‘Menino Maluquinho’, clássico do cinema nacional filmado em BH e Tiradentes, completa 25 anos; veja onde estão os atores hoje


‘O crítico mais rigoroso do cinema é o tempo’, define o diretor Helvécio Ratton. Ele também comenta as mudanças na capital mineira neste um quarto de século. Cena do filme “Menino Maluquinho”, lançado há 25 anos, em julho de 1995.
Divulgação
O menino com uma panela na cabeça, vestindo um blazer azul enorme, saiu das páginas de Ziraldo e alcançou as telas do cinema em julho de 1995. Após 25 anos, consolidado como um clássico da produção nacional, “Menino Maluquinho” ainda encanta crianças e adultos e eterniza uma Belo Horizonte de sonhos.
“Ele vem atravessando gerações de uma forma impressionante e surpreendente. O crítico mais rigoroso do cinema é o tempo. Tem filmes que são ligados ao modismo, que são passageiros. E tem filmes que ficam para sempre. O ‘Menino Maluquinho’ passou por esse crivo. Outro dia uma blogueira escreveu que viu o filme com o filho e que ele disse que ‘queria ter nascido naquela época’. É um tempo meio ideal, de imaginação”, define o diretor Helvécio Ratton, em entrevista ao G1.
À esquerda, Helvécio Ratton na época das filmagens de Menino Maluquinho, ao lado de Samuel Costa; à direita, em foto atual.
Estevam Avellar (esquerda) e Bianca Aun (direita)
Filmado somente em Belo Horizonte e Tiradentes, na Região Central do estado, o longa é ambientado nos anos 60 e retrata uma infância de brincadeiras ao ar livre. A maior parte do elenco é formada por crianças, hoje adultos que seguiram diferentes caminhos (veja abaixo como e onde eles estão). Mas as mudanças também são evidentes na capital. “Imagina você descer a Avenida do Contorno num carrinho de rolimã?”, brinca Ratton.
Para a escolha do protagonista, vivido pelo ator Samuel Costa, mais de 3 mil testes foram realizados no país. O processo revelou ao diretor o caráter universal do personagem Maluquinho, lançado por Ziraldo em 1980. “Nos testes, você tinha meninos de todos tipos: branco, preto, nissei, indiozinho. Toda família achava que tinha uma Maluquinho em casa”, relembra.
Cartaz usado pela produção do filme para encontrar crianças para os papéis da turma do Menino Maluquinho.
Cristina Moreno de Castro / Arquivo pessoal
“O filme deixa muito (como mensagem) a alegria de viver, a brincadeira, a amizade, o companheirismo. E que, para ser feliz, você não tem que estar consumindo nada. Para brincar e se expressar, basta ter alguns amigos. Você inventa coisas com o que há de mais simples, essa é a força do ‘Menino Maluquinho’. Uma infância feliz acaba fazendo adultos felizes e bem resolvidos”, conclui o diretor.
Belo Horizonte antes e depois
O principal cenário do filme é a Rua Congonhas, no bairro Santo Antônio, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Quando as gravações ocorreram, em 1994, as casas históricas tombadas – incluindo aquela onde viveu Guimarães Rosa – ainda estavam intactas e cheias de cor.
Quem passa hoje por aquele quarteirão entre as ruas Leopoldina e Santo Antônio do Monte mal consegue distinguir o topo das casinhas por trás de tapumes de construção. Elas foram em sua maioria demolidas, restando apenas as fachadas, e darão lugar a prédios.
A rua Congonhas do filme, com as casinhas históricas coloridas, muretas baixinhas e calçada larga. E 25 anos depois, com casinhas praticamente demolidas e cercadas por tapumes.
Reprodução (acima) e Cristina Moreno de Castro (embaixo)
A rua Congonhas do filme, com as casinhas históricas coloridas, muretas baixinhas e calçada larga. E 25 anos depois, com casinhas praticamente demolidas e cercadas por tapumes.
