Ministro da Educação diz que, em ‘passado recente’, era preciso pagar ao MEC para credenciar faculdade


Milton Ribeiro não mencionou a que gestão se referia. Em evento na cidade de São Paulo, disse ainda que seus erros poderiam decorrer de ‘incompetência’, mas não de desonestidade. Ministro da Educação, Milton Ribeiro, participa de evento das instituições privadas de ensino superior
Reprodução TV Globo
O ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse nesta quarta-feira (27) que em, “um passado recente”, era preciso pagar ao Ministério da Educação para credenciar instituições de ensino superior.
“Hoje, os senhores podem ter certeza que, para liberar ou para credenciar ou para autorizar uma escola, os senhores não pagarão nada no MEC, absolutamente nada. Nós não temos um corrupto sentado na cadeira de um ministro do estado. Isso pode parecer que era o óbvio, mas não era em um passado recente e os senhores sabem muito bem do que eu estou falando.”
Ribeiro não mencionou a qual ex-ministro da pasta se referia nem deu mais detalhes sobre a questão. A declaração foi dada nesta manhã durante um evento do Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior privado do Brasil.
O ministro disse ainda que erros cometidos à frente da pasta poderiam até ser decorrentes de incompetência, mas não de corrupção, acrescentando que exonerou pessoas que, segundo ele, não conseguiram entender a “seriedade” do governo.
“Os meus erros podem ser advindos até mesmo da minha incompetência, mas não da minha desonestidade e nem do nosso governo”, disse.
No seu discurso, ele destacou o papel das faculdades e universidades particulares, que respondem por 76% do ensino superior em todo o país, e afirmou considerar o professor e a aula presencial como imprescindíveis.
Ribeiro disse que, entre 2020 e 2021, foram extintos 7 mil cursos superiores por solicitação das próprias instituições devido à crise financeira. E acrescentou que o número de alunos no ensino superior à distância (EAD) aumentou de 16,1%, em 2019, para 43,8%, em 2010. Já o número de estudantes presenciais diminuiu 14,3% nos últimos 5 anos.
O ministro criticou a imprensa e deputados da oposição que, de acordo com ele, deturparam sua declaração quando comparou o ensino técnico profissional à universidade.
“Eu disse que ‘a universidade não é para todos porque tem alguns jovens que precisam se formar técnicos e, se for o caso, depois podem progredir e caminhar se eles se adaptarem’. Por exemplo, faz um técnico em veterinária e descobre que a vocação deles é ser um futuro médico veterinário. Aí saiu estampado nos jornais que o ministro tinha dito que a educação não era para todos. Aí, já vieram os deputados da oposição dizendo que eu estava, na verdade, falando que o filho do porteiro não poderia ter ensino superior”, afirmou.
De acordo com o ministro, as declarações a seu respeito foram ditas por questões ideológicas e políticas ou por “analfabetismo funcional” oriundo de escolhas pedagógicas feitas em “um passado recente”.
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