Ministra da Justiça do Japão classifica declarações de Ghosn após fuga como ‘absolutamente intoleráveis’


O ex-presidente da aliança Renault-Nissan deu uma entrevista coletiva no Líbano nesta quarta-feira (8), acusando o sistema judiciário japonês de ferir direitos humanos básicos. Ministra diz que “informações são falsas”. Carlos Ghosn durante coletiva em que explica fuga do Japão para o Líbano
Mohamed Azakir/Reuters
A ministra da Justiça do Japão, Masako Mori, classificou como “absolutamente intoleráveis” as declarações de Carlos Ghosn após sua fuga do Japão. O ex-presidente da aliança Renault-Nissan deu uma entrevista coletiva no Líbano nesta quarta-feira (8) defendendo-se das acusações de fraude fiscal.
“O tribunal libertou o réu Ghosn sob fiança porque ele prometeu cumprir as condições da fiança de que ele não deve se esconder, fugir ou viajar para o exterior, mas ele fugiu do Japão, e fugiu de seu julgamento criminal. Tal ação não seria tolerada pelo sistema de nenhuma nação. Além disso, ele tem propagado informações falsas no Japão e no mundo sobre o sistema jurídico e sua prática no Japão. Isso é absolutamente intolerável”, disse em nota.
O comunicado afirma ainda que “o sistema de justiça criminal do Japão estabelece procedimentos apropriados e é administrado adequadamente para esclarecer a verdade nos casos, garantindo os direitos humanos individuais básicos.”
A ministra diz que “o governo do japonês tomará todas as medidas disponíveis para que os procedimentos criminais possam ser atendidos adequadamente”.
Convocado a depor
Até agora não foi esclarecido como Ghosn deixou o Japão rumo ao Líbano.
Ele foi convocado pelo procurador-geral libanês, Ghasan Oueidat, prestar depoimento nesta quinta-feira (9), depois que as autoridades receberam uma notificação da Interpol sobre sua fuga do Japão, informou a agência de notícias estatal ANN.
A agência acrescentou que a intimação do Ministério Público tem a ver também com “reuniões com autoridades israelenses”, para as quais foi aberto um processo contra Ghosn no Líbano.
Ghosn se negou a explicar aos jornalistas como escapou. Na última sexta-feira (3), em nota, ele afirmou que agiu sozinho, sem a ajuda de familiares.
De acordo com a imprensa japonesa, o empresário teria saído de Tóquio em direção a Osaka de trem, onde teria pegado um taxi até o aeroporto.
De lá, ele teria embarcado em um jatinho particular em direção ao Líbano dentro de uma caixa de um equipamento musical. Antes de chegar ao Líbano, fez uma escala em Istambul, na Turquia.
A Turquia lançou uma investigação sobre a fuga de Ghosn e sete pessoas foram presas, incluindo quatro pilotos, de acordo com a agência de notícias DHA.
Esta matéria está em atualização.
Detalhes sobre a fuga de Carlos Ghosn do Japão
Aparecido Gonçalves/Rafael Miotto/G1
Initial plugin text