Reprodução (acima) e Cristina Moreno de Castro (abaixo)
O mesmo aconteceu com a vista da cena em que os meninos pregam uma peça com um pau sujo de melado (e um pouco mais que isso). Hoje aquela visão ampla a partir da Rua Nunes Vieira, no mesmo bairro, desapareceu. As grades foram substituídas por um muro, o lote vago ganhou um prédio de quase 20 andares e a viela por onde as crianças fugiram mal consegue ser vista, entre as duas construções e uma barraca erguida por moradores de rua.
A vida da rua Nunes Vieira ganhou um muro, um prédio de quase 20 andares e árvores.
Reprodução (acima) e Cristina Moreno de Castro (abaixo)
Mesmo em 1994, encontrar um cenário na cidade que preservasse as características de décadas passadas foi um desafio. O diretor conta que algumas casinhas daquela rua estavam vazias, outras eram bares, e que o fato de a via ser plana facilitou a gravação.
“A Rua Congonhas era um oásis. Fizemos acordos, conseguimos pintar tudo, refizemos o passeio com a cor, pintamos postes, fizemos um trabalho de arte bem grande ali”, lembra Ratton.
Viela por onde as crianças fogem em 1995, hoje mal consegue ser vista, entre dois prédios.
Reprodução (acima) e Cristina Moreno de Castro (abaixo)
O diretor mora no bairro Santo Antônio, onde o filme foi gravado, e sempre passa pelo trecho que serviu de cenário para as aventuras da turma.
“Nosso tipo de cidade cresce se devorando, é ‘autofágica’. A história quase não é conservada, você vai derrubando para construir prédios e vai descaracterizando. A parte histórica vai desaparecendo. Hoje é muito difícil achar umas ‘ilhas’ assim. Quando mais passa o tempo, mais difícil fica”, relata Ratton.
O elenco
Veja a seguir o aconteceu nesses 25 anos com alguns dos atores mirins que participaram do filme.
Menino Maluquinho: Samuel Costa
O ator Samuel Costa, que interpretou o Menino Maluquinho, em imagem do filme, lançado em 1995, e em 2020.
Reprodução (esquerda) e arquivo pessoal (direita)
Samuel mora em São Paulo e tem 35 anos.
Antes do filme ele já fazia comerciais e editoriais de revistas. Depois de encarnar o protagonista de Ziraldo, Samuel continuou na carreira de ator por um tempo, fazendo a sequência do filme (“Menino Maluquinho 2 – A Aventura”, de 1998), comerciais, novela e minissérie na Globo. Também participou de muitos episódios do “Retrato Falado”, até 2004.
E até hoje ele está no meio audiovisual: em 2008, em sociedade com Bruno Bock, começou uma produtora pequena, que, hoje, já tem 50 funcionários. “O mais marcante na minha vida tem sido continuar trabalhando com audiovisual e, através disso, ter realizado meus sonhos de viajar pelo mundo e conhecer locais e culturas bem diferentes da nossa”, conta.
Na vida pessoal, ele contou ao G1 que não é casado, mas mora junto com a namorada. “Sem filhos, ainda!”.
“Eu amei fazer o filme! Ainda tenho muitas memórias da época. Gostava de acordar todo dia pra encontrar aquele batalhão de gente trabalhando com um mesmo objetivo. E essa mesma sensação eu sinto até hoje quando vamos pro set gravar. Sinto que a mensagem do filme é: seja feliz! Eu levo isso comigo diariamente”, diz Samuel.
Nina: Fernanda Guimarães
A atriz Fernanda Guimarães, que interpretou a Nina, em imagem do filme, lançado em 1995, e em 2020.
Reprodução (esquerda) e arquivo pessoal (direita)
Fernanda Guimarães é a caçula do grupo, com 32 anos. Ela mora em Belo Horizonte, é casada há dois anos e meio e não teve filhos.
Depois de atuar no “Menino Maluquinho”, ela ainda participou da sequência, o “Menino Maluquinho 2”, e do filme “Tiradentes”, além de ter feito alguns comerciais para a TV. Hoje ela é médica veterinária e atua na área de diagnóstico por imagem.
“Fazer o filme foi uma oportunidade única e lembro de tudo com muito carinho e saudade. A mensagem que deixo é: ‘Há um passado no meu presente, um sol bem quente lá no meu quintal. Toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá a mão. E me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor'”, diz Fernanda, citando Milton Nascimento em sua canção “Bola de meia, bola de gude”.
