Mercosul vai zerar tarifa de importação de carros da União Europeia em 15 anos, prevê acordo


Nos primeiros 7 anos, cota de 50 mil carros em todo o bloco pagará metade da alíquota atual. Depois, o imposto cairá gradualmente. Acordo ainda não tem data para começar a valer. Fábrica da Audi na Eslováquia
Divulgação
Os países do Mercosul vão zerar o imposto de importação para carros fabricados na União Europeia num prazo de 15 anos, a partir do início de validade do acordo comercial anunciado na última sexta-feira (28) pelos blocos.
O texto com esses detalhes, divulgado nesta segunda (1º), não cita reciprocidade nessa medida — ou seja, se os carros fabricados no Brasil teriam a mesma vantagem para serem vendidos na Europa.
O pacto ainda não tem data para entrar em vigor: ainda precisa ter um texto final e ser aprovado pelos congressos dos países envolvidos.
Quando ele começar a valer, a alíquota do imposto de importação, que hoje é de 35% no Brasil, será reduzida à metade para uma cota de 50 mil carros europeus, válida para todo o bloco sul-americano, ao longo de 7 anos. Só depois a alíquota passará a cair mais e gradualmente, até ser eliminada.
15% dos importados vêm da UE
Atualmente, carros vindos de países sem acordo comercial com o Brasil pagam 35% de imposto de importação – o que é o caso dos europeus até o momento.
Em 2018, o Brasil comprou US$ 661 milhões em veículos da UE. Isso equivale a 15,6% dos US$ 4,19 bilhões em automóveis importados pelo país ao longo do último ano. Os números são do Ministério da Economia.
A Alemanha foi quem mais exportou veículos para o Brasil no ano passado, em termos de valores: US$ 253 milhões, ou pouco mais de 5% do total comercializado. Em seguida, aparecem Reino Unido (US$ 131 milhões), França (US$ 86,4 milhões) e Suécia (US$ 48,9 milhões).
Os valores não significam, necessariamente, que estes países forneceram mais unidades para o Brasil. O levantamento realiza divisões considerando valor e peso dos produtos importados.
Isso quer dizer que um país pode enviar uma quantidade menor de veículos, mas com custo unitário maior. É o caso da Itália, por exemplo. De lá, chegam veículos de milhões de reais, caso das Ferrari, Lamborghini e Maserati.
Fábrica da Ferrari, em Maranello
Stefano Rellandini / Reuters
Em peso, foram apenas 309 toneladas, mas que somam US$ 22,9 milhões. É mais do que a Holanda, por exemplo, que exportou 1.050 toneladas para o Brasil, mais do que o triplo, só que com valor de US$ 12,5 milhões.
O valor médio coloca a Itália no topo deste ranking. Cada tonelada de veículo exportado para o Brasil teve custo médio de US$ 74,3 mil. É cinco vezes mais do que a segunda colocada, Alemanha, com custo médio de US$ 14,8 mil.
Veja abaixo quanto cada país da União Europeia exportou de veículos para o Brasil em 2018.
Importação de veículos da UE para o Brasil
Origem curiosa
Pode parecer óbvio que marcas como Audi e Porsche exportem veículos apenas da Alemanha. Ou que a Volvo só envie carros feitos na Suécia. Mas nem sempre isso acontece.
Audi Q7 e Porsche Cayenne, por exemplo, são produzidos na Eslováquia, enquanto o Mini Cooper Cabrio é feito na Holanda. A sueca Volvo também produz em outros países, além de sua terra natal. V40 e XC40, por exemplo, são importados da Bélgica.
Porsche Cayenne é produzido na Eslováquia
Marcelo Brandt/G1
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