Ministro da Educação ‘sugere’ adiar Enem ‘de 30 a 60 dias’


Nesta terça-feira (19), o Senado aprovou um projeto que adia automaticamente as provas que dão acesso aos cursos de graduação, entre as quais o Enem. Texto segue para a Câmara. Ministro da Educação sugere o adiamento do Enem 2020, em rede social
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou nesta quarta-feira (20) que “sugere” que a data do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcada para novembro, seja adiada “de 30 a 60 dias”.
“Diante dos recentes acontecimentos no Congresso e conversando com líderes do centro, sugiro que o ENEM seja adiado de 30 a 60 dias”, afirmou. “Peço que escutem os mais de 4 milhões de estudantes já inscritos para a escolha da nova data de aplicação do exame”, escreveu Weintraub em uma rede social.
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, em foto de arquivo.
Wilson Dias/Agência Brasil
Nesta terça-feira (19), Weintrab já havia afirmado que vai abrir uma consulta aos estudantes que se inscreveram no Enem para saber o que eles pensam sobre a data do exame. A consulta será feita por meio da página do participante. “O MEC fará uma consulta, na última semana de junho, a todos os inscritos, através da “Página do Participante”, do @inep_oficial. Vamos manter a data? Adiar por 30 dias? Suspender até o fim da pandemia?”, escreveu o ministro.
Também na terça, o Senado aprovou um projeto que adia as provas que dão acesso aos cursos de graduação, entre as quais o Enem — entretanto, a medida não passa a valer imediatamente. O projeto ainda precisa passar por votação na Câmara e, se aprovado, segue para sanção ou veto do presidente Jair Bolsonaro.
Há uma semana, Bolsonaro afirmou que o Enem pode ser adiado “um pouco”, mas que precisa ser realizado ainda em 2020.
Por enquanto, a aplicação do Enem está mantida para novembro. Pelo cronograma inicial, a avaliação ocorrerá em:
1º e 8 de novembro: versão presencial
22 e 29 de novembro: versão digital (inédita)
Entidades estudantis, universidades e colégios federais pedem o adiamento da avaliação, argumentando que os alunos mais pobres não têm acesso ao ensino remoto durante o período de suspensão das aulas presenciais. Consequentemente, haverá uma ampliação das desigualdades sociais se o calendário inicial não for alterado.
Em nota, o Inep ressalta que, como “ainda estamos enfrentando a situação de emergência de saúde pública”, por causa da pandemia do novo coronavírus, não é possível tomar decisões por ora.
O órgão diz também que “está buscando garantir a execução adequada (do Enem), não apenas para cumprir com seu dever institucional, mas, principalmente, para não prejudicar mais ainda a sociedade brasileira”.
O Enem recebeu, até domingo (17), 3.548.099 inscrições.
Senado aprova texto-base que adia a aplicação do Enem e outros vestibulares