‘Minari’ conta história de imigração com grandes atuações, beleza e sensibilidade; G1 já viu


Com 6 indicações ao Oscar, filme sobre família sul-coreana nos EUA nos anos 1980 estreia nesta quinta-feira (22) no Brasil. Não é preciso ser sul-coreano ou de uma família de imigrantes para aproveitar a beleza de “Minari – Em busca da felicidade”, filme com seis indicações ao Oscar que estreia nesta quinta-feira (22) no Brasil.
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Com sensibilidade e profunda atenção a detalhes, o pouco conhecido diretor e roteirista Lee Isaac Chung (indicado nas duas categorias) conta uma história que parece bem particular à primeira vista, mas que ressoa sentimentos e sensações universais.
De quebra, ainda comanda atuações maravilhosas de um elenco encabeçado por Steven Yeun (“The walking dead”) e pela veterana atriz sul-coreana Youn Yuh-Jung, que é merecidamente a favorita na categoria de melhor atriz coadjuvante.
Assista ao trailer de ‘Minari’
O sonho americano
Em “Minari”, uma família sul-coreana se muda da cidade grande para o interior dos Estados Unidos dos anos 1980 para tentar estabelecer uma fazenda recém-comprada.
Enquanto a esposa (Han Ye-Ri) se frustra com a mudança e briga com o marido (Yeun, indicado pela Academia como melhor ator), o casal traz da Coréia do Sul a avó (Youn) para ajudar a cuidar das crianças.
Há quem diga que o mais novo dos filhos (o pequeno Alan S. Kim) é o ponto central da trama, que acompanha por muitas vezes as novidades através de seus olhos, ou até mesmo o pai, interpretado pelo sempre carismático Yeun.
Mas basta poucos minutos de tela para que o trabalho de Youn como a avó pouco convencional da família domine todas as cenas em que aparece, com uma atuação sutil e poderosa.
Alan S. Kim e Youn Yuh-Jung em cena de ‘Minari’
Divulgação
A mensagem
Através da jornada da família, o roteiro repleto de simbologia de Chung usa da força da água e do fogo para contar uma história de esperança e perseverança que não toma atalhos.
É difícil não se identificar com os pontos de vista conflitantes dos personagens, muitas vezes ao mesmo tempo.
Quando as dificuldades enfrentadas se transformam em união e reforçam os laços em cada um deles, a mensagem poderia soar forçada ou até enfadonha, mas é construída de maneira tão natural que emociona e comove.
Em 2020, o sul-coreano “Parasita” conquistou o título de primeiro filme estrangeiro a vencer o Oscar de melhor filme. Com isso, provavelmente abriu caminhos para que “Minari” conseguisse tanto espaço na premiação da Academia.
Afinal, por mais que se trate de uma produção americana, é falado na maior parte do tempo em coreano.
Por outro lado, a vitória da obra de Bong Joon-Ho também dificulta o caminho de Chung na categoria principal, já que é quase impossível imaginar Hollywood premiando duas histórias coreanas em anos seguidos.
Não que “Minari” precise, é claro. Com sensibilidade e beleza, é tranquilamente o filme mais belo da temporada.