Ministro faz ‘visita-relâmpago’ ao Inpe antes de embarque do Cbers-4A à China


Equipamento vai deixar o Brasil no próximo dia 10. Em São José, astronauta defendeu durante o encontro com pesquisadores, a necessidade de ampliar investimentos em ciência no país. Ministro Marcos Pontes faz visita ao laboratório do Inpe
Poliana Casemiro/G1
Em ‘visita-relâmpago’ ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), o ministro Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, esteve nesta sexta-feira (26) no laboratório de testes do instituto. No local são feitos os últimos ajustes antes do embarque do satélite Cbers-4A à China – previsto para o próximo dia 10. O equipamento vai ser lançado até o fim deste ano.
O astronauta aproveitou a passagem pelo instituto, que é referência em pesquisa no país, para defender a necessidade de ampliação de investimentos no setor que comanda. A pasta vem enfrentando cortes e contingenciamentos desde 2015. Só neste ano, segundo ele, de mais de 40%.
A escassez de recursos, inclusive, atrasou a colocação em órbita do satélite construído em parceria com a China. A previsão era que tivesse sido lançando em 2018.
Na visita que durou menos de 1 hora, a partir das 13h, além de defender a importância dos investimentos no programa Cbers, que existe desde 1988, o ministro disse que vem pedindo ‘socorro’ à ala econômica do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para garantir investimentos em ciência.
“Os serviços atrelados à tecnologia são importantes para o dia dia das pessoas . O investimento é pequeno pelo retorno que isso traz para as pessoas e economia do país”, disse.
O Cbers, por exemplo, faz trabalhos como monitoramento de desmatamento na Amazônia, mapeamento de queimadas, e fornece dados à agricultura. O modelo que vai ser lançado custou cerca de R$ 400 milhões ao Brasil.
Satélites Cbers 4A é testado no laboratório do Inpe
André Luís Rosa/TV Vanguarda
Prioridades
Diante do risco com corte de veba, Pontes disse que a pasta trabalha em um mapeamento de prioridades para a aplicação dos recursos já liberados. No Vale do Paraíba são eles:
um novo supercomputador ao Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), em Cachoeira Paulista (SP). O atual, usando na previsão do tempo, opera em ‘sobrevida’ há seis anos;

Centro de Monitoramento a Desastres e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em São José dos Campos, por meio de projeto para transformá-lo em um centro de produção de tecnologia em sua área;

garantir o funcionamento do núcleo de pesquisas do Inpe por meio da contratação de pessoal e busca de melhoria nas bolsas de pesquisas já existentes;
Sobre o supercomputador, o astronauta disse que já alertou o setor econômico duas vezes sobre os riscos da máquina parar de funcionar. “É algo que preocupa ele. Imagine se um dia a gente acorda e ele parou?”, questionou. O recurso necessário para manutenção emergencial da super-máquina é de R$ 120 milhões.
Já sobre o efetivo do Inpe, cuja redução é considerada uma ameaça ao órgão, a abertura de vagas vem sendo pedida pelos reitores desde 2012. O instituto, que já chegou a ter 1,6 mil servidores, tem atualmente cerca de mil e há projeção de redução de 60% até 2020 por causa das aposentadorias.
Supercomputador Tupã opera desde 2010 e funciona com ‘sobrevida’
Reprodução/TV Globo