Vale lembrar que Milton Nascimento compôs também a trilha sonora do filme “Menino Maluquinho”, com seu refrão-chiclete: “Vida de moleque é vida boa, vida de menino é maluquinha, é bente-altas, rouba bandeira, tudo que é bom é brincadeira”.
Junin: Samuel Brandão
O ator Samuel Brandão, que interpretou o Junin, em imagem do filme, lançado em 1995, e em 2020.
Reprodução (esquerda) e arquivo pessoal (direita)
Samuel Brandão está com 34 anos e mora em São Paulo hoje.
Pouco depois do filme, ele seguiu atuando, seja em peças publicitárias ou em espetáculos teatrais. A paixão pela atuação o levou a fazer faculdade de teatro na UFMG. Paralelamente, ele se apaixonou por programação ainda aos 11 anos de idade e já começou a fazer pequenos trabalhos na área ainda na adolescência.
Acabou fazendo da programação sua profissão oficial: estudou computação em Milão, na Itália, onde morou por quase sete anos, e hoje é responsável técnico e sócio da Lets.events, empresa que oferece soluções tecnológicas para eventos digitais e presenciais.
Ele contou ao G1 que namorou à distância por quatro anos, casou-se em Gênova, na Itália, depois se casou de novo – e com a mesma pessoa – no Brasil, adotou quatro gatos, mudou de casa inúmeras vezes, e, no ano passado, esteve por um mês na China com a esposa estudando Kung Fu. “Viajamos sinceramente sem muitas pretensões, mas voltamos com a faixa preta e o título de instrutores! A experiência na China foi incrível”, lembra. Agora, o casal parece ter se estabelecido de vez na capital paulista.
“Participar do filme foi a melhor experiência da minha infância. O set de filmagens, a turma, as gravações, para mim era tudo uma grande brincadeira. Não sentia que trabalhava, não sentia que atuava, eu apenas brincava. Tive o maravilhoso privilégio de gozar de uma infância permeada por afeto, brincadeiras e despreocupações, uma infância maluquinha. Nunca me faltou nada. Desejo que um dia vivamos em um mundo onde todas as crianças saibam o que é brincar despreocupadamente, sem fome, com um lar estável, apoio psicológico e emocional e acesso a educação de qualidade”, diz Samuel, que, no filme, fez o discurso mais emocionante, ao narrar uma partida de futebol.
Carol: Carolina Galvão
A atriz Carolina Galvão, que interpretou a Carol, em imagem do filme, lançado em 1995, e em 2020.
Reprodução e arquivo pessoal
Carolina Galvão está com 35 anos e, mineira de Belo Horizonte, mora há nove anos em São Paulo.
Após o filme, ela não se envolveu em mais nenhuma atividade “artística” – exceto como espectadora de teatros, cinemas, consertos e musicais. Há mais de 16 anos atua no corporativo, especificamente em Recursos Humanos. “É onde venho aprimorando minha trajetória profissional no grande e prazeroso exercício de lidar com o ser humano, descobrindo potenciais talentos, desenvolvendo pessoas, fazendo parte da vida delas de alguma forma, e claro, gerando valor para o negócio onde estão inseridas”, diz Carolina.
Ela é casada há quase 10 anos. “E ainda não tenho filhos, nem cachorros nem papagaios”, brinca. Ela destaca dois acontecimentos marcantes nesses 25 anos: “Ter me casado com o dono do meu coração (Leo), sem dúvida, foi um divisor de águas. Ter mudado para SP e traçado uma nova fase de vida aqui, trouxe muitas outras coisas importantes como consequência”.
Sobre a participação no filme, ela diz que foi um presente que a vida lhe deu:
“Conhecer pessoas legais e ter história pra contar quando adulto, isso não tem preço. Não sou daquelas que fica assistindo o filme pra relembrar e nem espalhando que um dia fui “atriz”. Mas lembro com saudades e sou grata por ter feito parte disso. O filme, pra mim, é vivo e contemporâneo, mesmo após passados 25 anos. O roteiro belamente escrito pelo nosso querido Ziraldo mostra a vida como ela é, de verdade, com defeitos, tristeza, com fraqueza, conquistas, alegria, simplicidade e sobretudo que as pessoas não são de papel, não são binárias, nem feitas de fibra ótica ou ondas eletromagnéticas, ao contrário, as pessoas são de verdade, de carne e osso, mortais, vulneráveis e acima de tudo únicas. Como já dizia o Apóstolo Paulo: ‘Combati o bom combate, encerrei a carreira e guardei a fé'”.
