões do Enem “começam agora a ter a cara do governo”.
“Nem o presidente do Inep, muito menos o presidente da República, que a rigor nós três somos autoridades, respondemos, poderíamos até ter acesso às provas. Nenhum de nós teve acesso. Nenhum de nós escolheu pergunta alguma ou determinamos. Se vocês me perguntarem hoje: qual é que o tema da redação? Vou ficar devendo pra vocês”, afirmou.