Ministro diz que decisão sobre valor e momento para reajuste do diesel é da Petrobras

Bento Albuquerque (Minas e Energia) deu declaração após se reunir com Bolsonaro, ministros e chefe da Petrobras. Na semana passada, presidente mandou empresa suspender alta no diesel. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou nesta terça-feira (16) que a Petrobras é a responsável por definir o momento e o valor do reajuste no preço do óleo diesel.
Bento Albuquerque deu a declaração em uma entrevista coletiva após participar de uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Jair Bolsonaro, outros ministros e o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para discutir a política de preços de combustíveis.
Na semana passada, a Petrobras anunciou reajuste de 5,7% no preço do diesel, mas Bolsonaro determinou a suspensão do reajuste.
“Vai ser mantido? Não vai ter o aumento? Esses 5,7% vão vir em algum momento? Em qual momento?”, indagou uma jornalista ao ministro de Minas e Energia.
“Quem vai decidir o momento e o valor vai ser a Petrobras”, respondeu Bento Albuquerque.
A intervenção de Bolsonaro fez as ações da empresa caírem 8% e, com isso, a Petrobras perdeu R$ 32,4 bilhões em valor de mercado.
De acordo com Bento Albuquerque, se a Petrobras decidir reajustar o diesel, o aumento incidirá sobre uma parcela de 54% do preço. Segundo ele, os demais 46% correspondem a tributos.
“É ela [Petrobras] quem tem que decidir. É realmente independente para estabelecer o preço do petróleo”, declarou o ministro da Economia, Paulo Guedes, em outro momento da entrevista coletiva.
‘Dimensão política’
De acordo com os ministros Paulo Guedes e Bento Albuquerque, a reunião desta terça-feira no Planalto serviu para Bolsonaro saber como funciona a política de preços de combustíveis.
Na opinião de Paulo Guedes, é “natural” que o presidente da República tenha “preocupação” com reajustes nos combustíveis porque precisa pensar na “dimensão política” desse tipo de decisão.
Isso porque, enfatizou o ministro, os caminhoneiros fizeram uma greve no ano passado que resultou na falta de gasolina em postos de combustíveis; de querosene em aeroportos; de produtos em supermercados.
Sobre a política de preços, Paulo Guedes afirmou ser preciso dar mais “transparência” à forma como são calculados os reajustes.
Diante disso, afirmou o ministro da Economia, eventual reajuste “não pode ser diário” porque “tudo isso está na consideração” de Bolsonaro.
“Tudo isso foi conversado, a Petrobras tem que trabalhar para melhorar suas práticas”, acrescentou.
“A maior demonstração que podemos dar é que saímos [da reunião] sem preço fechado. A gente não sabe qual vai ser o preço, eu não sei, o presidente não sabe”, disse Paulo Guedes.
Segundo o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, a Petrobras tem “total liberdade” para definir se fará reajuste, o valor do aumento e quando fazer.
Linha de crédito
Mais cedo, nesta terça-feira, o governo federal anunciou uma linha de crédito de até R$ 30 mil, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para caminhoneiros autônomos. Também anunciou o investimento de R$ 2 bilhões em rodoviais.
De acordo com o ministro Onyx Lorenzoni, serão liberados R$ 500 milhões na linha de crédito, que poderá ser acessada pelos caminhoneiros, primeiro, nos bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa) e, depois, nos “demais bancos e cooperativas de crédito de todo o Brasil.”