Julieta: Cristina Castro
A atriz Cristina Castro, que interpretou a Julieta, em imagem do filme, lançado em 1995, e em 2020.
Reprodução e Arquivo pessoal
Cristina Castro está com 35 anos e mora em Belo Horizonte, onde nasceu, assim como a maioria dos integrantes do elenco mirim do filme.
Ela nunca mais atuou depois do “Menino Maluquinho”, exceto por algumas peças da escola. É casada e tem um filho de 4 anos e meio, o Luiz. Nesses 25 anos, já foi atleta de natação, fez intercâmbio pra aprender inglês, foi bancária durante a faculdade de jornalismo na UFMG, morou sozinha por quase cinco anos em São Paulo, cultivou vários blogs, voltou para a terrinha em 2012 e, desde então, concilia a profissão de jornalista, que exerce há 13 anos, com a maternidade e a paixão pelo cinema (agora restrita às críticas e resenhas, principalmente em tempos de Oscar).
Herman: Caio Reiss
O ator Caio Reiss, que interpretou o Herman, em imagem do filme, lançado em 1995, e em 2020, com a esposa e a filha (que ele chama de Bu e Hermanzinha)
Reprodução (esquerda) e arquivo pessoal (direita)
Caio Reiss comemorou o aniversário de 10 anos durante as gravações do filme, junto com o elenco todo. Hoje tem 35 anos e continua morando em Belo Horizonte, onde nasceu, como a maioria dos atores mirins do filme.
Antes de encarnar o alemão Herman, Caio fazia teatro amador, mas, depois do Maluquinho, não voltou a fazer mais nada “artístico”, exceto por uma propaganda de televisão para uma loja de roupas infantis. Hoje ele é bibliotecário e trabalha no Acervo da TV Globo. “É o maior acervo de imagens da América Latina! É um grande prazer catalogar, tratar, guardar e cuidar muito daquilo que é um bocado da história nacional, e até internacional”, elogia.
Na vida pessoal, ele contou ao G1 que é casado há quase sete anos com a Bruna, que ele chama carinhosamente de “Bu”. Há quase três anos, a família ganhou a pequena Stella – “uma menina linda e sapeca, por quem eu sou completamente apaixonado”, derrete-se.
Ele destaca como muito marcante nos últimos anos a visita que fez a Israel, em 2003. Judeu, ele visitou ainda os campos de concentração nazistas, entre eles Auschwitz, que foram preservados após a Segunda Guerra, alguns deles pelos quais seus avós paternos passaram, e sobreviveram até chegarem ao Brasil. “É de arrepiar a capacidade da maldade do ser humano. E é curioso, né? Eu ter feito o papel do Herman, o alemãozinho do Ziraldo!”
“Eu sinto orgulho de ter participado um pouquinho da história do cinema nacional! Sobretudo sobre um livro do Ziraldo, tão famosos ambos… É também um belo registro da minha infância, que gosto de contar, em especial, para as crianças com quem convivo. Essa obra do cinema é importante para mostrar para as crianças como foi livre e leve aquela infância de décadas passadas, da imaginação, da criação, das brincadeiras na rua, e não como hoje, que vem tudo pronto pra você. Não se pode perder essa magia!”
Shirley Valéria: Camila Paes
A atriz Camila Paes, que interpretou a Shirley Valéria, em imagem do filme, lançado em 1995, e em 2020.
Reprodução e arquivo pessoal
Camila Paes hoje mora em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, e está com 36 anos.
Ela nunca mais atuou depois de sua participação no “Menino Maluquinho”. Sua mãe dizia que ela deveria focar nos estudos. “E minha mãe tinha razão… Meu maior talento está na área acadêmica”, orgulha-se.
Em 2008 ela se formou em enfermagem pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e, no ano seguinte, ganhou uma bolsa de estudos oferecida pelo governo japonês para fazer o mestrado na Universidade de Tóquio. No Japão por 4 anos, ela finalizou o mestrado, começou o doutorado, mas, no meio do caminho, decidiu voltar para o Brasil, e foi morar em Florianópolis. Em 2017, terminou o doutorado em engenharia química pela Universidade Federal de Santa Catarina. Hoje, faz o pós-doutorado na Faculdade de Enfermagem da UFJF.
“O bom filho à casa torna. Estou muito feliz e realizada em ter voltado para a universidade onde me formei, retornando para eles todo o investimento em forma de conhecimento adquirido durante a minha jornada mundo afora”, diz Camila.
Camila está casada há seis anos e tem duas filhas, uma de 3 anos (Helena) e outra com 2 aninhos (Joana). “Defendi o doutorado com uma no colo e a outra na barriga! Não foi fácil… Mas as minhas duas princesas são a inspiração e a razão da minha vida”.
Sobre o filme, ela conta a emoção que foi assistir junto às duas filhas:
“Foi uma experiência muito marcante na minha infância. Me lembro de todos os detalhes dos momentos que, para mim, foram como férias divertidas. Hoje em dia eu ainda sou lembrada como ‘a menina do filme’. É legal (e engraçado) quando alguém descobre que eu fui atriz, do filme que é considerado um dos melhores do cinema brasileiro infantil. Mais legal ainda foi mostrar o filme pras minhas filhas… Isso aconteceu há pouco tempo atrás. Que orgulho eu senti! Naquele momento, o que eu mais queria era que elas, e todas as crianças desse mundo, pudessem viver uma vida maluquinha como aquela que o nosso querido Ziraldo escreveu”, lembra Camila.
Quincas: Gustavo Toledo
O ator Gustavo Toledo, que interpretou o Quincas, em imagem do filme, lançado em 1995, e em 2020.
Reprodução (esquerda) e arquivo pessoal (direita)
Gustavo Toledo é o mais velho da turma, hoje com 41 anos, e morador de Belo Horizonte. No filme, ele interpreta o Quincas, que já era adolescente e namorador, enquanto o restante das crianças só queria brincar.
Gustavo nunca mais atuou profissionalmente, tendo feito apenas teatro amador na escola, até ter uns 18 anos. Hoje ele é médico, especializado em neurologia, e trabalha em quatro hospitais de Belo Horizonte. Ele é solteiro e não teve filhos.
“Esse filme é uma poesia cinematográfica. Lindo. Tenho muito orgulho de ter participado. Tive muita sorte em ter sido escolhido. A mensagem desse filme é a infância pura e simples. Acho que as crianças de hoje têm uma rotina e sonhos diferentes do que o filme passou. Não que fosse melhor ou pior, mas certamente era mais mágico”, diz Gustavo.
Bruce Lee: Felipe Malzac
O ator Felipe Malzac, que interpretou o Bruce Lee, em imagem do filme, lançado em 1995, e em 2020.
Reprodução (esquerda) e arquivo pessoal (direita)
Felipe Malzac ainda mora em Belo Horizonte e tem 35 anos.
Depois de fazer o Bruce Lee, ele ainda participou de duas propagandas para o governo, mas não seguiu com a atuação. Na vida profissional, ele iniciou um curso de ciência da computação, mas desistiu e, mais tarde, passou a jogar poker profissionalmente por alguns anos. Em 2011, vário sites de poker foram fechados e ele largou essa ocupação, passando a se dedicar à psicologia. Hoje estuda para concurso público na área.
Ele é solteiro, sem filhos, e diz que, nos últimos cinco anos, o que aconteceu de mais marcante foi ter conhecido a Umbanda, a Ayahuasca e a Magia Divina, que “mudaram diversos paradigmas” e sua forma de perceber o mundo.
“Na época eu não conseguia dimensionar o que era participar de um filme com tamanha importância para o cinema nacional, as gravações eram um grande barato e me diverti bastante, tanto na interação com aquela molecada toda quanto nos eventos de divulgação, era tudo uma grande brincadeira. Hoje fica a memória daquele momento. Vez ou outra ainda assisto ao filme novamente e acho um barato ter esta forma de recordar um período tão divertido da infância. Meu recado sobre os 25 anos do filme é que a vida deve ser vivida intensamente, assim como é retratada a vida do Menino Maluquinho, aproveitando ao máximo o aqui-e-agora”, diz Felipe.
Toquinho: Bernardo Cunha
O ator Bernardo Cunha, que interpretou o Toquinho, em imagem do filme, lançado em 1995, e em 2020.
Reprodução (esquerda) e arquivo pessoal (direita)
Bernardo Cunha é o segundo mais novo da turma. Aos 32 anos, ainda mora em Belo Horizonte.
Depois de fazer o Toquinho do filme, ele atuou na peça de teatro “O céu tem que esperar”, que ficou dois anos em cartaz. Ele revezava o mesmo papel com o Samuel Brandão, que fez o Junin do filme. “Mas a carreira artística ficou na infância. Sempre me interessei por artes como música e cinema, mas como hobbies. Minha carreira profissional sempre esteve envolvida com publicidade e marketing”, diz Bernardo.
Ele já trabalhou em agências, produtoras de vídeo e algumas startups. Hoje é especialista em sucesso do cliente. Paralelamente, é guia de excursões para a Disney e leva jovens a Orlando há 11 anos, nas horas vagas. “É uma das coisas que mais amo fazer na vida!”
Nos últimos 25 anos, morou em vários lugares, inclusive fora do Brasil. Mas agora resolveu ficar sossegado em Belo Horizonte: “Amo esta cidade e pretendo construir uma família aqui”.
Por falar em família, ele está solteiro, morando sozinho e, segundo disse ao G1, muito focado na vida profissional. Mas ele ficou conhecido na capital mineira em 2013, quando um post que fez sobre uma menina que havia visto em uma agência bancária viralizou no Facebook e ganhou o noticiário local.
“Alguém descobriu que eu havia feito o filme e começaram a divulgar notícias estilo ‘ex-ator mirim faz campanha em busca de grande amor'”, diverte-se.
Bernardo é prolixo ao falar de sua participação no filme. “Eu me lembro que na época eu fiquei muito empolgado mas também sabia que aquilo era um privilégio para poucos. Apesar de novo, eu entendia um pouco o perigo de um evento desses na cabeça de uma criança, de mexer com o ego, etc. Tive sorte de ter pais que apoiaram, mas sempre me ensinaram que aquilo não era uma premiação e que criança tem mesmo é que brincar. Hoje continuo me sentindo privilegiado não só por ter participado dessa experiência que é um filme, mas por ser este filme tão especial”, começa.
“É comum amigos me enviarem de vez em quando mensagens e fotos mostrando que estão assistindo o filme com seus filhos, sobrinhos, etc. Isso mostra o quão atemporal é este filme. Ele realmente ficou no imaginário de toda uma geração e conquista os pequenos hoje em dia. Uma grande amiga minha tem uma filha pequena que é fã do filme, sabe até as falas de cor! Eu acho isso sensacional. Tem obras que vão ficar para a eternidade. Quando algo trabalha com esse lado lúdico, permanece.”
Ele diz que assistiu ao filme recentemente, depois de muitos anos, e ficou emocionado ao mergulhar nas memórias. E finaliza com uma mensagem:
“Que a gente nunca se esqueça da nossa criança. Em um momento tão dividido e hostil que nossa sociedade passa, deveríamos focar no que realmente nos une e importa de fato. O filme traz essa coisa simples da brincadeira, do perdão, da diversão etc. Todo mundo está precisando disso um pouco. Continuem maluquinhos.”
Lives para comemorar
A produtora de Helvécio Ratton, Quimera Filmes, vai organizar lives no Instagram com o ator Samuel Costa, que fez o papel do Menino Maluquinho, e com a atriz Patrícia Pillar, que interpretou a mãe do garotinho, para celebrar os 25 anos de lançamento do longa-metragem.
A atriz Patrícia Pillar em cena do filme “Menino Maluquinho”, lançado em 1995.
Reprodução
A primeira, com Samuel, vai ser na próxima terça-feira (21), às 20h. Na terça seguinte, dia 28 de julho, também às 20h, vai ser a conversa com a atriz veterana.